Diário da Região

14/04/2019 - 11h31min

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Assessor de Bolsonaro chama prefeito de NY de 'toupeira'

Filipe Martins e Eduardo Bolsonaram reagiram à declaração do prefeito de Nova York, Bill De Blasio

O assessor presidencial para assuntos internacionais, Filipe Martins, e o deputado estadual e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), reagiram à declaração do prefeito de Nova York, Bill De Blasio, de que Jair Bolsonaro é um "ser humano perigoso".

"Surpresa seria uma toupeira dessas o elogiar", escreveu Filipe Martins no Twitter. "Não há surpresa alguma em ver Bill de Blasio - um sujeito que colaborou com a revolução sandinista, que considera a URSS um exemplo a ser seguido e que faz comícios no monumento dedicado a Gramsci no Bronx - criticando o PR Bolsonaro."

Já o filho do presidente associou as críticas ao "globalismo". Ele replicou publicação do também deputado Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) em que ele escreve: "É a prova que o idiota não habita somente a América Latina. O idiota está por toda parte".

Eduardo completou: "O movimento cultural que ocorre no Brasil ocorre da exata e mesma forma no Chile, Inglaterra, França e, claro, nos EUA. Isso visa a construção de um novo mundo suprimindo as culturas locais. Depois falamos que são GLOBALISTAS e ainda há quem queira fazer chacota conosco."

A declaração de De Blasio foi feita durante entrevista na sexta-feira, 12, à rádio WNYC, na qual pediu que uma homenagem a Bolsonaro programada para ocorrer no Museu de História Natural dos Estados Unidos em 14 de maio seja cancelada. "Bolsonaro não é perigoso somente por causa de seu racismo e homofobia evidentes", afirmou. "Infelizmente, ele também é a pessoa com maior poder de impacto sobre o que ocorrerá na Amazônia daqui para a frente."

Evento

O prefeito comentou a cerimônia de gala da Câmara de Comércio Brasil-EUA para homenagear Bolsonaro como "Personalidade do Ano". A entidade reservou o Museu de História Natural, em Nova York, para conceder a honraria. Todo ano a Câmara escolhe duas personalidades, uma americana e uma brasileira, e as premia em jantar de gala para mais de mil convidados, com entradas ao preço individual de US$ 30 mil, que estão esgotadas. O nome do americano homenageado este ano ainda não foi divulgado. Em 2018, o evento homenageou Sérgio Moro, atual ministro da Justiça.

Em seu site, a Câmara publicou breve biografia do presidente brasileiro, em que diz que, em seus sete mandatos como deputado federal, Bolsonaro "enfatizou a importância dos valores cristãos e da família". Em nota, a Câmara confirmou a entrega do prêmio e afirmou que "a relevância da premiação não tem relação com o local onde é entregue, mas com os atributos de quem recebe tão distinta honraria".

Os críticos destacam especialmente a peculiar situação que representa o fato de que a figura de Bolsonaro seja celebrada no Museu de História Natural de Nova York, sob a figura de uma baleia azul que decora um espaço dedicado à vida marinha, quando uma das primeiras medidas de seu governo coloca em perigo a proteção da Amazônia.

Em carta aberta publicada quarta-feira no jornal francês Le Monde, representantes de grupos indígenas brasileiros denunciaram as políticas ambientais de Bolsonaro, alegando que elas os deixaram "à beira do apocalipse". "O governo quer monopolizar toda a Amazônia e sangrá-la ainda mais construindo novas estradas e ferrovias", diz a carta.

Preocupação

O museu expressou na quinta-feira profunda preocupação com a homenagem ao presidente brasileiro. "O evento externo e privado, no qual o atual presidente do Brasil será homenageado, foi reservado no museu antes de o homenageado ser escolhido", ressaltou a instituição no Twitter. "Estamos profundamente preocupados e estamos explorando nossas opções."

Grupos civis, como o Decolonizing This Place, afirmaram que "não só protestarão", mas forçarão o fechamento do museu caso a homenagem seja mesmo realizada.

Apoio à causa dos sandistas na Nicarágua

Bill de Blasio, eleito em 2013 o primeiro democrata prefeito de Nova York depois de duas décadas de administração republicana, ajudou os sandinistas da Nicarágua nos anos 80 e foi, como outros líderes, um duro crítico do envolvimento dos Estados Unidos no país latino-americano.

Na época, o governo do presidente republicano Ronald Reagan patrocinou ilegalmente um grupo de contrarrevolucionários, os chamados Contras, em sua luta contra o governo sandinista de esquerda. Em 1988, De Blasio, então com 26 anos, viajou para a Nicarágua, onde ajudou a arrecadar dinheiro para a Frente Sandinista de Libertação Nacional e a distribuir comida e remédios durante a revolução.

De volta aos EUA, ele manteve seu respaldo aos sandinistas colaborando com um grupo chamado Rede de Solidariedade com a Nicarágua, embora depois tenha se desvinculado progressivamente, segundo ele porque estava desencantado pelo modo como o governo sandinista tratava a oposição e a imprensa. Em 1994, De Blasio passou parte de sua lua de mel em Cuba, violando a proibição de viajar à ilha comunista que então existia nos Estados Unidos.

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