Diário da Região

10/12/2018 - 10h19min

DIREÇÃO

Medo de dirigir atinge cerca de dois milhões de brasileiros

Acompanhamento psicológico pode ser necessário para tratar a fobia

Johnny Torres 6/12/2018 Rosilene enfrentou o medo de dirigir por seus filhos
Rosilene enfrentou o medo de dirigir por seus filhos

Segundo dados da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), cerca de dois milhões de brasileiros sofrem de amaxofobia. É o nome que se dá ao medo de dirigir. A fobia se manifesta em diversos níveis e afeta a vida de quem sofre com o problema. Em casos severos, a pessoa não consegue sequer entrar no carro, como foi com a professora de jazz Rosilene de Gasperi Pagliuso. “Sempre tive medo, não conseguia nem entrar no carro. Aos 22 anos resolvi tirar carta, eu sofri acidente de mobilete indo fazer a prova escrita. Fiquei quase 1 ano para recuperar porque eu quebrei a perna. Já tinha medo, depois disso piorou”, conta a professora.

O medo pode ser desencadeado por um trauma, como sofrer um acidente. Esse foi o caso da estudante Júlia Santos: “Quando era mais nova, por duas vezes sofri acidentes de carro, e mesmo que em nenhuma das vezes eu tenha me machucado fisicamente, quando andava de carro ficava apreensiva e com medo de todas as situações que me lembravam dos ocorridos”. Ter proximidade a vítimas de acidentes de trânsito também aumenta a fobia, no caso da universitária Nathalia Gonfinete: “Tenho dois casos de acidentes fatais na família, nestes eu não estava. Perdi meu tio e minha avó em acidentes e isso também é algo que sempre me fez refletir sobre dirigir”.

Lidar com o medo de dirigir é cotidiano em autoescolas. Muitas pessoas chegam para as aulas práticas já com receio de pegar a direção, como conta a diretora da Auto Escola Rio Preto, Marlúcia Maria Martins. “Cada caso é um caso. Alguns têm medo porque faz tempo que tirou a CNH, outros por acidente. Também há o caso de mulheres que desistem de dirigir porque o marido grita”, afirma Marlúcia. Trabalhar o medo da direção também faz parte do dia a dia dela. “A gente busca conversar para saber qual é o caso e o que está necessitando. A pessoa chega aqui achando que precisa tomar remédio, mas às vezes é questão de passar confiança para o cliente. Para acabar com o medo tem que enfrentar ele, praticando”, finaliza.

Enfrentar a fobia pode não ser fácil para todas as pessoas. Rosilene conta que conseguiu vencer o medo apenas depois dos 40 anos, motivada pelo marido e pelos filhos: “Quando eu tinha 42 anos, meu marido comprou um carro pra mim pela segunda vez. Eu fui trabalhando na minha cabeça, não fui a psicólogo nenhum, mas eu vi que a necessidade. Eu tinha que fazer, tinha que dirigir porque meus filhos precisavam de mim, isso me impulsionou bastante”.

A psicóloga especialista do trânsito, Andréa Mulati, conta que, além destes fatores, a personalidade do motorista também interfere no medo de dirigir. “Insegurança, frustração, falta de prática, algum trauma, mas principalmente a personalidade é um fator preponderante. Geralmente são indivíduos que não se permitem errar e principalmente atrapalhar o trânsito”, diz.

Andréa, que trabalha para ajudar pessoas habilitadas e com medo de dirigir a voltar para o volante, também explica como é feito o acompanhamento psicológico com quem sofre com a fobia: “O tratamento é feito de forma individualizada, com terapia voltada para o trânsito e aulas práticas de carro. O cliente aprende a identificar o ponto cego do veículo, estacionar em vagas de shopping e trânsito em avenidas, rotatórias e rodovias”.

Saiba o que você pode fazer para vencer o medo da direção:

1. Saia acompanhado. Pegar o carro sozinho quando se tem medo não irá ajudar a enfrentar o problema. Ter alguém ajudando a enfrentar o trânsito torna a experiência menos difícil para quem ainda não tem prática. No entanto, deve ser alguém que tenha paciência para auxiliar, uma pessoa impaciente tornará o hábito de dirigir mais traumático.

2. Pratique aos poucos. Querer andar na rodovia logo de cara não vai ajudar a vencer o medo. Comece com pequenos trajetos, como uma volta no quarteirão, tirar e guardar o carro na garagem. Conforme a insegurança diminuir, passe para metas maiores.

3. Pratique em lugares tranquilos. Dirigir com o trânsito movimentado pode aumentar a insegurança e ansiedade de quem está começando. Procure pegar o carro em dias mais calmos como um domingo ou em bairros que tenham pouco movimento.

4. Concentre-se em si mesmo. Foque no que você está fazendo, não se preocupe com os pensamentos dos outros motoristas. O que importa é trânsito a sua frente, não preste tanta atenção aos veículos de trás.

5. Se permita errar. Quando se está começando, é normal cometer erros, como afogar o carro. Quando errar, mantenha a calma e siga praticando. Com a prática, os bons resultados na direção aparecem e os erros se tornam menos comuns.

(Colaborou Breno Maniezo)

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