Diário da Região

12/10/2018 - 00h30min

ESTREIA

Obra de Clarice Lispector inspira nova peça da Cia. Hecatombe

Obra de Clarice Lispector, em especial o livro 'A Mulher Que Matou os Peixes', inspira nova montagem da Cia. Hecatombe voltada ao público infantojuvenil

Guilherme Di Curzio/Divulgação Cena de 'Vermelhinhos', novo espetáculo da Cia. Hecatombe, de Rio Preto
Cena de 'Vermelhinhos', novo espetáculo da Cia. Hecatombe, de Rio Preto

A Cia. Hecatombe mergulhou no universo existencial da escritora Clarice Lispector (1920-1977) para dar vida ao seu novo espetáculo infantojuvenil, "Vermelhinhos", que estreia neste sábado e domingo, 13 e 14, com apresentações de graça no Centro Cultural Vasco. A peça é fruto da parceria entre Homero Ferreira, fundador da companhia rio-pretense e responsável pela dramaturgia, e Linaldo Telles, que assina a direção.

"Vermelhinhos" narra o reencontro de dois amigos de infância, Clarice, uma mulher que perambula com sua casa-armário contando histórias de seus bichos, e Guarda Perseu, um sisudo oficial que garante a segurança de uma praça na Rua A Descoberta do Mundo. Os personagens são interpretados, respectivamente, pela atriz Clarissa Maria e Luiz Peres, que volta aos palcos após um hiato de dez anos.

Na vida adulta, os dois amigos de infância têm opiniões bastante divergentes, mas, à medida que é tomado pela sensibilidade da contadora de histórias e protetora dos animais, o guarda descobre, literalmente, um novo mundo. "O espetáculo evidencia o respeito entre os gêneros e o amor pela existência, algo muito presente na obra de Clarice Lispector. O soldado, que representa o patriarcado, o machismo, descobre a importância do papel feminino através da poética da contadora de histórias. Ele se desconstrói ao longo do espetáculo", comenta Telles.

"Vermelhinhos" tem como principal referência "A Mulher Que Matou os Peixes", livro infantil lançado pela escritora em 1968. "A partir de uma pesquisa profunda, vários outros elementos da obra de Clarice Lispector foram trazidos para o espetáculo, como sua fobia por baratas, seu reiterado existencialismo e, ainda, sua escrita que sempre parece seguir um fluxo de pensamento sem nenhuma edição”, explica Ferreira.

As primeiras ideias para a concepção de "Vermelhinhos" surgiram em 2008, quando Ferreira e Telles se conheceram. Na época, o diretor rio-pretense ainda morava em São Paulo, fazendo parte da Cia. 4 na Trilha, que apresentou o espetáculo "Os Saltimbancos" por quase 13 anos consecutivo. "O Homero (Ferreira) me mostrou alguns poemas e texto adulto que havia escrito. Começamos a conceber algo juntos a partir desse material, mas não sabíamos se o resultado seria para crianças ou para adultos. Aos poucos fomos conduzidos para o universo de Clarice Lispector", relembra Telles.

"Agora, quase dez anos depois, retomamos com a mesma paixão esse universo 'clariciano' e com a sensação de que o texto da peça nunca fez tanto sentido”, diz Ferreira. “Montar 'Vermelhinhos' hoje é traduzir um pouco do sentimento existencialista contido nas histórias que Clarice Lispector nos contou. E também marcar posição ante aos visíveis retrocessos de pensamento que nossa sociedade vem atravessando”, acrescenta.

"Vermelhinhos" é o segundo espetáculo infantil da Hecatombe e foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Estado da Cultura. O espetáculo vai passar por seis cidades paulistas, realizando dez apresentações.

Além das apresentações, o grupo também vai comanda duas atividades formativas no Centro Cultural Vasco. Neste sábado, 13, das 10h às 12h, haverá o encontro "Fazendo Ideia", comandado por Ferreira. O objetivo é esclarecer dúvidas sobre a elaboração de projetos culturais para editais de fomento. No domingo, 14, das 13h às 16h, será realizada a oficina "Corpo e Partitura", com Telles, que recorre a fisicalidade como ponto de partida para a construção da ação no teatro infantil. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail contato@ciahecatombe.com.br.

Serviço

  • Estreia de 'Vermelhinhos', da Cia. Hecatombe. Sábado e domingo, 13 e 14 de outubro, às 19h. Centro Cultural Vasco (Rua São João, 1840 - Boa Vista). Gratuito (retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão) 

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