Diário da Região

17/08/2018 - 22h52min

AgroDiário

Região de Jales deu início à safra e os produtores estão animados

Produtores estão animados com preços, e clima favorece produção

Importante polo de produção de uvas de mesa do Estado de São Paulo, a região de Jales deu início à safra 2018 e os produtores estão animados com os preços praticados em relação ao ano passado. Além disso, as condições climáticas favoreceram a produção.

Na região de Jales, destaca-se a produção de uvas finas das variedades itália, benitaka, brasil, redmeire e rubi, além da uva niágara, classificada com uva comum de mesa. Segundo Gilberto Pelinson, engenheiro agrônomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) Regional de Jales, a previsão é colher nesta safra 16 mil toneladas de uva fina e 5.650 toneladas de uva comum. A estimativa de produção de uva fina é um pouco abaixo de 2017, que alcançou 17.250 toneladas. No caso da uva comum, a previsão é maior que o volume colhido no ano passado, de 5.200 toneladas.

Pelinson observa que, na região, tem crescido a produção das novas variedades de uva lançadas pela Embrapa, e ainda não há dados referentes a essas novas áreas. Em 2013, a Embrapa lançou algumas cultivares de uva como a BRS Vitória (negra sem semente), BRS Núbia (negra graúda com semente) e BRS Ísis (vermelha). A partir daí, alguns agricultores da região começaram a testá-las, inicialmente em pequenas áreas. Com os bons resultados obtidos, a área com as novas cultivares aumentou e mais viticultores estão as utilizando.

"Essas cultivares foram bem aceitas pelo mercado, e na região Nordeste do Brasil há áreas de tamanho considerável em produção", diz o engenheiro agrônomo. Pelinson explica que as novas uvas apresentam uma característica agronômica importante, que é a tolerância à principal doença fúngica das videiras da região de Jales, o míldio, e isso permite diminuir consideravelmente a utilização de fungicidas.

Mercado

No início da colheita, no final de junho, ainda havia oferta das regiões produtoras de Campinas e Norte do Paraná. Com isso, os preços não estavam tão atrativos para os produtores de Jales e região. A partir de 10 de julho, os valores começaram a melhorar e mantêm-se nos mesmos patamares. Produtores têm recebido por uvas como a itália, benitaka, rubi e brasil de R$ 3,50/kg a até R$ 4/kg. Já pela niágara, de R$ 3,80/kg a até R$ 4,50/kg.

"O mercado está firme e o preço estabilizado. Ano passado, nesta mesma época, os preços praticados estavam em torno de 25% a 30% menores. Pelo preço de hoje, se a propriedade estiver com uma produção boa, em torno de 30 toneladas por hectare, a atividade já é rentável", diz o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e supervisor da Estação Experimental localizada em Jales, João Dimas Garcia Maia, que também é produtor de uva niágara rosada.

Ele assinala que, de modo geral, a produção está boa. As condições climáticas favoreceram a produção nesta safra tanto no que diz respeito às temperaturas quanto à quantidade de chuva. Tais fatores influenciam a qualidade das uvas, ou seja, o tamanho do fruto, a coloração da casca e o teor de açúcar. "Fez pouco frio (quando o frio vem forte, atrapalha a plantação), e as uvas não tiveram dificuldade para se desenvolver. Outro aspecto é que quase não choveu, então não teve problemas de doenças". Em sua propriedade, são 60 mil pés, em uma área de 34 hectares, com previsão de colheita de 600 toneladas. A colheita começou em 10 de junho e vai até 30 de outubro. Ele também possui 500 pés de uva sem semente, a vitória.

Produção vai até novembro

A produção de uva fina da região de Jales corresponde de 20% a 30% da produção paulista, dependendo do ano. Já a produção de uva niágara, representa 3% da produção paulista, considerando-se o ano todo. Porém, no período de entressafra, pode chegar a 75% da produção do Estado, segundo informações da Cati Regional de Jales. Das uvas produzidas na região, a maior parte vai para compradores dos estados do Sul do País, ou diretamente para redes de supermercados do Estado de São Paulo.

"Até o início dos anos 2000, a região produzia num período considerado de entressafra. Atualmente, a produção de uva fina sofre a concorrência com as principais regiões produtoras de uva do País, o que tem dificultado", afirma o engenheiro agrônomo Gilberto Pelinson, da Cati.

Entressafra

Ele observa que, no caso da uva niágara, ainda é possível considerar como entressafra, porque as podas de produção das regiões tradicionais no Estado de São Paulo são iniciadas após o período de inverno. "Como na nossa região o inverno é mais curto e menos vigoroso, é possível fazer a poda nos meses que o antecedem, e isso permite a produção de entressafra, normalmente, até meados de novembro".

Alguns produtores de uva niágara produzem uma segunda safra, com menor produção, chamada de safrinha. "Mas os resultados nem sempre são interessantes, porque competem com as produções da safra normal; os preços são mais baixos e o controle das doenças fica mais difícil. Tecnicamente é uma prática questionável", afirma o agrônomo. (GD)

Variedades se destacam

Além da boa adaptação ao clima da região de Jales, os preços das novas variedades de uva da Embrapa, em especial da BRS vitória, também são atrativos para os produtores. Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Esalq/USP, no período de 23 a 27 de julho, a vitória teve média de R$ 6,17/kg, preço 11,5% maior que o pago aos viticultores do Nordeste.

A nova variedade tem ocupado áreas de uvas tradicionais como a itália, benitaka e brasil. Pra o Cepea, sua rentabilidade pode manter-se acima da rústica niágara, e a produção anual deve crescer na região de Jales.

Com 5 mil pés em uma área de oito hectares, Antônio Preti produz cinco variedades de uvas finas de mesa, e é um dos que têm se animado com o cultivo da vitória. Ele considera que os valores das novas uvas estão bastante atrativos. "Os preços das uvas novas estão bem melhores do que em 2017", pontua o viticultor.

Na venda direta no varejo, o preço da BRS vitória tem ficado na faixa dos R$ 8/kg a R$ 10/kg. Outra nova variedade lançada pela Embrapa, a BRS núbia tem alcançando em torno de R$ 5/kg, no atacado. (GD)

Polo produtor

A região de Jales tem aproximadamente 530 produtores de uva, em 20 municípios, totalizando uma área em torno de 750 hectares, conforme estimativa da Cati Regional de Jales.

"Na região, o ciclo de produção da uva ocorre no período mais seco, o que é vantajoso no controle das doenças fúngicas, que necessitam de umidade para se desenvolver. Neste ano, como o período não teve muitas chuvas, foi favorável à produção de uva, possibilitando a diminuição de uso de fungicidas", explica o engenheiro agrônomo da Cati Gilberto Pelinson.

Com 5 mil plantas, Sérgio Rodrigues produz uva niágara, itália e benitaka e avalia que os preços atuais já cobrem os custos. Ele tem duas pequenas propriedades e trabalha com mão-de-obra familiar. A colheita da niágara está em andamento, e das demais, deve começar até o dia 25. "A qualidade da uva está boa e estou mais animado do que o ano passado."

Em 2017, houve problemas em relação ao preço - em alguns casos, os preços praticados foram muito baixos. "O preço é bastante variável durante o período de safra, porque sofre influência das outras regiões produtoras", diz Pelinson.

 

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