SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2021
Rio Preto e região

Juiz alerta Gaeco sobre depósitos suspeitos

Rodrigo Lima
Publicado em 06/03/2019 às 22:05Atualizado em 07/07/2021 às 05:58
Prefeito Guilherme Ávila, que afastou servidores acusados de desviar 
recursos públicos, durante evento (Divulgação/Facebook)

Prefeito Guilherme Ávila, que afastou servidores acusados de desviar recursos públicos, durante evento (Divulgação/Facebook)

O juiz da 3ª Vara Cível de Barretos, Douglas Borges da Silva, encaminhou ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Rio Preto informações sobre depósitos de R$ 198,5 mil feitos pelo prefeito Guilherme Henrique Ávila (PSDB) na "boca do caixa" entre 5 e 11 de abril em 2018. No despacho, o magistrado afirma que as operações teriam ocorrido de forma fracionada, porque existem registros de depósitos em conta corrente, cinco no valor de R$ 20 mil e um no valor de R$ 18,5 mil no período.

De acordo com Silva, não se pode descartar que o prefeito "tenha estruturado operações com o fim de evitar que fossem comunicadas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)". O salário de Ávila seria de R$ 16 mil. Além do Gaeco de Rio Preto, o juiz encaminhou dados coletados em processo de dissolução de união estável envolvendo o prefeito ao procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Poggio Smanio e à Câmara de Barretos. O magistrado afirma que o prefeito não apresentou esclarecimentos no processo sobre os depósitos.

"Essas informações surgem no momento em que a Prefeitura de Barretos descobriu que servidores alteravam a folha de pagamento para que valores maiores fossem depositados e depois 'corrigiam' documentos, fraudes que teriam acarretado o prejuízo de R$ 11 milhões ao ente público", consta em trecho do despacho do juiz da 3ª Vara Cível de Barretos.

Para Silva, os depósitos podem caracterizar burla a "mecanismos de controle e inteligência financeira". "Com a finalidade de ocultar sua atividade ilícita ou o resultado desta, podem, em tese, caracterizar crimes de lavagem de dinheiro", afirmou o magistrado.

Em nota, o advogado de Ávila afirmou que o processo "é relacionado a uma questão familiar e não tem relação com a administração municipal". Por conta do segredo de Justiça, o advogado do prefeito afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.

 
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