Diário da Região

26/11/2018 - 23h55min

Editorial

O desafio da desigualdade

A recessão que o País tem dificuldade em deixar para trás, a explosão do desemprego e a redução dos programas sociais e investimentos públicos com o endividamento dos governos, alguns incapazes de pagar os próprios servidores, estão entre os motivos para mais uma estatística que envergonha o Brasil. Estudo de organização não-governamental de atuação mundial chamada Oxfam (Reino Unido) revela, pela primeira vez em 15 anos, que a redução da desigualdade de renda estagnou no País, embora essa questão nunca tenha sido modelo de equilibrada distribuição de riqueza entre seus habitantes. Pelo contrário. Passou de 10º para o 9º mais desigual do mundo em uma lista de 189 países, segundo o relatório do PNDU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Esses dados significam desafio duplo para o presidente eleito Jair Bolsonaro e para os novos governadores - se já não é, também deveria ser aos prefeitos em meio de mandato. O desafio de evitar que a desigualdade se agrave ainda mais sem aumentar despesas públicas com um dinheiro que não há - a não ser que se aumentem impostos, o que está longe de ser a saída num ambiente de recessão. É o remédio que em vez de curar mata o paciente.

A receita dentro daquilo que os governos podem oferecer diretamente aos mais pobres, por meio de programas sociais, é fazer mais com menos. Bolsonaro disse na campanha, por exemplo, que é possível até pagar 13º para as famílias que recebem o Bolsa Família se combater fraudes que desviam dinheiro do programa para beneficiados que não precisariam receber o auxílio. Assim como o Bolsa Família, se Bolsonaro, os governadores e prefeitos fizerem um pente-fino nas estruturas pelas quais são responsáveis, certamente irão encontrar muita verba desperdiçada pelos descaminhos da burocracia ou pela mais deslavada corrupção. Dinheiro que poderia estar sendo direcionado a quem mais precisa dele.

Mas o grande passo que precisa ser dado para tirar o Brasil desse vergonhoso ranking é a reforma radical do Estado, que o torne mais enxuto, com papel mais regulador da economia em vez do excessivo intervencionismo de Brasília, que sufoca a iniciativa privada. Sem um mercado vibrante, em que impere a livre concorrência no lugar de monopólios ou, quando muito, oligopólios, o emprego seguirá escasso e o dinheiro ficará sempre nas mãos de poucos. Fugir desse imperativo é fugir da causa do problema e ficar, sempre, buscando gambiarras para reduzir os efeitos nocivos de suas consequências.

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