Diário da Região

19/08/2018 - 00h30min

COMPORTAMENTO

Jogos 'violentos' podem alterar comportamento das crianças e adolescentes

Psiquiatra Milena Mazetti Spolon adverte que a exposição à violência pode influenciar o psiquismo das crianças e adolescentes

Johnny Torres 7/8/2018 Psiquiatra Milena Spolon orienta que os pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e impor limites
Psiquiatra Milena Spolon orienta que os pais devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e impor limites

Jogos 'violentos' são aqueles em que os jogadores matam, mutilam ou decepam a cabeça ou membros do corpo de outros personagens. Este tipo de jogo pode alterar o comportamento das crianças e adolescentes. É o que afirma a psiquiatra Milena Mazetti Spolon, que chama a atenção: os jogos violentos devem ser evitados em toda faixa etária.

"Qualquer exposição a violência pode influenciar o psiquismo das crianças e adolescentes. Sabemos que não é o mesmo impacto da violência real, mas esta população quando exposta a jogos violentos, de forma sustentada, podem sofrer alterações comportamentais", afirma Milena, acrescentando que só "após concluída a completa maturação cerebral, entre os 18-22 anos, adquirimos a capacidade de avaliar as situações com clareza, juízo crítico e bom senso e nos responsabilizamos pelos os nossos atos".

Para a psiquiatra, quanto mais precocemente um indivíduo é exposto a violência maior será o prejuízo no funcionamento cerebral, podendo levar as alterações estruturais e funcionais.

"No desenvolvimento humano duas áreas cerebrais são importantes na regulação da raiva/medo e juízo crítico que são a amígdala cerebral e o lobo frontal respectivamente", diz Milena, para em seguida afirmar que os jogos violentos vivenciados repetidamente, com pouca ou nenhuma punição sobre os atos agressivos neles existentes, "tornam a amígdala cerebral menos ativa reduzindo a nossa capacidade de reagirmos aversivamente à violência e ao sofrimento humano, juntamente com o funcionamento imaturo da região frontal que, compromete o julgamento do certo e errado, não há dúvida que o impacto sobre as crianças será mais prejudicial que dos adolescentes".

Existe um grande debate sobre o assunto, porém não há consenso entre os pesquisadores. Por outro lado, a psicóloga clínica Cíntia Canato acredita que não há uma ligação entre jogos violentos e efeitos prejudiciais as crianças e adolescentes, "uma vez que uma ampla gama de estudos encontram parâmetros ambíguos, que acabam não comprovando esta relação. Mesmo com uso de jogos violentos ou um histórico de ambiente familiar violento é difícil predizer quem será agressivo ou violento. Os videogames fazem parte da cultura de crianças e adolescente, tratando-se de uma atividade social, que envolvem variadas razões para sua utilização".

Quanto menor a criança, maior será a chance de confundir realidade com ficção, pois compreende o mundo de modo concreto e literal. Segundo Milena, o pensamento abstrato e a compreensão de linguagem subliminar, implícito nos jogos, só serão plenamente compreendidos em torno dos 12 anos. "Quando essa maturidade cerebral é totalmente adquirida, mas como o região frontal ainda estará em processo de maturação o juízo critico permanecerá prejudicado nos adolescentes.

A psicóloga Cíntia pondera que é preciso avaliar o contexto em que a criança e o adolescente estão inseridos. "É necessária uma avaliação do modelo familiar que possa levar a reprodução de condutas negativas. Supor uma conexão entre videogames violentos e um comportamento agressivo é complexo. A convicção desse debate é que crianças e adolescentes não são capazes de distinguir a realidade da ficção, o que não é verdade".

Há diferença na forma como influencia a criança e como reflete no comportamento de adolescentes. Cíntia afirma que a infância é uma etapa fundamental na vida, na qual se desenvolvem a criatividade e imaginação e se vive a fantasia.

"Exposições não controladas e frequentes a vídeo games podem prejudicar estas questões, uma vez que a imaginação está ligada à criatividade que a criança possa desenvolver durante todas as outras fases da vida", diz a psicóloga, acrescentando que na adolescência o hábito de ficarem várias horas no videogame pode acabar atrasando a evolução psicológica, "visto que sentimentos como solidariedade, confiança e preocupação com o próximo não estão totalmente desenvolvidos. Ficar muitas horas no mundo virtual podem impedir o envolvimento desses jovens em experiências sociais positivas na vida real".

Limites

Pais e responsáveis precisam ficar atentos ao comportamento dos filhos e impor limites. "Devem sempre observar as alterações comportamentais disfuncionais de seus filhos como irritabilidade exacerbada, reprodução de atos ou falas violentas e explosões de raiva buscando se há fatores ambientais que possam estar ocasionando tais mudanças, como a exposição a jogos violentos e estabelecer regras para utilização de todas as mídias digitais", orienta Milena.

Para que os limites sejam efetivos, devem ser previamente acordado entre seus cuidadores, exposto com clareza e objetividade aos menores e sustentados ao longo do tempo. "Os pais devem determinar o tempo permitido para uso do jogo, obter informações e conhecer o jogo antes de fornecê-lo ao filho, não confiando apenas na faixa etária indicada pelo fabricante", diz Milena.

De acordo com a psicóloga Cíntia, mais que apenas limites, os pais precisam entender sobre os tipos de jogos preferidos de seu filho. "Os pais precisam ser claros e objetivos com os limites. Explicar quais os momentos em que os filhos podem jogar, quantas horas eles podem jogar, além de monitorar se esses limites vêm sendo obedecidos. O monitoramento é muito importante, para que os filhos entendam que o que foi combinado previamente será cumprido por ambas as partes".

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