Diário da Região

12/05/2019 - 00h30min

Saúde emocional

O chamado à coragem

Especial "Brené Brown: the call to courage", discute vulnerabilidade na Netflix

Divulgação Especial
Especial "Brené Brown: the call to courage", discute vulnerabilidade na Netflix

Há uma crise de coragem. Em tempos de redes sociais, as pessoas estão com medo de fazer qualquer coisa, dizer qualquer coisa, ser qualquer coisa. E constrangimento, vulnerabilidade, coragem e empatia é o tema de pesquisa há 20 anos da norte-americana Brené Brown. Cinco dos seus livros aparecem no New York Times como os mais vendidos e sua palestra no TedTalk é uma das mais assistidas em todo o mundo.

Agora, ela está de volta com seu próprio especial da Netflix, “Brené Brown-The Call to Courage”, ou “O chamado à coragem”, em tradução livre, e tem mais a dizer sobre vulnerabilidade e sua relação com a coragem, com histórias divertidas como alguns divertimentos nos bastidores da sua vida e experiências após o vídeo do TEDex Houston se tornar viral. Ela já trabalhava com o tema, na universidade e em empresas havia anos, mas a palestra, que foi assistida mais de 39 milhões de vezes, a tornou conhecida em todo o mundo. Brené defende que não é possível amar, viver bem e ser feliz sem ser vulnerável. E no especial ela fala um pouco mais sobre isso.

Autora do best seller “A Coragem de ser Imperfeito” (Editora Sextante)

Com humor e empatia, ela discute o que é preciso para trocar o conforto pela coragem em uma cultura definida pela escassez, pelo medo e pela incerteza.

Nos últimos anos, ela tem perguntado a milhares de pessoas o que é vulnerabilidade e as respostas são variadas: “É o primeiro encontro após o divórcio”, “é tentar engravidar após um aborto espontâneo”, “é falar sobre o futuro dos filhos com a esposa em estado de câncer terminal”, “é ser demitido”, “é demitir alguém”, “é sair do armário para pais religiosos”, “é ser o primeiro a falar eu te amo.”.

“Temos de deixar claro que toda coisa significativa em nossa vida nasce de coragem, seja é amor, pertencimento, alegria ou confiança - nasce da vulnerabilidade. Se criamos um mundo para nós mesmos onde nosso conforto é primário, não chegaremos às experiências significativas que definem nossas vidas”, explica.

Brené Brown diz nunca ter conhecido alguém que não queira mais alegria, mais intimidade, mais confiança, mais criatividade. Vulnerabilidade não é fraqueza. Na verdade, é a melhor maneira de se medir a coragem. A coragem depende da sua habilidade de ser muito ou pouco vulnerável. “Atualmente as arquibancadas estão lotadas de pessoas que jamais vão pisar na arena. Elas jamais vão se arriscar, mas vão se empenhar em nos criticar e nos julgar e temos de aprender a não ligar para tais críticas, muito menos ficar remoendo e acreditando nelas. Abandone as críticas, não se apegue às coisas negativas ditas pelos outros. Não acredite nelas, não se importe. Abandone-as. Passe por cima e siga adiante. Não aceite críticas nem quaisquer tipos de comentários de pessoas sem coragem de viver”, explica

Embora sejamos programados biologicamente para lidar com a opinião alheia, a questão, segundo a pesquisadora, é saber escolher as pessoas cujas opiniões importam. “Peça a opinião de pessoas com algo a acrescentar. São aquelas pessoas que amam você, não apesar da sua imperfeição, mas por causa dela. Essa é a opinião interessa”.

Não existe coragem sem vulnerabilidade. Você provavelmente faça parte do grupo que cresceu ouvindo que ter coragem é importante e que vulnerabilidade é fraqueza. E é a própria Brené quem dá a resposta para fugir dessa armadilha: "Ser vulnerável é difícil, assustador e até mesmo perigoso. Mas é muito mais difícil, assustador e perigoso chegar ao fim da sua vida e ter de se perguntar: e se eu tivesse me arriscado? E se eu tivesse dito que amava?" Se arrisque, se exponha, atenda ao chamado da coragem por você. Vale a pena ser corajoso.

