Diário da Região

04/08/2018 - 22h07min

SONHO

Jovens carentes vão jogar NBA juvenil

Quem chega à Escola Estadual Recanto Verde Sol, no extremo leste da capital paulista, não tem muito motivo para acreditar que há uma mágica acontecendo diariamente ali dentro. Numa quadra modesta, com tinta gasta, paredes pichadas e pouca iluminação, meninas de 9 a 17 anos correm movidas por cestas e sonhos. Três delas vão jogar basquete na principal liga do mundo, nos Estados Unidos.

Kathllen Silva, 13 anos, Evelyn Vital, 14, e Julia Rabelo, 14 também, embarcaram na última sexta-feira rumo a Orlando para representar, ao lado de outros 17 estudantes, a seleção da América do Sul na edição inaugural do Campeonato Mundial Júnior da NBA. Trata-se de torneio juvenil que reúne meninos e meninas de 13 e 14 anos de várias partes do globo. O torneio será disputado entre os dias 7 e 12, dentro do complexo Walt Disney World Resort.

Há outros brasileiros na seleção sul-americana - só a equipe feminina conta com sete. Porém, o que faz da história do trio da Recanto Verde Sol quase inacreditável é a sua origem.

Primeiro, a quadra é praticamente um oásis em meio a um bairro com pouca ou quase nenhuma opção de lazer. Os crimes por ali são registrados no 49.º DP, de São Mateus, sexto pior colocado no mais recente Ranking de Exposição a Crimes Violentos da Cidade de São Paulo, produzido pelo Instituto Sou da Paz em parceria com o Estado. Enquanto a reportagem acompanhava o treino das meninas na última semana, por exemplo, corria pela escola a notícia da morte de um garoto de dez anos por suposto disparo acidental de arma de fogo dentro de sua própria residência.

Segundo, como manter em uma região na qual o esporte está longe de ser prioridade um investimento mensal na casa dos R$ 2 mil? É quanto custa o projeto tocado pelo professor Rodrigo Mussini, de 38 anos. Desse valor, apenas R$ 500 são custeados pelo governo. O resto? Bem, rifas, vaquinhas e bom coração são algumas das fórmulas encontradas para manter cerca de 80 meninas em atividade. "Sou professor nos dois períodos. Ganho por um terço das aulas. O restante é voluntário. A gente faz rifa para conseguir as coisas... Fizemos uma com a academia do bairro para as meninas treinarem de graça. É assim, pedindo para amigo, gente que está afim de ajudar, que tocamos o barco", explica Mussini.

Foi via arrecadação, também, que eles conseguiram bancar a emissão dos passaportes e vistos das três representantes da escola no torneio da NBA. "Lá elas vão encontrar uma estrutura que não fazem ideia. Muitas aqui não têm condições nem de fazer todas as refeições do dia", conta o técnico, há oito anos à frente dessa missão no bairro.

 

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