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02/08/2018 - 00h44min

Futuro promissor

Especialistas explicam como fazer o dinheiro render na crise

Pesquisa aponta baixo índice de brasileiro que guarda dinheiro pensando na aposentadoria; especialistas dão dicas para quem pensa em começar a poupar

Há cerca de três anos, o universitário Alexandre Frushio de Souza, 24 anos, navegava na internet e, por acaso, assistiu a um vídeo com dicas de finanças. "Fiquei curioso e gostei do que vi. Percebi que era uma possibilidade não só de juntar dinheiro, mas também de fazer render mais". A partir daí, o estudante começou a buscar por conta própria mais informações sobre o tema, vendo vídeos e lendo artigos na internet, e também por meio de livros.

Coincidentemente, na mesma época, ele começava em um novo emprego. Com a sorte de ainda morar com os pais, Souza então começou a se planejar. Atualmente, todo mês ele utiliza 50% de seu salário para seus gastos essenciais e investe os outros 50% em títulos públicos. Do total poupado, o universitário investe 35% no Tesouro Selic, fazendo uma reserva de emergência, e aplica 15% no Tesouro IPCA, com vencimento a longo prazo, visando a aposentadoria. Além disso, no momento, Souza dedica-se a pesquisar sobre Previdência Privada. Ele quer entender melhor como funciona para, futuramente, investir em um plano de forma assertiva.

O jovem estudante de Rio Preto contraria o comportamento da maioria da população brasileira. Recentemente, uma pesquisa do Banco Mundial apontou que, em 2017, apenas 11% dos brasileiros pouparam pensando na velhice. O índice colocou o Brasil numa posição bastante ruim, a 101ª colocação, entre 144 países. Ao todo, o estudo envolveu 150 mil pessoas, sendo mil do Brasil. Na faixa etária em que o universitário se enquadra, entre os 15 e os 24 anos, o desempenho é ainda pior: apenas 6% dos entrevistados responderam ter o hábito de poupar.

Para João Elias Martins, contador e consultor financeiro, essa dificuldade do brasileiro em se planejar financeiramente pensando no futuro é um problema cultural e de educação. "A maioria das famílias brasileiras não fala sobre finanças domésticas com os filhos e, muito menos, sobre a importância de poupar. As escolas, por sua vez, também não abordam o assunto. Quando esse aluno vai para o mercado de trabalho, o único estímulo que recebe é o do consumo. E do consumo via financiamento, em vez do consumo via poupança", considera.

"O consumismo tornou-se sinônimo de status no mercado atual e renunciar ao prazer imediato para ter algo mais adiante é uma dificuldade da natureza humana, que é resistente em encarar o futuro", acredita a administradora Rosângela Vilela Bianchi, coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Unorp.

Na opinião dela, planejar a aposentadoria depende de organização e, antes de tudo, é preciso refletir como se espera que seja a vida de aposentado. "Tendo isso bem desenhado em sua mente, com riqueza de detalhes, fica mais fácil estabelecer as metas".

Benefício

Para quem nunca teve a preocupação de poupar, a primeira providência é tomar consciência e entender o porquê da importância e qual o real benefício para si ao poupar todo mês, segundo Martins. "Não adianta decidir poupar somente um mês ou outro. É necessário que se faça isso todo mês, ao longo de vários anos, fazendo o esforço de se lembrar dessa motivação toda vez que for poupar, para não ceder à tentação de um resgate na primeira vontade de trocar de carro, de eletrodoméstico", aconselha.

É preciso lembrar que aquele valor poupado é para proporcionar um futuro mais tranquilo para si e para sua família quando não mais puder obter renda do trabalho. "Quando falamos em aposentadoria, devemos pensar no que devemos fazer para garantir uma renda quando não mais pudermos ou quisermos trabalhar", reforça. O primeiro passo é fazer simulações para o investidor tomar conhecimento do quanto investir e quando se aposentar (alguns sites disponibilizam a ferramenta).

