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PESQUISA ACADEMICA

Unesp incentiva escrita de artigos acadêmicos em inglês

Campus de Rio Preto promove uma série de workshops e oficinas para capacitar pesquisadores e professores de inglês para fins acadêmicos


    • São José do Rio Preto
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Com o propósito de contribuir com a internacionalização da pesquisa brasileira, a Unesp de Rio Preto está oferecendo workshops para capacitar pesquisadores e professores de inglês para fins acadêmicos na elaboração de abstracts e artigos científicos em inglês.

O primeiro bloco de workshops, realizado no mês de abril, superou as expectativas dos participantes. As próximas oficinas serão conduzidas por professoras especialistas - Ana Frankenberg-Garcia (Universidade de Surrey-Inglaterra), Paula Tavares Pinto (Unesp Rio Preto), Ana Bocorny (UFRGS) e Simone Sarmento (UFRGS) - e utilizarão fundamentos da linguística de corpus e ferramentas computacionais de última geração, como o Sketch Engine.

Como ocorreu nos dois primeiros workshops, os participantes receberão uma licença gratuita de seis meses patrocinada pelo Sketch Engine para continuarem usando o software após o término do curso. O curso resulta de uma chamada para financiamento de projetos conjuntos entre instituições de ensino superior brasileiras e britânicas, realizada pelo British Council.

De acordo com a professora Paula Pinto, a metodologia do curso baseia-se em práticas colaborativas entre professores de inglês e pesquisadores: "Ao mesmo tempo em que o especialista de língua auxilia o pesquisador a solucionar problemas linguísticos com o uso das ferramentas computacionais, ele também aprende a lidar com terminologias de áreas específicas. No final, ambos os participantes se tornam mais capacitados para lerem e escreverem artigos científicos em inglês."

"Utilizando materiais baseados em corpora coletânea de textos referentes a uma determinada área de conhecimento, os participantes adquirem mais autonomia, e não sentem mais necessidade de consultar um falante nativo", ressalta a professora Ana Bocorny.

Como observa a professora Ana Frankenberg-Garcia, as universidades brasileiras ainda estão relativamente fechadas em si mesmas e, por isso, muitas vezes, fica difícil traduzir o conteúdo de algumas pesquisas para a população em geral. No entanto, explica que "nossos pesquisadores continuam descobrindo curas para doenças tropicais, novos materiais para a engenharia, novas técnicas para melhorar a produtividade agrícola, etc., e tudo isso pode ser visto em nossos workshops."

Segundo Ana, é importante lembrar que, embora o valor de uma investigação científica não seja imediato, considerando que um pesquisador pode trabalhar cinco anos para descobrir algo muito específico, "nenhuma sociedade avança sem pesquisa, voltaríamos à Idade da Pedra". Na Literatura, por exemplo, a professora explica que a pesquisa ajuda as pessoas a ampliarem a visão de mundo, a serem mais críticas e a não serem meros receptores de informação.

Na opinião da professora Ana Bocorny, "grande parte dos pesquisadores brasileiros já está consciente de que é importante dialogar com um público cada vez maior, dentro e fora do nosso país". Embora estejam realizando muita coisa de valor dentro das universidades públicas, observa-se que muitos pesquisadores não conseguem divulgar seus trabalhos no exterior, principalmente por não terem o domínio da linguagem técnica em língua inglesa.

Diante desse contexto, projetos que visem ao aprimoramento da escrita acadêmica em inglês tornam-se imprescindíveis para mostrarem que além de boa comida, samba e futebol o Brasil é capaz de produzir conhecimento. Como ressalta Paula Pinto, "os países que se sobressaem são aqueles que valorizam o conhecimento e a importância do estudo, e não há dúvidas de que temos muito potencial para isso aqui também".

Como o número de participantes das oficinas é limitado, a seleção dos candidatos inscritos será realizada com base na análise curricular e na comprovação do nível de proficiência em língua inglesa. O workshop é gratuito e tem o apoio do British Council, do Idiomas sem Fronteiras, do Sketch Engine e do banco Santander.

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