Diário da Região

09/08/2018 - 00h30min

RIO PRETO

Intercâmbio profissional é tendência

Modalidade de negócio é tendência em alta entre as formas de trabalho, em especial dos grandes centros urbanos; facilita para o consumidor e para o profissional, que deixa de ficar esperando o cliente chegar

Divulgação Especializada em cabelos loiros e mega hair, a cabeleireira Karla Borges divide atendimentos entre Interior e Capital
Especializada em cabelos loiros e mega hair, a cabeleireira Karla Borges divide atendimentos entre Interior e Capital

Um sábado por mês, o ortodontista Marcos Cavina sai cedo de Rio Preto e segue para Paulo de Faria, onde mantém um consultório alugado apenas para aquela data. Quando chega, às 8 horas, a fila já é grande. Como o atendimento é por ordem de chegada, os primeiros pacientes chegam às 5h. Em média, são 35 pessoas em um único dia, numa jornada exaustiva, que segue até aproximadamente 20h. "São mercados diferentes: em Rio Preto é saturação de mercado e em Paulo de Faria é necessidade de mercado", diz.

Cavina explica que atende em Paulo de Faria para complementar a renda. "Lá eu trabalho mais, o que proporcionalmente me garante uma renda maior, porque em Rio Preto não consigo atender 35 pacientes em um único dia. Já teve mês de receber 42 pacientes, o que demanda atendimento até 21 horas, mas é muito desgastante", destaca.

O ortodontista é categórico ao afirmar que o "intercâmbio profissional" é muito rentável, porém a longo prazo. "Comecei a atender em Paulo de Faria há 15 anos, a convite de um amigo dentista, que havia montado um consultório e precisava de especialista em ortodontia. Os seis primeiros meses foram muito difíceis porque não cobria os custos, mas hoje é maravilhoso", destaca. "O que pago de arrendamento do consultório por um único dia é metade do que o dentista paga de aluguel por mês. E a secretária desse mesmo consultório presta serviço neste sábado, por um valor que é muito importante para complementação de renda dela", diz.

Como a maior parte dos clientes faz manutenção mensal, o ortodontista faz o planejamento em Rio Preto e leva toda documentação ortodôntica pelo notebook. "Além disso, levo minha assistente e os materiais que tenho no consultório de Rio Preto".

A psicóloga Juliana Prado Ferrari Spolon, especialista em Recursos Humanos e coordenadora do curso de Psicologia da Unirp, destaca que o "intercâmbio profissional" é uma tendência cada vez maior dos modelos de trabalho, em especial dos grandes centros urbanos.

"Atualmente as empresas estão enxugando as estruturas organizacionais, e os profissionais estão investindo no empreendedorismo. A pessoa abre seu próprio negócio como oportunidade profissional. Essa forma de intercâmbio é uma estratégia muito bem-vinda e uma tendência porque facilita não só para o cliente, que está cada vez mais exigente, como também para o profissional, que deixou de ficar esperando o cliente chegar".

Juliana, que também é professora de pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas do Senac Rio Preto, explica que cada vez mais os clientes querem ter facilidade e maior comodidade, e o profissional também sai ganhando porque ao invés de ter custo fixo, vai até o cliente. "É uma relação ganha-ganha", destaca.

Caminho inverso

Quem também aposta no "intercâmbio profissional" para aumentar a renda é a cabeleireira Karla Borges. Especializada em cabelos loiros e mega hair, Kaborges (como é conhecida) conquistou uma boa clientela ao trabalhar durante anos em um renomado salão de Rio Preto. A reviravolta aconteceu há três anos, quando se casou e foi morar em São Paulo. Desde então, ela divide os atendimentos entre a Capital e o Interior.

"Quando me mudei, ficava uma semana em cada cidade porque tinha muitas clientes em Rio Preto. Hoje, fico três semanas em São Paulo e uma semana aqui", explica. Para compensar financeiramente, o atendimento é totalmente agendado, e com uma carga horária muito maior do que os salões convencionais. "Trabalho das 6h às 23h, todos os dias, para atender todas as clientes de um mês, em apenas uma semana", diz. Para evitar janelas, a cabeleireira trabalha com uma agenda de espera, caso alguém desmarque.

Segundo ela, o esforço compensa financeiramente. "Para mim compensa, mesmo com todos os custos de viagem e aluguel do salão, por conta da quantidade de clientes que eu tenho. Tenho muita procura, inclusive com agenda de espera".

Além disso, Karla diz que consegue reduzir o custo, porque na capital ela fica na casa da mãe. "Não tenho despesas com alimentação e hospedagem", destaca. Apesar disso, o valor de Rio Preto é abaixo de lá. "Tem diferença, porque em São Paulo eu trabalho comissionada em um salão, e o custo de vida é maior do que no Interior. Então, consigo fazer um preço melhor em Rio Preto", afirma a cabeleireira.

'Estrangeiro' faz sucesso

Divulgação Ortodontista Marcos Cavina sente-se valorizado quando chega a Paulo de Faria
Ortodontista Marcos Cavina sente-se valorizado quando chega a Paulo de Faria

Quando chega em Paulo de Faria, o ortodontista Marcos Cavina se sente uma verdadeira celebridade. "Lá eu sou o doutor Marcos, o dentista de Rio Preto. As pessoas ficam felizes em saber que eu vou atender e não se importam em esperar um dia inteiro para serem atendidas", diz se referindo a um cenário que é impensável em Rio Preto.