Mitos da vulnerabilidade

Mito #1: "Vulnerabilidade é fraqueza"- Não há coragem sem vulnerabilidade. Vulnerabilidade é a sensação que temos quando há incerteza, risco e exposição emocional;

Mito #2: "Vulnerabilidade não é para mim"- É, sim; é para todos. Ou você é vulnerável porque quer ou a vulnerabilidade surge do nada. Você é vulnerável queira ou não. Quando você não admite a vulnerabilidade, você desconta nas outras pessoas. Pare de jogar seu lixo emocional nos outros. Você está passando por dificuldades? Ok, todo mundo está. A diferença está em não descontar os seus problemas emocionais nos outros;

Mito #3: "Eu consigo sozinho"- Não, não consegue. Somos neurobiologicamente programados a buscar conexão com outras pessoas. Cultive ausência de conexão, pertencimento e amor e pertença há muito sofrimento;

Mito #4: "É possível ser vulnerável sem sofrer de incerteza ou desconforto"- Não. Se tem conforto não é vulnerabilidade;

Mito #5: "Primeiro confiança, depois vulnerabilidade"- Na verdade, a confiança e a vulnerabilidade se sobrepõem em pequenas quantidades, aumentando ao longo do tempo. Quanto mais você compartilha, mais o outro honra isso. Compartilhe sua história com quem ganhou o direito de ouvir, não simplesmente por compartilhar. Vulnerabilidade sem limites não é vulnerabilidade;

Mito #6: "A vulnerabilidade é divulgar"- Transmitir sua depilação ao vivo na internet ou os detalhes do seu divórcio no Facebook para todo mundo ler não é vulnerabilidade. Ela não se mede pela divulgação. Ela se mede pela coragem de se expor e de ser visto, sem poder controlar o resultado. A vulnerabilidade é medida pela quantidade de coragem para se expor e ser visto quando você não consegue controlar o resultado.

O que ela diz

  • "O tempo é um recurso grande, precioso e não renovável."
  • "Vulnerabilidade é a chave para viver de todo o coração e amar."
  • "Nossos cérebros buscam padrões narrativos para nos proteger. Nós inventamos histórias."
  • "Muitas pessoas escolhem não sentir amor para não sentir dor. Algumas pessoas acham que é um preço alto demais para pagar."
  • "A alegria é a mais vulnerável de todas as emoções humanas. Morremos de medo de sentir alegria. Temos tanto medo de que, ao sentir alegria, algo que aconteça tire a alegria da gente e nos deixe traumatizados e sofrendo. Mesmo em momentos alegres, estamos prevendo tragédias. Agouramos a alegria. Se perdemos a capacidade de ser vulneráveis, a alegria se torna um agouro."
  • "A gratidão é cura para as pessoas. As pessoas muitas vezes sentem falta dos simples momentos comuns mais do que qualquer outra coisa."
  • "Coragem e vulnerabilidade são a mesma coisa. Não dá para ser corajoso sem também ser vulnerável. É disto que vem a coragem de ser imperfeito."
  • "Vulnerabilidade não é ganhar nem perder, é ter a coragem de se expor mesmo sem poder controlar o resultado."
  • "Usamos a vulnerabilidade das pessoas que amamos contra elas próprias. Por quê? Ficamos assustados de ver as pessoas vulneráveis. A vulnerabilidade é a estrada que nos leva até o outro, mas temos medo. Aí acabamos magoando uns aos outros. Queremos o amor, mas temos tanto medo de nos expor e medo de ver as pessoas, mas é a única forma."
  • "Somos programados a amar e pertencer, está no nosso DNA e a verdade é que estamos vivendo uma confusão política e social. E todo mundo quer pertencer hoje em dia. Mas o que é pertencimento? Segundo as pesquisas, o contrário de pertencimento é caber. Caber é analisar e se encaixar. Pertencimento é primeiro pertencer a si próprio, falar o que sente, compartilhar as suas vivências e nunca se trair em nome dos outros. O pertencimento não requer que você mude quem você é. Ele requer que você seja quem você é. E você é vulnerável."
  • "Correr riscos nessa vida nem sempre dá resultado, mas nada nessa vida dá resultado se você não correr riscos."
  • "No trabalho, a vulnerabilidade também gera coisas importantes: empatia, confiança."
  • "Quando se tem uma cultura de tolerância zero com vulnerabilidade, onde o perfeccionismo e as armaduras são exigidos e até aplaudidos, tais conversas não serão produtivas. Falamos das pessoas em vez de falar com as pessoas. É a cultura do controle." 

 

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