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Saúde

Você tem medo da anestesia?

Conheça os detalhes e vá mais seguro para a cirurgia


    • São José do Rio Preto
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A anestesia é segura? Essa é certamente uma das maiores dúvidas de quem vai ser submetido a procedimentos com anestesia e sedação. Quem já foi submetido deve se lembrar de ter acordado de repente, como se nada tivesse acontecido. A sensação deve ter sido de que estava apenas dormindo.

Só que, durante um bom tempo sob efeito de uma anestesia que, além de te fazer dormir, também tem a função de impedir a dor, o movimento e a formação de memórias durante um procedimento cirúrgico.

É exatamente a anestesia que faz com que muita gente desista de passar por algum procedimento cirúrgico, com medo dos efeitos: a anestesia é segura? "A resposta, invariavelmente, é sim", explica Francisco Ricardo Marques Lobo, professor da disciplina de anestesiologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) e responsável pela residência médica do Hospital de Base de Rio Preto.

A anestesia funciona a partir da combinação de medicações que podem ser injetadas na veia, inaladas através da respiração ou aplicadas em uma parte específica do corpo. "A indicação da anestesia é para procedimentos em que haverá estímulo de dor ou incômodo constante", explica o anestesiologista Luiz Fernando dos Reis Falcão, da rede de hospitais São Camilo.

"Com o avanço da medicina, estão se tornando cada vez mais raras as complicações em decorrência das anestesias, principalmente nos grandes hospitais como o nosso, o Hospital de Base", explica ainda Francisco Lobo.

Houve um enorme progresso em relação à avaliação do paciente a ser submetido a uma anestesia. "Antes de aplicar uma anestesia, nós procuramos saber com muito detalhe as condições físicas e psíquicas de cada paciente. Pessoas que fumam, obesos, hipertensos, diabéticos, sedentários, aqueles que usam algum medicamentos, usuários de drogas ou que já foram submetidos a outras anestesias sempre merecem um cuidado especial", diz Francisco Ricardo Marques Lobo.

O paciente é submetido a uma avaliação pré-anestésica a fim de verificar todo histórico dele, como patologias e medicamentos que usa, que é agendada antes da cirurgia. "Discutimos com o paciente ou com familiares, quando não é possível discutir com ele, o tipo de anestesia que vamos usar: se é geral, regional, local ou só uma sedação, quais são seus benefícios, quais são seus riscos", diz Lobo.

A partir dessas informações, o anestesiologista cria um plano com as medicações e doses diferentes para cada paciente porque cada um responde de um jeito diferente, conforme o perfil de cada paciente. "Para algumas pessoas, muitas vezes é preciso realizar exames extras que o cirurgião ou clínico não indicaram. O anestesiologista tem condições de pedir os exames para a situação específica que ele achar necessários", explica Lobo. Eles sugerem, às vezes, consulta com outro especialista para completar o quadro de avaliação pré-anestésica. "Essa avaliação pré-anestésica é muito importante porque, além de conhecermos o paciente, o procedimento anestésico se torna mais seguro", afirma.

Segurança

Houve uma evolução muito grande na monitorização dos pacientes, novos medicamentos e uma maior capacitação do anestesiologista que tem educação continuada para ficar cada vez mais apto a trabalhar com novas informações. "Hoje enquanto o paciente está anestesiado, existem equipamentos muito modernos que fazem o monitoramento da pressão arterial, do ritmo cardíaco e da temperatura", diz ainda Lobo.

Um médico anestesista acompanha o procedimento do início ao fim. "Enquanto você está sob anestesia, ele confere a pressão arterial, frequência cardíaca, respiração e quantidade de oxigênio no sangue. Isso irá garantir a segurança da anestesia para que você possa acordar pensando que vem de um profundo sono, como se estivesse em casa", diz Reis Falcão.

Riscos não controláveis

Entretanto, por mais seguro que o procedimento seja, existem os riscos não controláveis, como uma reação alérgica a alguma substância, por exemplo.

Não tenha receio de esclarecer todas as suas dúvidas antes com o cirurgião e com o próprio anestesiologista. São eles que discutem com você ou algum familiar qual o tipo de anestesia a ser usada (geral, parcial/regional ou local/sedação), seus benefícios e riscos. Com essas informações, cria-se um plano com medicações e doses diferentes, conforme o perfil de cada paciente.

Novos medicamentos

Alguns novos medicamentos são capazes de agir apenas nas moléculas do sistema nervoso. No passado, o medicamento agia no organismo inteiro. Hoje, os medicamentos são muito específicos. "Eles agem exatamente onde são necessários, produzindo os efeitos desejáveis. Isso significa menos risco e menos efeitos colaterais", diz Lobo Filho. A anestesia dura exatamente o tempo para que o cirurgião faça o trabalho dele. Não existem pessoas que não podem tomar um tipo de anestesia ou que seja resistente a uma intervenção. O anestesiologista faz uma avaliação, escolhe o medicamente e a dose indicada para cada paciente, para cada procedimento que ele faz.

"Existe sempre o risco de efeitos adversos porque tudo na vida tem seus riscos. Os efeitos adversos, neste caso, são aqueles que você sabe que o medicamento pode gerar, mas que avaliou antes que existe um risco e um benefício e às vezes o risco é muito pequeno diante do grande benefício que ele promove", afirma Ricardo Lobo. Os eventos adversos na anestesia moderna são cada vez menos frequentes. Eles podem ocorrer na maioria das vezes pela própria anestesia quando, por exemplo, o anestesiologista escolhe uma dose diferente ou errada.

"É possível acontecer, mas esses problemas hoje podem estar muito mais relacionados às cirurgias e condições físicas do paciente do que conduta perioperatória do anestesiologista. As complicações são respiratórias, cardiovasculares, alérgicas. As chances desses problemas levarem à morte hoje varia muito das condições do hospital. Quando você tem recurso tecnológico disponível e qualidade de profissional envolvido, isso diminui muito essas complicações. Hoje elas ocorrem em meio de 0,5%. Em hospitais em que não haja recursos ou o profissional não está capacitado, essas complicações aumentam muito e podem chegar até a 20%", explica.