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SAÚDE DA MULHER

Terapia hormonal: quem pode?

Reposição é uma alternativa para quem sofre com a menopausa; saiba as contraindicações e cuidados


    • São José do Rio Preto
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Suor, calor, alterações na libido, dificuldade para controlar a bexiga, depressão e insônia. Os sintomas da menopausa, ainda mais intensos nos primeiros cinco anos, representam um grande incômodo para as mulheres, mas podem ser diminuídos com a reposição hormonal, que pode ser iniciada quando os sinais começam a aparecer. São utilizados hormônios naturais (estrogênio e progesterona) em doses inferiores às que o corpo produz naturalmente. A combinação e a dosagem devem ser prescritas pelo médico. 

Segundo José Luis Crivellin, ginecologista, obstetra e diretor da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), as contraindicações absolutas para a terapia hormonal são câncer de mama (não importando em que momento da vida a mulher teve a doença ou qual tratamento fez) e trombose venosa profunda. 

O ginecologista e obstetra Leandro Ferreira Colturato, professor do curso de medicina da Faceres, pontua que existem ainda as contraindicações relativas: diabetes e hipertensão descompensados, doenças hepáticas crônicas, sangramento mesmo no período pós-menopausa e alguns outros cânceres ginecológicos. 

A recomendação é que a paciente sempre procure um médico antes de iniciar a reposição, pois é preciso fazer exames, como papanicolau e mamografia, para excluir qualquer outra contraindicação. A terapia pode começar quando a menstruação para (para quem tem útero) ou quando os sinais começam (para quem já retirou o útero). Crivellin destaca que a terapia não engorda. "O que engorda é entrar na menopausa. A mulher tem uma diminuição no metabolismo, com isso ela consome menos energia e isso faz com que tenha um ganho de peso", explica. Antes da menopausa, a gordura se acumula no quadril; depois, no abdome. 

Ginecologista e paciente vão descobrir qual a melhor forma de terapia: pode ser comprimido, adesivo, gel, via vaginal e implante de estrogênio. Sem as contraindicações e com acompanhamento, ela pode ser benéfica, ainda que com algum pequeno risco, que para Colturato não deve desestimular o tratamento. Ele comenta que o risco de uma mulher desenvolver trombose na gravidez é maior do que uma paciente regular de reposição ter o mesmo problema. "Desde que a paciente tenha sintomas (da menopausa) e não tenha nenhuma das contraindicações, ela pode e deve utilizar a terapia hormonal com o intuito de ter uma melhora na qualidade de vida", afirma. 

Conforme o médico, a frequência das idas ao ginecologista, que varia entre cada mulher, não vai mudar com a reposição. O acompanhamento inclui exame clínico, além de testes sanguíneos, mamografia, papanicolau, ultrassonografia e densitometria óssea. Crivellin comenta que o tratamento é feito por cinco anos. "Ao final a gente reavalia a paciente. Se estiver bem, não tem mais os sintomas, a gente mantém sem reposição. Se ela voltar a ter sintomas, voltamos a fazer".

 

  • Algumas atitudes minimizam os efeitos da menopausa:
  • Uma alimentação saudável (invista em grãos de soja e leite, que diminuem os sintomas);
  • Exercícios físicos (os neurotransmissores do bem-estar ajudam até a diminuir o calor);
  • Chá de amora;
  • Fique longe do cigarro, que diminui em dois a três anos o período menstrual e antecipam a menopausa;
  • Converse com seu médico. Alguns sintomas podem ser tratados com antidepressivos. Também podem ser utilizados hidrantes vaginais para minimizar a falta de lubrificação da região;
  • Se você tem ou teve câncer de mama, NÃO utilize chá de amora, pois ele contém hormônios em pequenas doses. 

Fontes: José Luis Crivellin e Leandro Ferreira Colturato, ginecologistas

1. De acordo com o Comitê de Nomenclaturas da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia, a menopausa é a fase em que a mulher passa do estágio reprodutivo para o não reprodutivo;

2. Os principais sintomas que identificam a menopausa começam a acontecer entre 45 e 55 anos;

3. Os principais sintomas dessa fase são a parada das menstruações, ondas de calor e suores noturnos, insônia, diminuição no desejo sexual, irritabilidade, depressão, osteoporose, ressecamento vaginal, dor durante o ato sexual e diminuição da atenção e memória. Esses sinais podem variar de mulher para mulher;

4. A diminuição na produção hormonal na menopausa aumenta as chances do aparecimento de doenças cardiovasculares e da osteoporose;

5. O tratamento existe com a finalidade de aliviar os sintomas e não de cessar o processo da menopausa;

6. As doenças cardiovasculares e a osteoporose também podem ser prevenidas com o tratamento, já que melhora a quantidade do cálcio no esqueleto, age beneficamente nos níveis do colesterol bom (HDL) e diminui a possibilidade de doença coronariana;

7. O tratamento é geralmente realizado com dosagens relativamente baixas de estrogênios, por via oral ou transdérmica (adesivos sobre a pele ou gel);

8. Podem ser utilizados também estrogênios por via vaginal, para aliviar os sintomas locais de ressecamento e desconforto nas relações sexuais;

9. Para as mulheres que retiraram o seu útero, não há necessidade da reposição da progesterona. Já as pacientes que não fizeram esse procedimento devem receber, além do estrogênio, a progesterona ou um progestágeno sintético;

10. Não há consenso quanto ao tempo que deve ser mantida a terapia hormonal, que deve ser decidido caso a caso.

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia