Diário da Região

07/10/2018 - 00h30min

Entre Livros e Palavras

Por que as melhores ideias surgem no chuveiro?

Escritor suíço residente em Londres, Alain de Botton, é famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana

Divulgação Alain de Botton é um escritor suíço residente em Londres, famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana
Alain de Botton é um escritor suíço residente em Londres, famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana

Tradução de: Patrícia Reis Buzzini

Muita gente acredita que o melhor lugar para se pensar seja uma sala ampla e arejada, com uma bela escrivaninha e uma janela com vista para um lago ou parque. Essa é a premissa por trás do layout da maioria dos escritórios. Quanto mais alto for o cargo, mais parecido com esse suposto ideal deverá ser o local de trabalho: em homenagem ao elevado padrão de pensamento que, idealmente, será alcançado. Os chefes tendem a ter grandes mesas e vistas ainda maiores.

No entanto, essas crenças não condizem com o modo como as nossas mentes realmente funcionam. O principal obstáculo ao bom pensamento não é uma mesa apertada ou um horizonte desinteressante. É, antes de tudo, a ansiedade. Muitas vezes, os pensamentos mais complexos tendem a ser potencialmente perturbadores. Ao tentarmos compreendê-los, corremos alguns riscos. Podemos descobrir que algumas das nossas antigas convicções não estavam tão corretas quanto pensávamos, podemos perceber que estávamos profundamente equivocados a respeito de alguma coisa, podemos precisar fazer mudanças difíceis e significativas em nossas vidas.

À medida que essas possíveis implicações começam a surgir, nosso censor interno motivado pelo desejo de paz, em vez de crescimento - é acionado. Uma parte vigilante do nosso eu se agita, distraindo-nos e fazendo-nos sentir cansados ou instigados a ficar na internet. De forma rápida, começamos a perder o foco. Há um bloqueio em nossa capacidade de concatenar ideias que, embora importantes e interessantes, também representam uma forte ameaça ao nosso breve estado de tranquilidade.

É nesse contexto que o banho passa a ser tão útil para o bom funcionamento da nossa mente, ganhando o direito de ser considerado um dos melhores lugares do mundo para se fazer qualquer tipo de reflexão profunda. Em meio à água e ao vapor, com alguns minutos de folga antes do início do dia, a mente sai do estado de vigília. Sem grandes esforços cognitivos, ocupamo-nos apenas em tentar ensaboar as nossas costas e enxaguar bem o cabelo. As ideias que estavam adormecidas em nossas mentes, ideias sobre o verdadeiro propósito de nossas vidas e sobre as coisas que precisamos fazer em breve, representam uma enorme pressão interior - mas durante o banho perdem os bloqueios que as impedem de atingir a consciência plena. Como não estamos sendo obrigados a pensar - conseguimos refletir de forma mais livre e corajosa.

Essa possibilidade de distração amena e inócua também ocorre quando estamos dirigindo na estrada ou caminhando em uma floresta, quando o lado tímido e vigilante da mente ocupa-se o suficiente para deixar de interferir em nossas maquinações internas autênticas e mais ousadas.

Nosso mundo valoriza bastante as boas ideias - mas não se interessa em investigar por que é tão difícil alcançá-las. De acordo com o escritor americano Ralph Waldo Emerson: “Na mente dos gênios, encontramos nossos próprios pensamentos negligenciados”. Em outras palavras, os gênios não têm pensamentos diferentes da maioria das pessoas, eles apenas conseguem evitar que as inibições e os preconceitos os impeçam de pensar livremente.

Em um futuro utópico, poderíamos ser muito mais criativos na forma como refletimos a respeito das coisas. Aprenderíamos que o verdadeiro inimigo do bom pensamento não é uma escrivaninha pequena ou uma vista modesta, mas é - quase sempre - a ansiedade, para a qual pode haver poucas opções melhores de cura do que a biblioteca do nosso eu mais profundo, durante o banho matinal. Texto original disponível em: www.theschooloflife.com

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