Diário da Região

08/01/2019 - 10h09min

LIVRO INFANTIL

Chapeuzinho Vermelho é revisitada sem violência

Em 'Chapeuzinho no Pelô', o vilão da história não é morto por caçadores, mas se rende às delícias da culinária baiana

Reprodução Chapeuzinho viaja ao Brasil no livro infantil de Palmira Heine
Chapeuzinho viaja ao Brasil no livro infantil de Palmira Heine

E se Chapeuzinho Vermelho vivesse nos dias de hoje e resolvesse visitar o Brasil? É exatamente isso que imagina o livro infantil "Chapeuzinho no Pelô", obra da escritora baiana Palmira Heine, que faz uma releitura do conto clássico para o momento atual. Já lançado pela editora Evangraf, o livro conta com ilustrações de Tiago Sansou.

Originalmente, o conto, de origem gaulesa, foi publicado pelo escritor francês Charles Perrault no século 17, no livro "Contos de Mamãe Gansa". No novo livro de Heine, a personagem vive numa vila francesa em pleno século 21 e resolve viajar para o Brasil com sua mãe e com a vovozinha, com direito a muitas selfies no trajeto de avião. O primeiro destino das férias é Salvador, na Bahia.

Chapeuzinho experimenta a culinária baiana e conhece a cultura local, tudo isso falando um belo português, que aprendeu com as histórias de Monteiro Lobato. Mas, durante a viagem, nem tudo são flores. Apesar de ter se livrado do Lobo Mau na França, ela agora está sendo perseguida pelo irmão do vilão, o Dom Lobão, que também desembarca em Salvador com um português enrolado, que aprendeu num congresso de vilões, justamente com alguns personagens de Lobato.

Se a história original é cercada de violência por parte do lobo, na nova versão, porém, a questão é retrabalhada e amenizada. "No meu livro, em vez do lobo ser morto por caçadores, há a redenção: ele se rende às comidas deliciosas da culinária baiana e termina se arrependendo de ter perseguido a Chapeuzinho", explica a autora. 

"O lobo é retratado com trajes que mostram elementos da cultura baiana: ele usa uma camisa florida, tal qual o que se veste no carnaval de Salvador, coloca um chapéu com tranças e carrega fitinhas do senhor do Bonfim, além de ser um pouco atrapalhado e se envolver no batuque da banda Didá."

Para Heine, doutora em Linguística pela Universidade Federal da Bahia e que há anos tem se dedicado à literatura infantil, foi importante realizar novas mudanças numa história que já vem sendo modificada há vários séculos. "Inicialmente, no conto colhido por Perrault, a história da Chapeuzinho tinha um tom de violência e moralidade próprios ao período. Após as versões dos (irmãos) Grimm e outras releituras, a história do lobo que devorava a menina foi modificada e suavizada, chegando até os dias atuais", analisa a escritora. "No entanto, ainda em algumas variações da história que circula hoje, vemos os caçadores matando o lobo, colocado como vilão completo da história. Ao fazer a releitura do conto, procurei colocar um tom de diversão e ludicidade."

A maneira encontrada por Heine de fazer isso foi fazendo Dom Lobão como um personagem menos vilão e mais atrapalhado, que é ludibriado pela própria Chapeuzinho e também por Zeca Poeira, um outro personagem que aparece na narrativa, que retrata o capoeirista baiano. "Assim, a história passa a ser divertida e engraçada, inserindo a criança em outras zonas de sentido onde os personagens são trazidos a partir de uma releitura prazerosa."

Segundo a autora, a ideia do livro partiu de uma percepção de que as crianças baianas desconhecem sua cultura local. "Como sou baiana e moro em Salvador, fui a um evento literário no Pelourinho e observei que, muitas vezes, os livros infantis produzidos por autores baianos não levavam em conta o contexto geográfico e cultural das crianças baianas", diz. De acordo com ela, muitas dessas crianças, mesmo morando em Salvador, nunca estiveram no Pelourinho, o que a levou a retratar o local em sua obra.

O livro se completa com as ilustrações de Tiago Sansou, um artista baiano que conhece bem a região. "Ele morou durante toda a infância em um local muito próximo ao Pelourinho, e, por isso, conhecia muito bem o local, tendo inclusive representado, através das ilustrações, alguns casarões que efetivamente existem ali", explica Heine. "Os detalhes das roupas dos personagens, das ruas pelas quais o lobo e a Chapeuzinho passam, foram colocados na história, enriquecendo ainda mais a narrativa."

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