SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2022
Rio Preto

Escola de Rio Preto é prata na Olimpíada Brasileira de Foguetes

Grupo de alunos da escola Oscar de Barros Serra Dória, no Solo Sagrado, é vice-campeão na Olimpíada Brasileira de Astronomia. Unidade estudantil recebe desde abril deste ano apoio do projeto Justiça Restaurativa

Francela Pinheiro
Publicado em 10/11/2018 às 00:30Atualizado em 07/07/2021 às 22:55
André, Alisson e Samuel, três dos quatro integrantes do grupo, seguram o prêmio conquistado na competição (Guilherme Baffi 9/11/2018)

André, Alisson e Samuel, três dos quatro integrantes do grupo, seguram o prêmio conquistado na competição (Guilherme Baffi 9/11/2018)

Um grupo de alunos da escola estadual Doutor Oscar de Barros Serra Dória, no bairro Solo Sagrado, em Rio Preto, foi vice-campeão da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica 2018. Eles desenvolveram um foguete de garrafa pet. E a conquista nacional só alçou voo graças ao "empurrãozinho" da Justiça Restaurativa, projeto implantado na unidade estudantil em abril deste ano que oferece suporte de diversas maneiras, inclusive o apoio e recursos para garantir a participação dos jovens na competição.

O concurso foi realizado em Barra do Piraí, Rio de Janeiro, entre os dias 5 e 8 deste mês. No entanto, a competição iniciou em maio deste ano com uma pré-seleção na própria escola. Os alunos, entre 15 e 18 anos, desenvolveram um foguete com base de cano PVC e estrutura de garrafa plástica reciclável impulsionada pela reação química da mistura de dois produtos populares: bicarbonato de sódio e vinagre.

Dos quatro alunos do grupo, dois viajaram ao Estado do Rio para apresentar o trabalho. O foguete rio-pretense, movido a gás carbônico, alcançou 100 metros de distância, enquanto o primeiro colocado chegou a 300 metros e o terceiro a cerca de 50. Setenta escolas participaram da competição.

A conquista nem passava pela cabeça dos alunos há dois anos. A afirmação é de um dos integrantes, André Marciano, 18 anos. "Não imaginávamos. No começo ficamos meio receosos porque não éramos de participar das coisas. Tínhamos vergonha e agora tivemos a oportunidade de ir até para o Rio de Janeiro apresentar".

A escola localizada na periferia de Rio Preto sonha com a classificação desde 2015. Apesar dos talentos, a dificuldade para bancar os custos da participação na olimpíada sempre foi uma barreira para que os alunos do Solo pudessem mostrar ao Brasil que também são competentes. Realidade que neste ano ganhou uma nova versão desde que a escola se tornou projeto-piloto do polo da Justiça Restaurativa da Vara da Infância e Juventude, implementado no município em 2017.

A equipe de assistentes sociais, juiz e promotorias Estadual e Federal angariou recursos e apoio de setores variados da sociedade e garantiu condições aos alunos. "Tudo que a gente precisava, eles forneceram. Desde os produtos usados para fabricar o foguete até passagens, transporte e alimentação", afirmou a coordenadora da unidade, Eliani Marques Rocha.

"Não sei o que seria da gente se não fosse esse apoio. No início corremos atrás de patrocínio, pedimos para a Prefeitura e não tivemos um retorno agradável. Mas a visão da Vara da Infância é diferente", complementou André. Para a escola, vencer esses desafios e terminar em segundo lugar é excelente. "Importante tanto do ponto de vista pedagógico, como também para mostrar que é possível desenvolver ciência mesmo em áreas de vulnerabilidade", disse a coordenadora.

Medalha que pode abrir novos caminhos na vida desses alunos. Universidades como a Unicamp reservam vagas para alunos medalhistas. Oportunidades que outro participante do grupo, Alisson dos Santos, 18 anos, afirmou que não quer perder. "Meu sonho é conseguir um futuro bom na vida, para minha família e para os meus filhos. Quero ser projetista". Os alunos Samuel Paiva, 15 anos, e Gabriele Crispim, 17, também participaram do projeto.

O juiz Evandro Pelarin diz que os alunos terão o apoio da Justiça. "Na Justiça Restaurativa, temos identificado não apenas problemas nas escolas. Estamos descobrindo talentos também. E, dentro das nossas possibilidades, temos auxiliado os jovens talentosos. Esperamos avançar mais. Isso é muito estimulante".

 
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