Diário da Região

12/05/2019 - 00h30min

DIÁRIO DA GRATIDÃO

A sublime atitude das mães doadoras de leite

Doação de leite humano é um dos gestos supremos da maternidade; Banco de Leite de Rio Preto recebe 140 litros por mês, mas precisa de mais

Guilherme Baffi 10/5/2019 Juliana Veiga Chaim Oliveira e os filhos, Antonio, 2 anos, e João, 23 dias: toda semana ela doa cerca de dois litros
Juliana Veiga Chaim Oliveira e os filhos, Antonio, 2 anos, e João, 23 dias: toda semana ela doa cerca de dois litros

"Você ficou do meu lado e eu suportei / Eu tive amor, eu tive tudo / Eu sou grato por esses dias que você me deu / Talvez eu não saiba muito disso / Mas eu sei que isso é muito verdadeiro / Eu fui abençoado porque fui amado por você". A tradução é um trecho da clássica música "Because you loved me", ou "Porque você me amou", de Celine Dion.

Os versos poderiam ser facilmente cantados pelos 150 bebês, em média, que recebem leite do Banco de Leite de Rio Preto todos os meses. O alimento muitas vezes não vem da mãe biológica - que não o produz ou produz em quantidade insuficiente -, mas provém de outras mulheres, que dividem com outros pequenos o alimento de seus filhos.

Juliana Veiga Chaim Oliveira, psicóloga de 35 anos, está doando leite pela segunda vez. Ela é mãe de Antonio, de 2 anos e 9 meses, e de João, de 23 dias, e destaca a importância que o leite materno tem para os bebês que estão internados. "É questão de humanidade, de amar ao próximo. Eu não faço mais do que minha obrigação, minha produção de leite é muito boa", afirma. Toda semana, Juliana doa cerca de dois litros de leite. O sentimento de quem ajuda é de gratidão. "De amor ao próximo porque isso aqui é uma dádiva. Eu me sinto muito bem, me sinto um ser humano melhor."

O Banco de Leite de Rio Preto atende em média 140 a 150 bebês por mês com 140 litros de leite - segundo a coordenadora, Priscila Celina Bonomo Theodoro, o ideal seria coletar por mês 200 litros. Todo o alimento é destinado aos bebês que estão internados nas Unidades de Tratamento Intensivo neonatais dos hospitais Austa, Beneficência Portuguesa, Hospital da Criança e Maternidade (HCM) e Santa Casa. Quando a demanda não é atendida, os médicos optam pela fórmula, que não é tão benéfica à saúde.

No mês das mães, e pensando que o leite materno é o melhor alimento para quem acabou de chegar ao mundo, a doação de leite é a nova bandeira do Diário da Gratidão. Toda mulher que está amamentando e é saudável pode colaborar.

O Banco de Leite também oferece orientações a qualquer mãe que esteja com dificuldades para amamentar, como pega errada do bebê ou leite "empedrado". Ana Céria Caetano Mantana, analista administrativa de 37 anos, teve o suporte da entidade há quatro anos, quando nasceu Anna Beatriz. De atendida ela passou a doadora e hoje compartilha o leite de João Raphael, que chegou há um mês.

A iniciativa de ajudar veio após conhecer o trabalho do Banco. "É interessante a gente fazer a doação porque tem outras vidas que precisam desse alimento. O leite materno é essencial no primeiro ano de vida. É gratificante ajudar porque é um alimento essencial, ainda mais na vida dos prematuros", afirma. Por semana, ela doa cerca de 300 ml. "Não estou tendo muito, mas está dando para fornecer para meu filho e fazer a doação".

Doação

Segundo Priscila, qualquer quantidade de leite ajuda, pois alguns bebês começam mamando apenas um mililitro por refeição. Depois de feito o cadastro e apresentados ou realizados os exames, o Banco fornece os frascos para a doadora e passa uma vez por semana na casa dela para coletar o leite cru, que passa por um processo de pasteurização e depois é encaminhado aos hospitais.

Se a mãe voltar a trabalhar antes dos seis meses de vida do filho (idade até a qual é recomendado o aleitamento exclusivo), o Banco devolve metade do que ela doou. "A mãe consegue voltar mais tranquila para o trabalho, sabendo que o bebê vai estar recebendo o leitinho, e a gente consegue manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses", ressalta Priscila. "O bebê dela recebe o benefício até o sexto mês e ela vai estar ajudando outros bebês."

