Diário da Região

09/08/2018 - 00h30min

Consumo

Perspectivas negativas para a economia brasileira

Estudo da Acirp que mostra a intenção de compras para o quarto trimestre em Rio Preto revela redução no índice do período para 15%, pautado nas incertezas políticas e econômicas que afetam o Brasil

Guilherme Baffi/Arquivo Setor de vestuário é o que tem mais projeção de compras pelo consumidor de Rio Preto
Setor de vestuário é o que tem mais projeção de compras pelo consumidor de Rio Preto

As perspectivas negativas para a economia brasileira derrubaram o índice de confiança de consumidores e empresários de Rio Preto. Pesquisa de Intenção de Compras do Terceiro Trimestre, realizada pelo Centro de Estudos Econômicos (CEE) da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp) mostra que o índice de intenção de compra fechou em 15%, abaixo dos 17% do trimestre anterior e dos 19% de igual trimestre de 2017. Também houve redução em relação ao índice do primeiro trimestre de 2018, que foi de 17%.

Para o presidente da Acirp, Paulo Sader, a redução nos índices de confiança reflete a situação econômica - fruto das elevações de preço e da insegurança no abastecimento - provocada pela greve dos caminhoneiros. "Mas o cenário também está contaminado pelo ambiente político de incertezas. Economia é expectativa e se os agentes econômicos não identificam nos candidatos quem tem real possibilidade de se eleger e qual a nova postura que o governo brasileiro vai adotar, todos ficam na defensiva esperando que as coisas se definam para depois estabelecer algum tipo de movimento de compra".

A pesquisa começou a ser feita em outubro do ano passado, quando a Acirp criou o Centro de Estudos Econômicos, iniciativa que conta com a parceria do Centro de Estudos e Pesquisas do Varejo (Cepev/USP) e da Unirp. O economista Ary Ramos, coordenador do curso de Economia da Unirp, afirma que as quatro pesquisas dão um diagnóstico preciso da situação. "O consumidor, a população em geral, está apreensivo na hora de comprar. Ele tem necessidades, mas está se segurando com medo do que virá. Entretanto, as perspectivas já apontam para melhora".

O levantamento identifica, mais uma vez, que o setor de vestuário é a categoria com maior intenção de compra entre as 12 que integram o estudo. O índice chegou a 31% no terceiro trimestre, seguido pela linha branca e telefone celular e fixo, ambos com 18%. Na outra ponta, o setor de eletroportáteis registrou 8%, o menor potencial, antecedido por material de construção e decoração, ambas com 9% de intenção.

"As compras de longo prazo, com as atuais incertezas, são arriscadas. Percebemos esse receio até mesmo nos grupos de maior renda", disse o economista. Isso porque, acrescenta ele, a sociedade global está vivendo, pela primeira vez, um modelo de tecnologia com a inteligência artificial que começa a gerar desemprego. E as classes média e mais altas também estão preocupadas com essa situação.

Ao mesmo tempo, houve aumento na intenção de compra de material de construção em relação ao trimestre anterior, chegando a 16%, assim como em relação aos automóveis, que atingiu 15%. O consumidor também está mais propenso a comprar itens de linha branca, já que o índice cresceu e atingiu 18% no trimestre.

Volume

Na participação em volume financeiro - sem automóveis - se destacam viagens e turismo (R$ 2.582), telefone fixo e celular (R$ 1.748), informática (R$ 1.608) e eletroeletrônicos (1.558), que registraram alta em relação ao quarto trimestre do ano passado. Embora seja o destaque na intenção de compras, o vestuário é o que tem menor valor, de R$ 111.

Em relação às vendas, a Acirp entende que esse não é um período de motivação e compras, porque só há o Dia dos Pais como estímulo. "Existe uma tendência de queda ou estabilização no índice de confiança do consumidor e, respectivamente, no índice de intenção de compras. Não tivemos uma efetiva recuperação de empregos e a massa salarial está mais baixa", disse Sader.

 

Pesquisa

Intenção de compra

  • 4º trimestre 2017 - 19%
  • 1º trimestre 2018 - 17%
  • 2º trimestre 2018 - 17%
  • 3º trimestre 2018 - 15%

Por categoria (3º tri 2018)

  • Vestuário 31%
  • Telefone celular/fixo 18%
  • Linha branca 18%
  • Móveis 16%
  • Informática 15%
  • Automóveis 15%
  • Viagens/turismo 14%
  • Eletroeletrônicos 12%
  • Cama, mesa, banho 11%
  • Decoração 9%
  • Material de construção 16%
  • Eletroportáteis 8%

Valor médio por item (3º tri 2018)

  • Viagens/turismo R$ 2.582
  • Telefone celular/fixo R$ 1.748
  • Informática R$ 1.608
  • Material de construção R$ 1.605
  • Eletroeletrônicos R$ 1.558
  • Linha branca R$ 1.314
  • Móveis R$ 1.153
  • Eletroportáteis R$ 398
  • Decoração R$ 211
  • Cama, mesa, banho R$ 150
  • Vestuário R$ 111

*sem automóvel Fonte - Acirp

 

Pagamento a prazo predomina nas categorias

O consumidor continua atrelado ao crédito para fazer suas compras. Tanto que das 12 categorias, em apenas três - de menor custo - a opção é pelo pagamento à vista. São elas: vestuário, cama, mesa e banho e itens de decoração. Nessa modalidade, a principal escolha é o dinheiro. O cheque foi abandonado, segundo a pesquisa realizada pela Acirp.

No pagamento a prazo, o predomínio é do cartão de crédito. Quando são itens de maior valor, como linha branca, automóveis e eletroeletrônicos, o percentual de respostas para pagamento a prazo está acima de 60%. Quando a compra é de automóveis, a escolha para o pagamento do bem - de alto valor - é o financiamento, com 74%.

O consumidor rio-pretense também não abre mão de pesquisa para ver seu dinheiro valer. O levantamento mostra que a cotação em loja física predomina em sete categorias. Em outras quatro - informática, telefone celular e fixo, eletroeletrônicos, viagens e turismo - a internet lidera e no setor de eletroportáteis há um equilíbrio.

O varejo que atende no canal físico também continua como a preferência do consumidor local e para quem vende decoração, vestuário, automóveis, material de construção e cama, mesa e banho, a opção é superior a 70%. Além disso, lojas de rua ainda têm preferência sobre as de shopping, exceto para vestuário, telefonia, viagem e turismo.

Paulo Sader destaca que o cenário de conservadorismo descrito na pesquisa deve ser analisado de forma otimista, tendo em vista que no próximo trimestre as eleições já estarão definidas. "Nós temos é que olhar para frente, independentemente se o regime econômico vai ser desenvolvimentista, de distribuição de renda ou mais fiscalista - se vai tributar mais as empresas e as pessoas. O próximo trimestre traz a garantia para o varejo de uma sociedade mais estabilizada".

A pesquisa foi feita com 730 pessoas com idades entre 20 e 69 anos, com faixa de renda a partir de R$ 2.152,40 até mais dez salários mínimos. O levantamento foi feito entre os dias 25 de junho e 1º de julho, em Rio Preto. (LM)

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