Diário da Região

05/02/2019 - 23h40min

Brumadinho

Alerta para a possibilidade de ocorrência de surtos de doenças

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz alerta para a possibilidade de ocorrência de surtos de doenças como dengue, febre amarela e esquistossomose como consequência do rompimento da barragem da Vale

Ricardo Stuckert/Divulgação Equipes trabalham em área atingida 
pela avalanche de minérios após o rompimento da barragem da Vale localizada em Brumadinho, a mina Córrego do Feijão
Equipes trabalham em área atingida pela avalanche de minérios após o rompimento da barragem da Vale localizada em Brumadinho, a mina Córrego do Feijão

Mais uma sombra paira sobre Brumadinho, que já convive com a dor dos familiares e amigos das vítimas atingidas pelo mar de lama da Vale e que até a noite desta terça-feira, 5, tinha deixado um saldo de 142 corpos encontrados (122 identificados) e 194 desaparecidos. É que um estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta para a possibilidade de ocorrência de surtos de doenças como dengue, febre amarela e esquistossomose como consequência do desastre. O risco de doenças teria como causa alterações no meio ambiente pelo impacto da lama que desceu do reservatório

Segundo o pesquisador Christovam Barcellos, titular do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, a degradação do leito do Rio Paraopeba, poluído pelos rejeitos, e de seu entorno vai produzir alterações significativas na fauna, flora e qualidade da água, como perda de biodiversidade, mortandade de peixes e répteis.

"A bacia do Rio Paraopeba é uma área de transmissão de febre amarela e um novo surto da doença não pode ser descartado. É urgente a vacinação da população", disse.

No caso da esquistossomose, o risco ocorre, conforme o estudo, principalmente se for levado em consideração que grande parte do município de Brumadinho e municípios ao longo do Rio Paraopeba não é coberta por sistemas de coleta e tratamento de esgotos.

Apoio psicológico

O governo de Minas Gerais informou nesta terça que a Defensoria Pública do está oferecendo suporte psicossocial aos sobreviventes. Psicólogas e assistentes sociais trabalham no acolhimento das famílias e da comunidade, tanto em Brumadinho quanto em visitas técnicas à Academia de Polícia Civil, local em que é feito o cadastro com informações pessoais e dados dos desaparecidos, além do atendimento médico e multidisciplinar pela Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo nota do governo estadual, profissionais da Coordenadoria Técnica do Setor Psicossocial da Defensoria Pública e de outros setores fazem um trabalho de articulação com a Secretaria de Saúde para o encaminhamento para atendimento, conforme a especificidade da demanda como em casos de transtornos de estresse pós-traumático, muito comuns nessas situações.

Alteração

A força-tarefa que apura o desastre afirmou que os equipamentos de segurança indicavam sinais de alteração no volume de água no corpo da barragem. Uma foto de satélite, feita antes do rompimento, mostra um dos detalhes que chamaram a atenção da equipe: a pequena lagoa que aparece dentro da barragem. Isso indicaria problema de saturação (excesso de água) no reservatório de rejeitos.

A força-tarefa diz que a Vale identificou o excesso de água bem antes do rompimento, em junho de 2018, quando foi feita a última revisão periódica da barragem. Naquela época, segundo as investigações, teria havido uma tentativa de drenar o reservatório que, além de não surtir o efeito desejado, agravou o problema.

STJ dá liberdade a 5 detidos por desastre

Em decisão unânime, os ministros que integram a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concederam nesta terça, 5, liberdade a dois engenheiros da empresa alemã Tüv Süd e a três funcionários da mineradora Vale presos em uma operação para apurar responsabilidades pelo desastre em Brumadinho (MG). Os magistrados não viram fundamentos legais que justificassem a prisão temporária dos presos. Os habeas corpus foram discutidos durante sessão realizada na tarde desta terça-feira, 5, e foram trazidos ao plenário pelo presidente da Turma, ministro Nefi Cordeiro.

A decisão liminar (provisória) coloca em liberdade os engenheiros André Jum Yassuda, Makoto Namba, Rodrigo Artur Gomes de Melo, gerente executivo operacional da Vale, Ricardo de Oliveira, gerente de meio ambiente da Vale, e Cesar Augusto Paulino Grandchamp. O relatório da Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem, mostra que a base da estrutura estava no limite de segurança previsto pelas normas do País. (AE)

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