Como doar

Quem pode doar

  • Mães que tenham dado à luz recentemente e queiram doar o leite excedente ao Banco de Leite podem se cadastrar

Como funciona

  • O Banco de Leite fornece para a mãe os frascos onde ela vai armazenar seu leite. Uma vez por semana ou até a cada dez dias, a equipe passa para recolher o alimento. Quem desejar também pode ordenhar no Banco

Como se cadastrar

  • O cadastro pode ser feito diretamente no Banco de Leite (Avenida dos Estudantes, 1886), que funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 16h e, aos sábados, das 8h às 13h; pelo telefone (17) 3214-3422 ou no posto volante do Banco - para saber onde ele estará, entre em contato pelo telefone

O que é necessário

  • Para doar, é preciso estar saudável. É necessário apresentar o cartão de pré-natal, pois nele constam os resultados de exames de HIV, sífilis e hepatites B e C. Se a mãe não tiver este documento, novos exames podem ser realizados no Banco

Higiene pessoal antes de iniciar a coleta

  • Use uma touca ou lenço para cobrir os cabelos
  • Coloque uma fralda de pano ou máscara sobre o nariz e a boca
  • Lave as mãos e os braços até os cotovelos com bastante água e sabão
  • Lave as mamas apenas com água
  • Seque as mãos e as mamas com uma toalha limpa

Local adequado para retirar o leite

  • Escolha um lugar confortável, limpo e tranquilo
  • Forre uma mesa com um pano limpo para colocar o frasco e a tampa
  • Evite conversar durante a retirada do leite

Como retirar o leite das mamas

  • Massageie as mamas com a ponta dos dedos, fazendo movimentos circulares no sentido da parte escura (aréola) para o corpo
  • Coloque o polegar acima da linha em que acaba a aréola
  • Coloque os dedos indicador e médio abaixo da aréola
  • Firme os dedos e empurre para trás, na direção do corpo
  • Aperte o polegar contra os outros dedos até sair o leite
  • Despreze os primeiros jatos ou gotas
  • Em seguida, abra o frasco e coloque a tampa sobre a mesa, forrada com um pano limpo, com a abertura para cima
  • Retire o leite da mama, posicionando o frasco debaixo da aréola
  • Após terminar a coleta, feche bem o frasco
  • Como guardar o leite retirado
  • Anote na tampa do frasco a data e a hora em que realizou a primeira coleta do leite e guarde imediatamente no freezer ou no congelador o frasco fechado
  • Se o frasco não ficou cheio, você pode completá-lo em outro momento, mas lembre-se que qualquer quantidade é importante
  • Coloque o leite recém-extraído sobre o que já estava congelado até faltarem dois dedos para encher o frasco
  • Guarde imediatamente o frasco no freezer ou no congelador
  • Espere o Banco vir fazer a busca semanal do leite ou leve até lá

Fontes: Banco de Leite e Ministério da Saúde

Influencer pelo aleitamento

Arquivo pessoal Bruna Oliveira doou leite nos primeiros seis meses de vida da filha, Maya
Bruna Oliveira doou leite nos primeiros seis meses de vida da filha, Maya

A jornalista Bruna Oliveira, 35, é criadora da página "Bruna Mamãe Sincera", no Instagram, onde compartilha suas aventuras como mãe. Em um dos posts recentes, ela fala sobre a doação de leite materno que fez nos seis primeiros meses de vida da filha Maya, hoje com 1 ano e 4 meses. "Saudades desse momento lindo na minha maternidade. Me sentia importante e poderosa em poder ajudar outros bebês e famílias com algo tão precioso", escreveu ela na rede social.

Maya continua sendo amamentada em complemento à alimentação. Bruna contribuía com quase meio litro de leite por semana. "Continuo incentivando o aleitamento materno e a doação". A decisão de doar veio por meio de leituras e pesquisas. "Queria dar a possibilidade para outras mães de proporcionar todos os benefícios que o leite materno tem. Não existe alimento melhor para o recém-nascido", pontua.

Bruna conta que o Mamãe Sincera surgiu porque a maternidade despertou ainda mais a vontade de compartilhar experiências. "A maternidade pode ser muito solitária, então como sempre li muito acredito que era importante compartilhar minhas experiências e pesquisas."

Ela elencou alguns conselhos para as mães. O primeiro deles é pesquisar. "Ser mãe é um instinto, mas é preciso ler, se informar". Ela destaca que é importante estar preparada para o puerpério, o período pós-parto, carregado de mudanças na rotina e alterações hormonais e quando também começa a amamentação.

Outro conselho é escolher a forma que se deseja maternar, apesar de todos os conselhos externos - do pediatra, do ginecologista, da avó, da madrinha. "As escolhas sempre são da mãe e do pai".

