Diário da Região

14/04/2019 - 00h30min

Só falta você

Rio Preto tem 290 mil pessoas aptas a doar sangue

Se 10% desse grupo fizesse uma doação por ano, o Hemocentro estaria com seu estoque de bolsas de sangue sempre no nível ideal; você já fez sua parte?

Fotos: Mara Sousa 13/4/2019 Funcionárias da creche Maria Inês Arnal aproveitaram a manhã de sábado para integrar campanha
Funcionárias da creche Maria Inês Arnal aproveitaram a manhã de sábado para integrar campanha

Ao longo do ano, dezenas de campanhas são feitas incentivando as doações de sangue em Rio Preto. Pedidos de doações para crianças ou adultos com leucemia ou que vão passar por transplante são feitos quase que diariamente. Familiares, amigos e conhecidos se mobilizam, dão um jeito e vão doar. Mas, e se isso fosse feito sempre, com constância, e não somente em tempos de dificuldades ou em períodos de festas ou férias, o que mudaria?

Isso mudaria tudo. Segundo Octávio Ricci, diretor do Hemocentro de Rio Preto, a realidade seria outra. "A Organização Mundial de Saúde preconiza de 3% a 5% da população mundial como doadora. Se nós tivéssemos 3,5% de doadores em Rio Preto, o problema de estoque baixo estaria resolvido", afirma.

Assim sendo, a matemática para equacionar o problema crônico de baixo estoque do Hemocentro é simples. Atualmente, Rio Preto tem 444.346 habitantes de acordo com a estimativa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), baseada no último censo do IBGE. Desse total, 290.888 habitantes - 140.687 homens e 150.201 mulheres - estão na faixa etária de 20 a 64 anos, ou seja, aptos a doar sangue. A análise já descarta a faixa etária dos 16 aos 19 anos e lembra que quem doou até os 60 anos pode ser doador até completar 69.

Segundo o Hemocentro, se a instituição recebesse 2,5 mil doações de sangue mensais, o estoque ficaria sempre em dia. Ou seja, bastaria que 30 mil pessoas, ou 10,31% das 290.888 pessoas aptas a doar na cidade, doassem sangue uma vez no ano para deixar o estoque sempre no nível ideal. "Estamos atingindo agora 2% da população. O que falta é ser altruísta, pensar no próximo e doar. Uma coisa que temos feito nos últimos anos é tentar captar o jovem. Não o doador jovem, mas a criança mesmo. Até há alguns anos a gente dava palestras em escolas, porque a criança acaba levando para a casa dela e no futuro vira um doador", diz Ricci.

Os dados ainda mostram que se o mesmo doador doasse quatro vezes ao ano, número máximo que um homem pode doar (mulheres podem doar três vezes ao ano), o Hemocentro precisaria de apenas 7,5 mil rio-pretenses para manter o estoque em dia, ou seja, apenas 2,57% da população de 290.888 pessoas.

O diretor do Hemocentro de Rio Preto explica que não adianta coletar grande quantidade de sangue em apenas um período. É preciso que as coletas sejam feitas constantemente durante o ano. "O sangue tem uma vida útil e pode estragar. Nossa população tem que começar a entender que a doação de sangue faz parte da característica do cidadão. É um ato de cidadania e o brasileiro tem que ter esse hábito. Está melhorando? Está. Mas está muito devagar", alerta.

Campanhas

De acordo com levantamento do próprio Hemocentro de Rio Preto, em 2018, 83% dos doadores que foram até a instituição são doadores de retorno, ou seja, são pessoas que já haviam doado em alguma oportunidade ou doaram mais que uma vez durante o ano. Outros 17% são doadores novos, que doaram pela primeira vez. Neste ano, até o momento, 80% dos doadores são de retorno, os outros 20% são doadores novos.

A meta do Hemocentro é ter 75% de doadores de retorno, ou seja, a instituição está acima da média. E a causa disso, segundo o diretor, são as campanhas realizadas que motivam o sentimento altruísta nos doadores e fazem com que eles compareçam.

"As campanhas são essenciais, porque quando você leva bastante doadores novos ao Hemocentro, boa parte acaba se tornando doador voluntário e depois que ele se habitua a doar, vira uma rotina. Campanhas como a que o Diário está fazendo mobilizam a população e a população começa a se sentir incomodada. Toda hora campanha pedindo sangue, por que isso?", finalizou.

Mais contribuição à campanha

Na manhã deste sábado, 13, os multiplicadores de vida de Uchoa, as professoras e funcionárias da creche Maria Inês Arnal, do Jardim João Paulo 2º, e funcionários da loja Calçados Primavera, de Palestina, integraram o time de colaboradores do projeto Diário da Gratidão, ao realizarem suas doações de sangue no Hemocentro de Rio Preto.

"A empresa nos estimulou a vir doar. Campanhas assim acabam incentivando mais pessoas a doarem. Como o Diário é bem conhecido, as pessoas ficam mais atentas para essas causas", disse a auxiliar de escritório da Calçados Primavera, Valquíria de Castro, que também falou sobre o ato de doar sangue.

"Já faz seis anos que sou doadora. Fico muito satisfeita e feliz. Não custa nada e ainda podemos ajudar o próximo", afirmou. Ao todo, 19 funcionários da Calçados Primavera foram doar sangue.

Quem também compareceu ao Hemocentro foram os multiplicadores de vida - voluntários que organizam grupos de doação - de Uchoa. "Trouxemos 12 pessoas. Chegamos cedo, doamos e contribuímos com a campanha. É sempre importante ajudar o próximo", contou o multiplicador de vida Alexandre Aparecido.

As professoras e funcionárias da creche Maria Inês Arnal também fizeram a boa ação. "É uma atitude que vai ao encontro daquilo que a escola pensa sobre ajudar o próximo. Uma sensação muito boa de doar e fazer o bem", disse a coordenadora pedagógica Fabíola Renata Gimenez. (MS)

O que seria necessário para manter o estoque do Hemocentro em dia?

  • Rio Preto: 444.346 habitantes - população segundo a Fundação Seade
  • População apta a doar: 290.888, dos quais 140.687 homens e 150.201 mulheres. (Todos na faixa etária de 20 a 64 anos). (Análise já descarta a faixa etária dos 16 aos 19 anos e lembra que quem doou até os 60 anos pode ser doador até os 69 anos)
  • Hemocentro: ideal de 2,5 mil doações mensais

O que precisa?

  • De 30 mil pessoas, ou 10,31% da população de Rio Preto, entre as 290.888 pessoas aptas a doar, doando sangue uma vez no ano para deixar o estoque sempre no nível ideal de sangue
  • Ou que 7,5 mil rio-pretenses, ou 2,57% da população, doasse quatro vezes ao ano, número máximo que um homem pode doar (mulheres podem doar três vezes ao ano)

Atualmente

  • Apenas 2% dos rio-pretenses doam sangue

Fonte: Hemocentro e Fundação Seade

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