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PAISAGEM DE CAPIM

Edna Stradioto realiza mais duas exposições em SP

Aquarelista de Rio Preto já criou cerca de 200 aquarelas a partir da pesquisa em torno da fluidez e da dinâmica do movimento do vento sobre o capim


    • São José do Rio Preto
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Desde o início do ano passado, o capim tornou-se uma alegoria importante nas criações da aquarelista Edna Carla Stradioto, de Rio Preto. Tudo começou com uma crise criativa e uma viagem de carro para o sul do País, que permitiu seu contato com o Capim dos Pampas. "Fizemos a viagem pelo litoral. Ao entrarmos no Paraná, meu olhar foi impactado pelos campos repletos de plumas rosas, que pareciam fazer um balé ao vento", relembra a artista plástica, que, de lá pra cá, já criou cerca de 200 aquarelas a partir da pesquisa em torno da fluidez e da dinâmica do movimento do vento sobre o capim.

"O capim é uma planta comum, muito simples, daquelas que ninguém nota. No entanto, dá em qualquer lugar, resistindo ao mau tempo, à enxurrada e ao sol forte. Se for cortado, ele cresce de novo. Foram justamente esses aspectos que motivaram a minha pesquisa, que começou com o Capim dos Pampas, mas envolveu outras espécies, como o Capim Favorito (ou Capim Molambo), muito comum em nossa região", comenta a artista em entrevista ao Diário.

Quando começou a atuar profissionalmente com a pintura, no ano de 2014, Edna dedicava-se somente aos retratos. "Eu só queria pintar gente. Atuei como retratista até 2017. Foi quando enfrentei uma crise criativa. Vinha pintando retratos há muito tempo, mas não sabia qual rumo dar para a minha arte. Comecei a não gostar do resultado dos meus retratos", conta.

Dessa forma, mais que um estudo em torno do movimento, o trabalho da aquarelista de Rio Preto acabou colocando o capim como uma metáfora de sua própria identidade artística. "Acabei me reconhecendo enquanto artista no capim. E isso provocou uma mudança radical no meu modo de criar. Mudei minha paleta de cores, mudei a minha pincelada. Hoje, não tenho vontade de pintar outra coisa que não seja capim. Ele está no cabelo das minhas mulheres, no chão e no céu das minhas paisagens. Eu sou o capim", destaca.

Capim no concreto

Intitulada "Paisagem de Capim", a série de aquarelas de Edna é alvo de duas exposições em São Paulo. A aquarelista de Rio Preto participa, pela segunda vez, do projeto Linha da Cultura, iniciativa do governo estadual que leva a arte para as estações de metrô da capital paulista.

O Linha da Cultura foi a porta de entrada de Edna no circuito paulistano. Sua primeira exposição, em que apresentou aquarelas inspiradas no tema gratidão, foi realizada no ano passado, e a aquarelista conta que teve um retorno bastante positivo do público. "Sempre recebo mensagens nas redes sociais de pessoas desconhecidas elogiando o meu trabalho. Para mim, o Linha da Cultura foi uma importante vitrine das minhas criações em São Paulo. São muitas coisas que venho conquistando desde que participei pela primeira vez", elogia.

No Linha da Cultura, "Paisagem de Capim" segue para o seu terceiro mês. A exposição já ficou em cartaz nas estações Sé e Santana, seguindo agora para Clínicas. Ela envolve 19 aquarelas da série.

Outras 13 aquarelas dão vida a uma exposição de Edna que foi aberta, na semana passada, no museu biográfico-literário Casa Guilherme de Almeida, com curadoria de Marcelo Tápia. Para a artista de Rio Preto, a exposição é um grande marco da expansão de sua arte na capital paulista. "É a realização de um sonho", garante.

Inspirado no modelo de composição proposto por Guilherme de Almeida (1890-1969), o curador escreveu uma série de haicais a partir das aquarelas de Edna. Em um deles, ele escreveu: "tudo flui assim: | balançam touceiras, dançam | num mar de capim".