Diário da Região

04/08/2018 - 00h30min

ELIANE FALCONE

Terapia do Esquema é tema de curso no Instituto de Psicologia

Considerada uma das personalidades mais importantes da área das terapias cognitivas no Brasil, Eliane Falcone ministra minicurso em Rio Preto neste sábado

Divulgação Eliane Falcone é um dos nomes importantes da terapia cognitiva
Eliane Falcone é um dos nomes importantes da terapia cognitiva

O Ipecs - Instituto de Psicologia recebe, neste sábado, 4, a professora doutora Eliane Mary de Oliveira Falcone, considerada uma das personalidades mais importantes da área das terapias cognitivas no Brasil. Ela vai realizar um minicurso sobre Terapia de Esquema, modalidade da terapia cognitivo-comportamental que trata de problemas emocionais relacionados à personalidade do indivíduo. As inscrições para o minicurso já estão esgotadas.

Segundo Eliane, a Terapia do Esquema busca modificar padrões de pensamentos, de emoções e de comportamentos autoderrotistas, desenvolvidos na infância e na adolescência, que geram sofrimento e impedimentos na formação de vínculos seguros e duradouros.

"A nossa personalidade é estruturada, desde o nascimento, a partir de temperamento herdado e das influências do ambiente. Todos nós nascemos com necessidades emocionais básicas (carinho, atenção, liberdade de ação, empatia, cuidados, orientação e limites). Quando o ambiente familiar é considerado tóxico (presença de negligência, crítica, controle excessivo, rejeição, abuso etc.), essas necessidades não são atendidas e a criança, para se adaptar, constrói esquemas", conta a professora. 

Desta forma, uma criança que é criticada com muita frequência pelos seus pais pode achar que está inadequada e defeituosa (esquema de defectividade). Isso a leva a evitar relacionamentos mais íntimos, com medo de que os outros a conheçam melhor e identifiquem os seus defeitos, rejeitando-a.

"Se uma criança sofre abusos (físico, verbal ou sexual), ela poderá acreditar que não se pode confiar nas pessoas, sob pena de ser trapaceada ou enganada. Consequentemente, ela ficará prejudicada na formação de vínculos, uma vez que estará frequentemente desconfiando e 'testando' as outras pessoas. Uma criança que é excessivamente controlada por seus cuidadores poderá desenvolver o esquema de subjugação, caracterizado por obediência excessiva e submissão", reforça. 

Os esquemas, embora desenvolvidos com o propósito de adaptação ao ambiente, assumem um caráter desadaptativo na vida adulta, razão pela qual são conhecidos como esquemas iniciais desadaptativos. Segundo Eliane, isso ocorre porque são perpetuados ao longo da vida. "Uma vez que eles geram sofrimento quando ativados, o indivíduo busca recursos para impedir esta ativação. Tais recursos, conhecidos por estilos desadaptativos de enfrentamento, acabam perpetuando os esquemas."

Como exemplo, ela cita que uma pessoa com esquema de defectividade tenderá a escolher pares críticos e rejeitadores (estilo de resignação), a evitar intimidade na relação para esconder os próprios "defeitos" (estilo de evitação) ou a agir de forma oposta ao esquema, de forma crítica e rejeitadora (estilo de supercompensação). "Com esses estilos de enfrentamento, o indivíduo permanece acreditando que é defeituoso e que precisa esconder os seus defeitos para ser considerado, além de ficar impedido de estabelecer relações genuínas e duradouras. Ele mantém uma elevada ansiedade social por se sentir avaliado e criticado, embora isso não esteja acontecendo na realidade."

A Terapia do Esquema tem como finalidade ajudar o indivíduo a encontrar formas saudáveis de atingir as suas necessidades emocionais, aprendendo a reconhecer a realidade sem a influência do esquema. O indivíduo passa a encontrar outros significados para as suas experiências, além de agir de forma diferente dos seus estilos de enfrentamento, ou seja, de modo adulto saudável. Técnicas cognitivas, vivenciais e comportamentais são utilizadas.

"A Terapia do Esquema tem demonstrado a sua eficácia no tratamento de transtornos da personalidade, dos transtornos crônicos e recorrentes, nos transtornos alimentares e na dependência de drogas. Atualmente tem sido utilizadas em grupos e em crianças", sinaliza.

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