Diário da Região

21/11/2018 - 22h35min

Editorial

Sempre a mesma trilha

Um dos maiores escândalos de corrupção da história contemporânea foi desvendado por dois jornalistas norte-americanos - Bob Woodward e Carl Bernstein - a partir de uma dica tão singela quanto valiosa de uma fonte, que disse a um deles: "Siga o dinheiro". O diálogo, reproduzido no filme "Todos os homens do presidente", foi a senha para a descoberta de falcatruas tramadas de dentro da Casa Branca para espionar adversários políticos do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, o famoso escândalo de Watergate que faria o mesmo Nixon renunciar ao cargo em 1974.

A dica não era nenhuma novidade, mas parafraseando o dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, às vezes é preciso ser profeta para enxergar o óbvio. Nos mesmos Estados Unidos, outra história famosa, ocorrida mais de 40 anos antes de Watergate, envolveu enredo semelhante. Um agente de Tesouro, Eliot Ness, só conseguiu prender Al Capone, gangster que tocava o terror na Chicago dos anos 1920, ao descobrir que sonegava impostos. Também rendeu um excelente filme, "Os intocáveis", em referência à equipe de Ness, que resistiu às tentativas de suborno de Capone no decorrer das investigações.

O Brasil produziu uma história que também não fica nada a dever às dos americanos. Começou em 2013 com o monitoramento da atividade de doleiros e que revelaria o maior escândalo da República, a prisão de dezenas de figurões do mundo empresarial e político, incluindo um ex-presidente da República, cuja movimentação criminosa teria ultrapassado a casa do trilhão.

Protagonista dessa história, Sérgio Moro será em breve ministro da Justiça, em razão do trabalho que realizou, como juiz federal, à frente da Operação Lava Jato. E como ministro, Moro sinaliza que irá adotar o mesmo modus operandi de Curitiba, onde era juiz, para Brasília e de lá para todo o País.

A ordem do futuro ministro para a equipe que vai coordenar é priorizar o combate ao crime de lavagem de dinheiro, a forma como os bandidos e suas organizações, estejam eles em palácios, parlamentos, empresas ou presídios, dissimulam a origem ilícita de seus ganhos em operações financeiras para legalizá-los.

Nas palavras do próprio Moro, a intenção é "descapitalizar" as facções criminosas. Ao fazer isso, ele pretende enfraquecê-las e derrotá-las. Irá mexer com altos, escusos e perigosos interesses, mas Moro já mostrou que não os teme. As peripécias do futuro ministro, assim como as de Ness, Woodward e Bernstein, também já ganharam telonas e telinhas. E pelo visto, outras virão.

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