Diário da Região

29/09/2018 - 15h07min

CORRENTE DO BEM QUE SÓ CRESCE

Conheça como funciona o Movimento Abraçar no Ceará

Movimento, que atende mais de 3 mil crianças, será implantado em Rio Preto

Divulgação Professores em formação em Missão Velha, no Ceará
Professores em formação em Missão Velha, no Ceará

Em fevereiro, será implantado em Rio Preto o Movimento Abraçar, que foca a educação infantil nos valores humanos. O projeto teve início em Campinas, com a creche onde estudam 600 pequenos de dois a seis anos incompletos, e está em expansão pelo país. Há 3 mil crianças atendidas no Ceará e 500 em Pernambuco. O movimento deve se ampliar nos dois estados e se espalhar para a Paraíba, Amazonas e Distrito Federal. As cidades de Holambra e Jaboticabal, em São Paulo, estão em processo de adesão. 

Hugo José Lucena de Mendonça, promotor público no Ceará, conta que o projeto voltado para valores humanos no Estado começou por meio de um do Instituto Myra Eliane, do qual Carlos Sebastião Andriani, vice-presidente da Associação Douglas Andreani (ADA), fazia parte. A ADA é a responsável por administrar a creche Monte Cristo, de Campinas.

O projeto pedagógico em Campinas e no Nordeste continua sendo seguido, mas incluiu a formação em valores humanos, com oficinas de meditação, música, teatro, contação de histórias, dentre outras. Para formalizar a implantação do projeto Valores Humanos na Educação Infantil, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Tudo começou na capital Fortaleza, mas hoje há 13 municípios com professores treinados ou em processo de capacitação. Até 2020, a ideia é que 100 mil crianças sejam atendidas pelo projeto em todo o país. No Ceará, já são 27 creches e 260 professoras; em Pernambuco, na cidade do Cedro, são 50 docentes.

"Os cinco valores da essência humana são amor, paz, verdade, ação correta e não violência. Eles precisam ser percebidos e não aprendidos pela mente. Quando a pessoa age de acordo com os valores humanos, é feliz e vive em paz. São universais", defende Carlos Andriani, desenvolvedor do Movimento Abraçar. Segundo o professor, a formação de caráter de um indivíduo acontece até os sete anos de idade, daí a importância do foco na educação infantil. 

Gleyciane Pereira dos Santos, dona de casa de 29 anos, é mãe de Santiago Pereira Simplicio, de 4 anos. A família mora em Missão Velha, no Ceará, onde há cinco escolas com o projeto, e o menino estuda na creche Maria Hilda Santos desde 2017. A mãe considera que o projeto veio ajudar na formação do menino. "Está mais tranquilo, educado e calmo. Era bastante agitado, não atendia a gente às vezes e era até um pouco rebelde. Hoje está uma criança mais obediente, sabe ouvir, é bem educado", conta. "Ele já sabe que não pode desrespeitar o colega, que isso foi aprendido dentro do projeto."

A dona de casa destaca o trabalho das professores. "Ajudam na hora de educar de forma certa, para mim esse projeto veio para nos transformar em pessoas melhores. Meu filho está se tornando uma criança respeitável. Teve essa mudança em nós também, a gente está mudando. Tenho gratidão por esse projeto", afirma.

Jaqueline Magalhães Pássaro do Nascimento, estudante de letras de 27 anos, é mãe de Maria Aleine, de 10 anos, que já passou pela creche Monsenhor Eusébio, em Missão Velha, no Ceará, e de Maria Elaine, de cinco anos, que estuda no local atualmente. Ela conta que a filha tinha bastante dificuldade para interagir com as pessoas. "Esse projeto foi um divisor de águas. Batalhei muito em psicólogos, terapeutas, médicos que me ajudassem a entender o comportamento dela, porque era uma criança que não queria colo, chorava muito, era muito inquieta, demorou a falar", afirma. 

A estudante relata que a família enfrentou problemas como divórcio e outras dificuldades e que a creche auxiliou. "Hoje ela tem uma facilidade grande de beijar, abraçar, demonstrar o que está sentindo. Antes mesmo em casa estimulando era complicado porque ela não via outras crianças da mesma idade, e com o projeto isso foi possível. A tia Lindete (professora) é a segunda mãe dela, que ensinou a ela o afeto, coisa que eu não conseguia", conta.

Idária Gomes Landim, multiplicadora e coordenadora técnica da educação infantil da Secretaria Municipal de Educação de Missão Velha, diz que as famílias já percebem a diferença na realidade do município. "As crianças extremamente amorosas, receptivas. Os professores conseguem perceber e nos relatam, os diretores também, que há uma diferença tanto na postura quanto na aprendizagem das crianças. São bem mais calmas, receptivas, amorosas. O aprendizado acontece muito mais fácil, elas têm se desenvolvido bastante", garante.

De acordo com a coordenadora, na avaliação do desempenho foi possível perceber avanços significativos. "A gente está muito feliz com os resultados, está ampliando para o ensino fundamental", fala. Ela relata que as crianças pedem desculpas e sabem que não se pode agredir o colega, mas sim dar afeto. "Extremamente afetuosas, colaborativas, as famílias têm participado mais do trabalho. A transformação da nossa sociedade está na educação dentro da faixa etária da educação infantil, a gente está muito feliz com esse novo olhar que tem tido no nosso município e só tem a agradecer."

 

Referência em educação

O Ceará, estado onde há maior parte de crianças atendidas pelo Movimento Abraçar, vem avançando na área de educação. Neste mês, o Ministério da Educação divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mostrou que apenas sete estados alcançaram ou superaram a meta proposta para 2017 nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º), e o Ceará está entre eles. O estado também atingiu as metas dos anos iniciais (1º ao 5º) do ensino fundamental, além de ter evoluído mais nesta etapa, superando o objetivo de nota 4,8 e atingindo os 6,2. 

O promotor Hugo José Lucena de Mendonça acredita que o Movimento Abraçar vai ajudar a abaixar as taxas de violência no estado. Segundo o Atlas da Violência 2018, em dez anos o número de homicídios dobrou no Ceará. "A ideia é que com valores mais éticos e com valores morais que foram colocados na base da formação do caráter, a gente possa ter pessoas mais pacíficas", afirma.

Os novos cidadãos teriam que ser voltados para a resolução de conflitos de forma não violenta e para prezar pela verdade e a paz em toda a vida. "Acredito que o próximo crescimento do Ceará seja a diminuição da violência. Continuar com o crescimento das taxas educacionais vinculadas ao ensino formal, mas diminuir a taxa da violência, acho que é a grande contribuição que a próxima geração pode fazer", conclui Lucena. (MG)

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