Diário da Região

28/08/2018 - 21h51min

ESTUDA, MENINA!

Jéssica planeja aposentadoria e foca em estudo

Jéssica é uma das convidadas pela CBF para participar de curso de aprimoramento oferecido pela Fifa, no Rio de Janeiro. A volante do Rio Preto já planeja aposentadoria dos gramados e aprofunda conhecimentos para seguir na modalidade

Mara Sousa 27/8/2018 Jessica se 
prepara para aposentadoria 
no campo e 
foca nos estudos
Jessica se prepara para aposentadoria no campo e foca nos estudos

Jéssica de Lima Gonçalves Lopes Ferreira, 37 anos, volante do Rio Preto há duas décadas, é uma bandeira do futebol feminino na cidade. A 'Profe', como é chamada carinhosamente por suas alunas na escolinha de base, já anunciou que vai 'pendurar as chuteiras' em 2019, ano do centenário do Rio Preto. Para amenizar essa dolorosa transição, Jéssica se dedica aos estudos sobre a modalidade, com objetivo de trilhar novos caminhos, até mesmo longe de Rio Preto.

Desta quarta-feira, 29, até o próximo domingo, 2 de setembro, ela estará no Rio de Janeiro para um curso de aprimoramento da modalidade, promovido pela Fifa em parceria com a CBF. Jéssica é uma das 27 convidadas pela entidade brasileira para o aperfeiçoamento. "Vai ser abordado desde a parte técnica de campo, pedagogia de treinos, quanto gestão. Isso porque futebol feminino é diferente das outras modalidades, muda de país para país, de clube para clube", disse Jéssica, que além de atleta, também faz a preparação física da equipe esmeraldina. "A Fifa quer saber como está a modalidade no Brasil, já que no ano que vem terá a obrigatoriedade para licenciamento".

Os clubes terão de ter equipe de base ou adulta feminina em competição regional ou nacional para disputar torneios continentais masculinos, como por exemplo, a Taça Libertadores.

O projeto de aposentadoria do campo fará com que Jéssica mergulhe fundo no aprendizado. O curso será ministrado no Rio de Janeiro e há trabalhos teóricos e em campo junto da Seleção Feminina Sub-17, é apenas o primeiro desafio. O plano é fazer o curso do Sindicato de Treinadores do Estado de São Paulo e também a Licença B da CBF. Entre as dificuldades para Jéssica neste curso, os gastos com viagens, hospedagens, alimentação, inscrições. "Estou vendo se consigo alguns descontos. A Emily Lima (técnica do Santos e amiga de longa data, jogaram juntas no São Paulo em 2000) puxou minha orelha para fazer inglês também, porque na Europa vai estar muito bom para trabalhar. A Uefa está pegando firme e vai abrir muito mercado. Me disse que já devia estar trabalhando, mas estou nesse processo de parar no ano que vem", conta Jéssica. "Vou tentar ter o máximo de conhecimento possível. Experiência de campo tenho, mas a parte teórica é muito importante, tem muita coisa que ainda não sei".

A grade do curso começa com abordagem de planos de desenvolvimento da modalidade; tendências do alto rendimento e análise de forças; fraquezas, riscos e oportunidades. Na quinta, o assunto abordado será metodologia de treinamento e personalidade de equipe; nos últimos dias, os princípios defensivos, ofensivos e sistemas de jogo. "Já trabalho com adolescente, na categoria da base, e só tenho que aperfeiçoar questão de gestão. Todo dia leio tudo sobre o futebol feminino, brasileiro e de fora do País. Como faço preparação física, tento estar ligada na evolução e recorro aos cursos on-line também", conta Jéssica.

 

Sonho de ganhar o mundo no futebol

Arquivo pessoal Jéssica com a então técnica da Seleção Brasileira, Emily Lima
Jéssica com a então técnica da Seleção Brasileira, Emily Lima

A história de Jéssica no futebol feminino se confunde com a do Rio Preto, time comandado pelo casal Chicão Regueira e Dorotéia de Souza Oliveira. Da década de 1990 desde o extinto Juventude, passando pela parceria com o América FC e agora com o Rio Preto. O início foi em Iacanga, de onde foi para o Marília, em 1997. Em 1999 chegou a Rio Preto para jogar a Paulistana. No ano seguinte, foi chamada para o São Paulo, para uma curta passagem, de cerca de três meses, devido às precárias condições do departamento.

Em 2005 tornou a sair da cidade para defender o Palmeiras/São Bernardo. "Joguei e treinei no antigo Palestra Itália e, no fim do ano, a Dorotéia recebeu a proposta para eu ir para fora, para Itália, onde fiquei só três meses também, por falta de visto", conta Jéssica, que defendeu o Marsalla Calcio Femminile. "Era burocrático, só podia ficar com visto de estudante, doença ou trabalho, mas o futebol feminino na época era amador", recorda Jéssica.

A aposentadoria dos gramados abre novas possibilidades e alimenta os sonhos de Jéssica. "Quero começar por baixo e, quando puder, trabalhar em uma equipe dita como grande no masculino. Sempre quis jogar fora do País, quis conhecer outros lugares. Na Europa, o futebol feminino é muito forte ou até mesmo na Ásia", revela. "A porta que Deus abrir, eu agarro". (OJ)

Profissionalização para garantir a renovação

Arquivo pessoal Jessica e a atacante Pikena, com quem atuou no Palmeiras
Jessica e a atacante Pikena, com quem atuou no Palmeiras

A partir de 2019, os clubes brasileiros que não tenha um time feminino disputando competições nacionais ou regionais de base, estarão proibidos de disputar torneios da Conmebol no masculino, como a Copa Libertadores. É o que exige o regulamento de licenciamento de clubes da CBF, em uma ação amparada pela Fifa que desde 2014 pede que as entidades valorizem a modalidade feminina. O que na teoria parece ser terrível, ainda é protelado por grandes clubes, haja visto o número de grandes clubes do futebol brasileiro que entraram nas duas divisões da competição nacional deste ano. A elite feminina, o Brasileiro A1, que já tem seus confrontos de quartas de final definidos, tem apenas Santos, Corinthians e Flamengo como bandeiras de expressão. A Segunda Divisão reúne os gaúchos Internacional e Grêmio. Dos times que jogaram a Libertadores deste ano, por exemplo, Cruzeiro e Palmeiras não cumpririam com o requisito.

O Palmeiras afirma que planeja a implementação de uma equipe. O São Paulo começou pela categoria de base e lançou uma equipe no Paulista Sub-17.

As punições para quem não cumprir vão de multa a exclusão de competições - a mais dura sanção prevista.

A profissionalização da modalidade ainda ganhou nova regra neste ano, com a mudança no sistema de registro de atletas. Desde janeiro de 2018, as transferências internacionais estão sendo registradas no Transfer Match System (TMS) da Fifa, como é no futebol masculino desde 2008. Assim, os clubes podem vender ou emprestar atletas para equipes de ligas nacionais e internacionais.

Clubes como Santos, Ferroviária, Sport e Iranduba estão um passo à frente na modalidade quando o assunto é a profissionalização de atletas. Há profissionais com contrato em carteira de trabalho, uma forma de blindar suas atletas, evitar o desmanche e lucrar com negociações. (OJ)

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