Diário da Região

03/10/2018 - 14h04min

ORIXÁS

Livro de fotos de Pierre Verger ganha nova edição

'Orixás, Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo', livro editado em 1981, ganha nova edição depois de esgotado durante vários anos

Reprodução Livro reúne registros de Pierre Verger em sua imersão na religiosidade africana
Livro reúne registros de Pierre Verger em sua imersão na religiosidade africana

Em 1954, o fotógrafo e etnógrafo franco-brasileiro Pierre Verger (1902-1996) revelou pela primeira vez seu interesse pela temática religiosa africana ao lançar, na França, o livro "Dieux dÁfrique" (Deuses dÁfrica). O trabalho representou seu primeiro contato com a cultura dos orixás e marcou um momento de transformação em sua produção ao revelar sua disposição em entender dos cultos religiosos africanos.

Com "Dieux dÁfrique", Verger intensificou sua produção escrita, o que iria reforçar ainda mais o caráter etnográfico de seu trabalho fotográfico. E isso pode ser observado especialmente em "Orixás, Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo", livro editado em 1981 e que agora ganha nova edição, depois de esgotado durante vários anos. Publicado pela Fundação Pierre Verger, o volume será lançado nesta quarta-feira, 3, no Salão Nobre da Sala São Paulo, onde vai ocorrer, a partir das 21h, um debate entre os escritores Carolina Cunha e Reginaldo Prandi, além da griô e lakekerê Vovó Cici.

Trata-se de uma coleção preciosa dos primeiros registros dos orixás na África e o chamado Novo Mundo - pesquisas etnográficas que retratam os cultos aos deuses Iorubás em seus países de origem (Nigéria, Benin e Togo) e também nas terras para onde os rituais foram levados com o tráfico de escravos, particularmente Brasil e Antilhas. A publicação reúne 250 fotos históricas, com textos sobre as cerimônias, as características de cada orixá e descritivo dos arquétipos da personalidade dos seus respectivos devotos.

"O livro 'Orixás' também foi um dos primeiros títulos em português a abordar a temática da religiosidade afro-brasileira a partir de um atento olhar sobre aspectos históricos ligados sobretudo à cultura iorubá que, pelos vários caminhos e acasos de suas pesquisas, tornou-se o foco principal da obra de Verger", escreve Gilberto Sá, presidente da Fundação Pierre Verger, na introdução do volume.

Cerimônias

Pierre Verger era um homem tímido, contemplativo, mas afeito a pesquisas, o que resultou em um precioso acervo de mais de 62 mil itens, entre negativos, fotografias, materiais diversos, textos e livros, tudo arquivado hoje na fundação que leva seu nome, com sede em Salvador e atual responsável pela conservação e cuidado desse material.

O francês chegou ao Brasil pela primeira vez em 1946, no momento em que a Europa iniciava a experiência do pós-guerra. Em Salvador, dividiu apartamento com o arquiteto e fotógrafo Marcel Gautherot. Verger viera a convite de Assis Chateaubriand, poderoso chefão dos Diários Associados, que, interessado na qualidade da imagem conseguida pela câmera do francês, planejava contratá-lo para trabalhar na revista O Cruzeiro, o que lhe garantiria uma permissão de residência. Contratado, Verger realizou uma série de reportagens sobre a histórica Salvador e suas manifestações religiosas e culturais.

O trabalho fotográfico exibido em Orixás demonstra como Verger estava mais interessado em captar momentos e expressões que com o apuro técnico - um maior comprometimento com o factual que com regras estéticas. Há cerimônias retratadas em sequência e, em alguns casos, o fotógrafo optou por ângulos de baixo para cima, o que também indica uma posição respeitosa.

Sua relação com os rituais africanos torna-se tão íntimo que o fotógrafo assume, como seu segundo nome, Fatumbi, que significa renascido do Ifá, logo após sua iniciação como babalaô, em 1953, na África. O lançamento de Orixás abre uma série de eventos que incluem exposições, doações de fotografias, lançamentos de outros livros, seminários, workshops, ambientações em locais de acesso público e intervenções urbanas artísticas, entre outros.

ORIXÁS. Editora: Fundação Pierre Verger (308 págs., R$ 150). Lançamento. Sala São Paulo, Salão Nobre. Pça. Julio Prestes, 16. 21h

 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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