Bruna lembra que a mãe também precisa ser cuidada. "Eu costumo usar a frase 'mamãe feliz, bebê feliz'. Ela precisa de uma rede de apoio, tarefas compartilhadas com o companheiro para manter a saúde física, mental e psicológica para cuidar desse novo bebê."

Por último, Bruna orienta as mães a não se compararem. "Cada mãe e cada bebê são únicos. Ser gentil com ela mesma, ter empatia com o bebê para acolhê-lo." (MG)

Mitos e verdades

  • Doar leite diminui a quantidade de leite produzida - Mito. Quanto mais a mulher amamenta ou esvazia as mamas, mais leite ela produz
  • Algumas mães produzem leite mais fraco do que as outras - Mito. O leite materno não é fraco. Para estar apta a doar, basta seguir as orientações de uma alimentação adequada e não fazer uso de drogas ou bebidas alcoólicas
  • O estresse pode prejudicar a produção de leite - Verdade. Situações de estresse ou nervosismo podem prejudicar a produção de leite. Por isso é importante dar suporte e apoio para que as mães tenham um período de amamentação tranquilo e prazeroso
  • Só é possível doar uma grande quantidade de leite - Mito. Dependendo do peso do bebê prematuro, 1 ml já é o suficiente para nutri-lo a cada vez que ele for alimentado. Por isso, doar qualquer quantidade de leite é importante
  • Seios pequenos produzem menos leite - Mito. O que dá o volume aos seios é o tecido gorduroso e não a glândula produtora de leite, portanto, não depende do tamanho ou formato da mama

Agradecimentos pelo leite

Tamires Oliveira Delucena, recepcionista de 24 anos, é mãe de Felipe, que nasceu em 1º de maio, prematuro de 33 semanas (o ideal é que uma gestação entre na 39ª semana) e que está internado na UTI neonatal do Austa.

Vem da mãe parte do leite que o pequeno recebe (ele mama 25 ml a cada três horas), mas o Banco também é necessário. A produção do alimento pela mulher aumenta quando a criança efetivamente começa a mamar, já que a produção é estimulada pela sucção. "Faz toda a diferença saber que ele está sendo amamentado pelo leite materno. A gente sabe que tem tudo que eles precisam", diz Tamires, que pretende continuar a amamentar Felipe depois que ele tiver alta. "Espero que ele se recupere logo e venha para casa", deseja a recepcionista em seu primeiro Dia das Mães.

Bruna Lívia Abati Ferreira, representante de 32 anos, também é mãe de primeira viagem. A filha Maria Flor, de 53 dias, está internada na UTI, pois nasceu prematura de 28 semanas de gestação. São 20 ml de leite a cada três horas. "Vai o meu leite para ela, mas ela também recebe de outras mãezinhas. A gente só agradece, porque não tinha a dimensão de como funcionava o Banco de Leite", diz Bruna, que demonstra entender do assunto. "O leite materno é muito bom para o bebê para evitar problemas gastrointestinais."

Juliana Veiga Chaim, mãe de Antonio e João, amamentou o primeiro até os seis meses. "São perfeitamente saudáveis, acho que isso colaborou, não dava nem água", diz.

Até os seis meses, o leite materno é o único alimento de que a criança precisa e nele já existe água. No começo, é natural que o leite seja mais gorduroso - o chamado "colostro", que é muito importante para o desenvolvimento do recém-nascido. Um litro de leite doado pode amamentar até dez crianças. (MG)

Nutrientes e vínculo

Samanta Eliane Duarte Volpi, enfermeira da UTI neonatal do HCM, explica que cada mãe produz o leite para seu bebê - o alimento tem a dose adequada de nutrientes, além de a amamentação estimular o vínculo entre ela e a criança. "Nada se compara ao leite materno, nenhuma fórmula", diz.

As mães de prematuros também fazem a coleta do leite, que é dado para a criança in natura ou pasteurizado no Banco para ser armazenado. "Uma mãe de recém-nascido prematuro produz um leite diferente, mais rico em gordura, por isso a importância do Banco", reforça a enfermeira.

Priscila pontua que a equipe fica satisfeita quando consegue atender a toda a demanda dos hospitais. "Quando não consegue fica uma pontinha de um desejo de 'um quê' a mais. Esse leite faz a diferença na recuperação desses bebês que estão internados", ressalta.

Para o pequeno, o leite é benéfico porque tem anticorpos, sendo a primeira vacina da criança, além de colaborar para a formação da flora intestinal. O alimento colabora para uma recuperação mais rápida. Para as mães que amamentam - doam - o aleitamento reduz a incidência de câncer de mama e diminui os riscos de depressão pós-parto. Além disso, reforça o vínculo entre ambos. (MG)

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