 

Como se planejar

Para começar a poupar

  • O hábito de fazer uma reserva deve ser criado desde cedo. É importante, inclusive, ensinar às crianças a educação financeira
  • Com uma planilha de orçamento organizada e informações completas sobre quanto você recebe e quanto gasta todo mês, fica muito mais fácil compreender sua situação financeira
  • Calcule "receita menos despesa". O resultado deverá ser positivo, caso contrário, você precisará fazer ajustes ou cortes de despesas extras
  • Não espere o mês terminar para você guardar o que restar
  • Planejadores financeiros recomendam guardar mensalmente 10% da sua renda, mas tudo depende da sua realidade. Estabeleça um percentual e comece o quanto antes
  • No início, guarde esse dinheiro em uma conta de poupança ou aplique em algum investimento de baixo risco, que lhe assegure segurança e liquidez (que você consiga sacar, caso necessário) e só utilize, caso realmente precisar
  • Dessa forma, estará iniciando a sua reserva. O importante é começar, estabelecendo metas

Poupar para a aposentadoria

  • Comece definindo o seu objetivo, já que sem ele não é possível planejar. Depois, determine quando pretende se aposentar e quanto pretende juntar
  • Algumas dicas do que levar em consideração na elaboração do seu planejamento: o que você quer; com que receitas você poderá contar; quanto precisará juntar; quanto poupar para atingir esse patrimônio
  • Comece o quanto antes e seja regular
  • Coloque seu plano em ação e reveja periodicamente sua estratégia
  • Existem atualmente inúmeras planilhas em sites que poderão auxiliar nos cálculos para uma projeção futura.

Fonte: Rosângela Vilela Bianchi, administradora e coordenadora do curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Unorp

 

Tesouro Direto é um bom começo

Johnny Torres 1/8/2018 João Elias Martins sugere que poupador comece pelo Tesouro Direto
João Elias Martins sugere que poupador comece pelo Tesouro Direto

Segundo João Elias Martins, as opções de investimentos podem ser muitas e das mais variadas possíveis: podem ir, desde uma simples poupança a investimentos em CDBs, fundos de investimentos, imóveis, ações, entre outras.

Para aqueles que buscam dar início ao hábito de poupar, a recomendação de Martins é a modalidade do Tesouro Direto, mais rentável que a poupança, que alguns fundos de investimento e que a previdência privada. "Mas é necessário que o poupador dedique um pouquinho mais de tempo".

No site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto, é possível receber as instruções, fazendo simulação de quanto poupar por mês. "Os investimentos podem ser a partir de R$ 50 por mês e o risco é zero, pois o governo garante o resgate dos investimentos, podendo o poupador sacar a qualquer momento. O único detalhe é que será necessário cadastrar-se numa corretora, enviar o dinheiro para a corretora e por meio dela fazer as aplicações ou o resgate".

Aos que vão optar por um plano complementar de previdência, o consultor financeiro explica que a previdência privada "não tem nada de complicada". É preciso entender quanto poupar, por quanto tempo e quando resgatar. "A recomendação é poupar a partir de 5% da sua renda mensal - quanto maior o esforço, melhor a recompensa. Quanto mais cedo iniciar, melhor será o valor disponível para resgate no futuro. Nesta modalidade, é o cidadão que decide o momento que deseja iniciar os saques mensais", pontua.

Ele observa que é preciso verificar as taxas de administração que cada plano cobra - "quanto maior a taxa de administração, menor será o rendimento dos juros dos seus recursos aplicados". E recomenda escolher entre as modalidades PGBL ou VGBL. "O PGBL é um tipo de previdência mais indicado para aqueles que já fazem a declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) pelo modelo completo. Com ele, poderá ser feita a dedução de até 12% de sua base tributável. A tributação ocorrerá no momento do resgate dos valores investidos", explica. Já o VGBL não permite que seja feito tal abatimento na declaração e, em contrapartida, não sofre tributação quando for resgatar.

"Nos planos de previdência privada, o investidor não tem obrigação de depositar um valor fixo todo mês. Pode investir menos quando faltar dinheiro ou mais quando receber o 13º, por exemplo. Existe uma fase de acumulação, na qual o indivíduo vai aportando recursos, e uma fase de usufruto, que é já na aposentadoria, em que usará os recursos acumulados até, espera-se que, o fim da vida", assinala Rosângela. (GD)

 

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