SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 21 DE SETEMBRO DE 2021
Saúde

Aedes deixa 6 cidades em risco e 48 em alerta

Seis cidades da região estão em risco de surto e outras 48 estão em situação de alerta

Millena Grigoleti e Marcelo SchaffauserPublicado em 13/12/2018 às 19:31Atualizado há 07/07/2021 às 21:49

Seis cidades da região estão em risco de surto de dengue, zika e chikungunya, as três doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Sales, Ipiguá, Bebedouro, Riolândia, Nova Granada e Adolfo tiveram índice superior a 3,9 no Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (Liraa), divulgado pelo Ministério da Saúde. O aceitável seria que o número ficasse menor que um.

Os dados foram coletados entre outubro e novembro e mostram que outros 48 municípios da região estão em situação de alerta para as arboviroses. A cada cem imóveis vistoriados, cinco tinham larvas do mosquito em Sales, por exemplo. Até o momento, Ipiguá, Bebedouro, Riolândia, Nova Granada e Adolfo comunicaram no total 184 casos de dengue à Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).

Maurício Lacerda Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Famerp, diz que em 2019 existe em Rio Preto e região - área que para ele tem características semelhantes - a preocupação com a possibilidade de epidemias de dengue, sobretudo se voltar a circular o sorotipo três do vírus que causa a doença, além de zika e chikungunya. O especialista explica que quando um indivíduo pega dengue de sorotipo um, por exemplo, fica um tempo imune aos outros sorotipos também. "É imunidade temporária, dura de um a dois anos. Teve muita dengue em 2013, 2014, 2015 e até meados de 2016. Está acabando essa imunidade. Se estiver circulando dengue três no Estado, nós temos grandes riscos de epidemias na região", pontua. Esse tipo da doença não é identificado em Rio Preto desde 2008.Rio Preto

Rio Preto é uma das 48 cidades em situação de alerta para as arboviroses, com Índice de Infestação Predial de 1,3. Em outubro, o Índice de Breteau (IB) encontrado em outubro foi de 1,4. As maiores infestações estavam nos bairros Lealdade e Amizade (7,6) e Rio Preto I (3,9).

Abner Henrique Alves, gerente da Vigilância Ambiental, explica que o Ministério da Saúde divulgou nesta semana o Índice Predial, que considera a porcentagem de imóveis em que foram encontradas larvas do mosquito. Já o IB correlaciona o número de imóveis visitados com a quantidade de recipientes contaminados - o índice mostra que, em média, a cada prédio visitado, os agentes encontraram 1,4 reservatório com larvas. Os dois levantamentos são feitos a partir do Liraa e o próximo deve ser efetuado em janeiro. Os agentes visitam aproximadamente 15 mil imóveis.

Abner ressalta que, apesar de o Índice de Breteau estar apenas 0,4 acima do recomendado, a população não pode se descuidar. "Estamos chegando no período do verão, é o momento do retorno das chuvas. Tem período de sol e calor e o ciclo do mosquito fica curto", afirma. Embora grande parte das larvas seja encontrada em objetos que já deveriam ter sido descartados, como sacolas plásticas, garrafas pet e embalagens, a população tem se descuidado de outros itens, como pratos de plantas, pneus e ralos.

O gerente pontua que os rio-pretenses se esqueceram da gravidade da dengue após dois anos sem epidemia - em 2016, foram registrados 16,2 mil casos da doença; em 2017 o número de notificações caiu para 597 e em 2018, até o fim de novembro, foram confirmadas 593. Ele destaca que a introdução de pessoas que nunca foram expostas à dengue na cidade aumenta o risco de surtos. "A gente está relembrando a importância de eliminar os criadouros. O mosquito encontrou no ambiente urbano as condições ideais e tem desenvolvido resistência aos inseticidas".

Como o Diário já mostrou, além da dengue, a Saúde também se preocupa com chikungunya e zika - a primeira preocupa por ser grave, a segunda porque provoca microcefalia e outras malformações em bebês. Em 2018 foram diagnosticados em Rio Preto 104 casos de zika, sendo um em gestante, e 12 confirmações de chikungunya.Uchoa

Cidade com 10 mil habitantes, Uchoa tem 190 casos positivos de dengue durante o ano e, segundo o Liraa, está em situação de alerta. Segundo Lucas Balbino, coordenador de controle de vetores, os casos já eram previstos de acordo com orientação da Sucen. "Não chega a ser uma epidemia, por enquanto está controlado. Era esperado pelas orientações da Sucen um surto no final do ano de 2018 e no começo de 2019", afirmou.

De acordo com Balbino, mutirões foram feitos para controlar e diminuir o índice de casos positivos. "Fizemos vários arrastões e outras atividades como recolhimento de lixo, entulho, distribuição de panfletos para orientar a população", finalizou.

 
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