Na cidade vizinha, Marcos Cavina cobra o mesmo valor de Rio Preto. "O meu preço é um pouco acima da média da cidade, mas lá as pessoas não valorizam santo de casa. É aquela coisa: santo de casa não faz milagre. As pessoas valorizam profissionais de grandes centros, como Rio Preto e São Paulo".

Outra coisa bacana é que os pacientes interagem bastante, e vira ponto de encontro. "As pessoas não se importam em esperar, porque aproveitam para colocar a conversa em dia. Falam sobre as festas do final de semana, a roupa nova que chegou em tal loja. É até divertido. Então, não compensa sair cedo de casa, vir para Rio Preto, pagar Zona Azul e voltar. (RF)

Decisão de aderir a modalidade deve ter planejamento

Embora seja uma tendência de mercado, é preciso muito planejamento e organização para o sucesso do "intercâmbio profissional". Segundo a psicóloga Juliana Prado Ferrari Spolon, especialista em Recursos Humanos e Coordenadora do Curso de Psicologia do Centro Universitário Rio Preto (Unirp), o profissional deve contabilizar o tempo de deslocamento entre as cidades e possíveis imprevistos na estrada.

"Tenha em mente que podem ocorrer imprevistos das duas partes. Deixe claro no contrato que imprevistos acontecem, mas se não forem comunicados em determinado tempo, o honorário será cobrado", alerta.

A cabeleireira Kaborges, que mora em São Paulo e uma semana por mês atende em Rio Preto, diz que o planejamento é fundamental. "Embora eu tenha um estoque nas duas cidades, antes de viajar para Rio Preto faço um check list dos produtos e materiais que vou precisar para a quantidade de clientes", diz.

Organização da agenda

A organização da agenda de clientes evita horário vago. A dica de Juliana é confirmar o atendimento uns dias antes. "Hoje em dia, com as redes sociais, está muito fácil falar com as pessoas. Confirmo a presença por meio de mensagens inbox ou WhatsApp".

Kaborges diz que é comum os clientes desmarcarem, por isso trabalha com agenda de espera.

"Normalmente nunca falo para a cliente que não tem horário. Falo que vou confirmar a agenda e repasso o horário disponível. Em 30 dias muita coisa acontece e algumas pessoas também podem ter imprevistos. Normalmente as clientes já estão comigo há muito tempo, por isso deixam agendado para três ou quatro meses seguidos, para não perderem o horário. Mas como sabem da minha rotina, dificilmente desmarcam".

Respeito

"É muito comum a pessoa marcar e não comparecer. Isso desanima porque a gente se desloca e está contando com aquele valor. Os pacientes antigos sabem que precisam desmarcar com 24 horas de antecedência, caso contrário a sessão será cobrada. Mas o problema são os novos, porque não tem como cobrar. É falta de respeito com o profissional, que se locomove até a cidade e tem custos para viabilizar aquele atendimento", diz a psicóloga Regiane Humel, que às sextas-feiras atende em Catanduva.

Ordem de chegada

Para o ortodontista Marcos Cavina, que um sábado por mês atende em Paulo de Faria, o atendimento por ordem de chegada é a melhor forma de evitar janelas ou inadimplência. "As pessoas querem ser atendidas e não se importam em esperar. Esse sistema também evita atrasos, o que é ruim para o paciente". (RF)

 

Investimento a longo prazo

Fotos: Divulgação Psicóloga Regiane Humel reservou as sextas para atender na terra natal e com isso ganhou uma
Psicóloga Regiane Humel reservou as sextas para atender na terra natal e com isso ganhou uma "compensação emocional"

A rotina agitada em Rio Preto, com pouco tempo para visitar os familiares, fez com que a psicóloga Regiane Humel enxergasse em Catanduva a oportunidade de juntar o útil ao agradável: conquistar novos e clientes e estar mais perto dos pais. "Como sou de Catanduva e meus pais moram lá, algumas pessoas me procuravam para sessões esporádicas de auriculoterapia e psicoterapia. Mas as pessoas não tinham condições de vir para Rio Preto toda semana. E como eu não tinha um consultório lá, o tratamento ficava inviável".

"Quando decidi que seria interessante ter um consultório lá, até para ficar mais perto dos meus pais, apareceram propostas para participar do Projeto Pescar e para atendimento no Doutor Solidário, que é uma clínica multidisciplinar com valor mais acessível para a população. Tudo foi se encaixando: a necessidade das pessoas, a minha necessidade de estar perto da família e as oportunidades que surgiram".

A partir daí, Regiane reservou as sextas-feiras para atendimento na cidade Natal. O problema, segundo ela, é que existe uma distância entre o público que se mostra interessado e aquele que efetivamente inicia o tratamento. "Eu tinha uma lista grande de pessoas que gostariam de fazer terapia, mas quando iniciei atendimento, muitos não foram, até por questões financeiras. Alguns marcam e não vão. Isso prejudica", explica.

Justamente por isso, Regiane diz ainda que não compensa financeiramente. "Hoje não compensa, mas empata financeiramente. Emocionalmente, para mim, compensa porque fico mais próxima dos meus pais. Mas acredito que tudo, inicialmente, é um investimento. O custo não é alto, porque tenho a casa dos meus pais e economizo com almoço e hospedagem. Talvez por isso, ainda compense".

Mesmo assim, Regiane acredita que "o atendimento realizado em Catanduva foi um presente" porque "é muito bom poder atender na cidade dos nossos pais". (RF)

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