Diário da Região

13/03/2019 - 00h30min

ASSASSINATO

Policiais são presos pela morte de Marielle

Para MP, fato de suspeito ser vizinho do presidente é apenas coincidência

Divulgação/Polícia Civil RJ Acusados de participação no assassinato de Marielle Franco, Ronnie Lessa (esquerda) e Elcio Vieira de Queiroz (direita)
Acusados de participação no assassinato de Marielle Franco, Ronnie Lessa (esquerda) e Elcio Vieira de Queiroz (direita)

Dois dias antes de completar um ano o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a polícia prendeu nesta terça-feira, 12, dois suspeitos do crime. São Ronnie Lessa, policial militar reformado, e Elcio Vieira de Queiroz, expulso da Polícia Militar. O caso aconteceu em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro. Eles foram denunciados por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, uma das assessoras de Marielle que também estava no carro.

Lessa, que seria o autor dos disparos, mora no mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, no Rio. Nas redes sociais, Elcio é simpatizante do presidente. Ele curte as páginas oficiais do PSL Carioca, de Flavio Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro,e é filiado ao DEM. Com inscrição registrada em julho de 2011 e ainda ativa, Élcio vota na zona eleitoral 214, no Meier, zona norte, próximo ao local onde mora e foi preso.

Em denúncia entregue à Justiça, o Ministério Público afirmou que os suspeitos demonstraram "abjeto e repugnante desprezo pela vida humana, em atividade típica de 'queima de arquivo'". Também declarou que "o crime contra a vítima Marielle foi praticado por motivo torpe, interligado à abjeta repulsa e reação à atuação política da mesma na defesa de suas causas". A operação para prender os dois foi adiantada por risco de fuga. As prisões estavam programadas para ocorrer nesta quarta-feira, 13.

'Uma coincidência'

O fato de um dos suspeitos pela morte de Marielle ser vizinho do presidente Jair Bolsonaro é, até agora, uma coincidência, de acordo com o Ministério Público do Rio. "Absolutamente, não há nenhum fato que diga que tem alguma vinculação. Muito pelo contrário, não temos controle dos nossos vizinhos. Até esse momento, o fato foi coincidência", disse a coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-RJ, Simone Sibílio.

Para o MP, a vereadora e o motorista Anderson Gomes foram assassinatos por causa das causas abraçadas pela parlamentar.

De acordo com o MP, é possível que o crime tenha ou não um mandante e que todas as possibilidades estão sendo consideradas na investigação. "Nenhuma linha é descartada", declarou.

'Eu sou interessado'

O presidente Bolsonaro afirmou que "é possível" que o assassinato de Marielle Franco tenha mandantes e que espera que as investigações tenham chegado, agora, aos reais executores do crime. Ele destacou que não conhecia a vereadora e completou: "Eu também estou interessado em saber quem mandou me matar". No ano passado, o presidente foi vítima de atentado durante a campanha eleitoral, de autoria de Adélio Bispo.

"É possível que tenha um mandante. Eu conheci a Marielle depois que ela foi assassinada. Eu não a conhecia, apesar de ser vereadora com meu filho no Rio de Janeiro. E eu também estou interessado em saber quem mandou me matar."

Fuzis

A Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou 117 fuzis incompletos, do tipo M-16, na casa de um amigo de Ronnie Lessa no Méier (perto de onde Elcio mora). As armas, todas novas, estavam desmontadas em caixas - só faltavam os canos. O dono da casa, Alexandre Mota de Souza, afirmou que Ronnie, seu amigo de infância, entregou as caixas, e pediu para guardá-las e não abri-las. Alexandre foi preso por tráfico de armas.

Execuções

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) foi morta a tiros na noite de 14 de março de 2018, no centro da cidade. O motorista do carro, Anderson Pedro Gomes, também morreu baleado. A principal hipótese da polícia é de execução

O que se sabe até agora:

  • Segundo imagens obtidas pela polícia, um Cobalt com placa de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, está parado próximo ao local. Quando Marielle chega, um homem sai do carro e fala ao celular
  • Por volta das 21h, Marielle deixa a Casa das Pretas, na Lapa, onde mediou um debate com jovens negras. Um Cobalt, com placa de ova Iguaçu-RJ, segue o carro de Marielle
  • No meio do trajeto, um outro carro, de características ainda não divulgadas, se junta ao Cobalt na perseguição ao veículo de Marielle. Perseguição dura cerca de 4 km
  • Por volta das 21h30, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, um dos veículos emparelha com o carro de Marielle e faz 13 disparos: 9 acertam a lataria e 4, o vidro. Marielle e Anderson são baleados e morrem. A vereadora foi atingida por 4 tiros na cabeça; Anderson levou ao menos 3 tiros nas costas. A assessora que acompanhava a vereadora é ferida levemente por estilhaços
  • A arma foi uma pistola 9 mm e os tiros, disparados a uma distância de 2 metros. A munição pertence a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. A polícia recupera 9 cápsulas no local do crime
  • Balas usadas no crime pertencem a mesmo lote de balas utilizadas na maior chacina do estado de São Paulo, em 2015, e também nos assassinatos de 5 pessoas em guerras de facções de traficantes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio
  • Envolvimento de possíveis mandantes permanece sendo investigado pela polícia, que não descarta ninguém e conduz essas apurações em uma 2ª fase do inquérito

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