Diário da Região

04/08/2018 - 00h30min

AGRODIÁRIO

Plantio de cacaueiro associado à seringueira é tema de palestra

Tradicional produtora de borracha, região de Rio Preto tem potencial para o plantio de cacau consorciado com a seringueira; alternativa para enfrentar períodos de baixa rentabilidade da atividade

Uma tecnologia de plantio de cacaueiro associado à seringueira tem sido alvo de estudos e despertado o interesse de produtores da região e será o foco de um encontro que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) Regional de Rio Preto, Associação Comercial e Empresarial (Acirp), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Sindicato Rural realizam no próximo dia 15. Trata-se da 3ª Reunião Técnica de Heveicultura: Consórcio Seringueira Cacau - Viabilizando a Heveicultura no Planalto Paulista.

A programação será dividida em duas etapas. No período da manhã, no Centro de Convenções da Acirp, serão realizadas palestras para o público geral, com vários temas relacionados ao sistema. À tarde, serão avaliados os projetos em desenvolvimento na região.

Integrantes do Corpo Técnico de Heveicultura da Cati, os engenheiros agrônomos Andrey Vetorelli Borges, Fernando Miqueletti e Fioravante Stucchi Neto apontam que as principais vantagens de investir nesse sistema são: a geração de receitas durante o período de imaturidade econômica da seringueira; a otimização do uso dos recursos (como área, equipamentos, mão de obra, água e nutrientes); a melhora do fluxo de caixa da propriedade e a diminuição do risco econômico da atividade.

Eles explicam que a Cati, por meio de trabalhos de campo, identificou uma redução no plantio da seringueira em razão do desinteresse na cultura por conta de aspectos econômicos como preços baixos e a dificuldade em fidelizar a mão de obra. Com isso, o grupo técnico de trabalho buscou alternativas que viabilizassem a manutenção das áreas e novos plantios na região.

A alternativa principal foi a adoção de plantio consorciado, onde inicialmente foi preconizado o plantio de culturas intercalares, como milho e banana, na fase inicial de formação, e, posteriormente, a adoção do cultivo do cacau, que permitirá a exploração econômica de forma longeva como a seringueira (ambas produzindo por até 40 anos).

Segundo os agrônomos, o projeto está na fase inicial de avaliação. Atualmente, existe na região um plantio comercial com diversos materiais genéticos sendo avaliados e iniciando a produção. Na área, são testados dois sistemas: cacau cultivado à sombra da seringueira e cacau cultivado em faixas intercalares de seringueira. Além disso, há pequenas áreas experimentais espalhadas pela região que ainda não entraram em produção.

"O sistema de consócio gerou uma expectativa por apresentar um grande potencial econômico. Dessa forma, vários produtores estão interessados em conhecer os sistemas já implantados na região, com o intuito de adotar essa tecnologia", contam.

Rentabilidade

Considerando os preços atuais, a seringueira gera uma rentabilidade em torno de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil por hectare. "Quando comparamos o sistema consorciado com o cacau, podemos ter um incremento de duas a seis vezes o valor do cultivo isolado da seringueira, dependendo do sistema de consórcio adotado", revelam os agrônomos.

Para não correr o risco de começar a implantar o sistema de forma errada, a orientação é que o produtor interessado procure a Cati, que irá direcionar técnicos para fazer um diagnóstico e, a partir daí, realizar o planejamento adequado para as condições adequadas.

Vale observar que, ao longo de cinco anos, o corpo técnico da Cati vem acompanhando projetos na região, além de realizar visitas em áreas de produção nos estados da Bahia e Espírito Santo e promover aperfeiçoamento técnico junto a entidades de pesquisa, como a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), havendo uma constate troca de informações pertinentes ao cultivo consorciado.

E um dos resultados desse trabalho é a elaboração de uma Nota Técnica que visa a ordenar o plantio consorciado no Estado de São Paulo, diminuindo possíveis equívocos. Os produtores podem acessar as informações no site da Cati (www.cati.sp.gov.br).

Programe-se

  • As palestras da Reunião Técnica da Heveicultura, que será realizada no próximo dia 15, serão das 8h às 12h30. O evento será gratuito, e a entrada condicionada à doação de cinco quilos de arroz, a serem destinados ao Banco de Alimento. A expectativa é reunir um público de 200 interessados no plantio consorciado de seringueira e cacau, como potencial alternativa econômica de cultivo para a região.
  • Os temas das palestras serão os seguintes: Desafios e Perspectivas do Consórcio Seringueira e Cacau, com o engenheiro agrônomo Fioravante Stucchi Neto; Implantação e Manejo da Cultura do Cacau - do Plantio a Pós Colheita, com o engenheiro agrônomo George Andrade Sodré, e Plantio de Cacau em Consórcio nas Áreas não Tradicionais, com o engenheiro agrônomo José Basílio Vieira Leite, ambos da Ceplac de Ilhéus.
  • Informações adicionais pelo telefone: (17) 3224-7533.

Estatísticas

Edvaldo Santos/Arquivo Na região, a produção de toneladas de 
coágulo cresceu 7,6% 
em relação ao 
período anterior
Na região, a produção de toneladas de coágulo cresceu 7,6% em relação ao período anterior
  • O Estado de São Paulo tem uma área plantada de 110 mil hectares de seringueira, onde foram produzidas 98 mil toneladas de borracha seca em 2017. O Estado é principal produtor nacional, respondendo por 56% da produção
  • A região de Rio Preto possui cerca de 16 milhões de seringueiras em uma área de 34 mil hectares, onde são produzidas 28,1 mil toneladas de borracha seca
  • A receita local oriunda do setor da borracha corresponde a R$ 138 milhões/ano, sendo a maior parte desses recursos distribuídos entre pequenos e médios produtores
  • Esse valor, porém, tem oscilado em função da queda do preço da borracha no mercado internacional
  • Na região, a importância socioeconômica da heveicultura é caracterizada pela geração direta e indireta de empregos no meio rural e pela renda que movimenta a economia dos pequenos municípios
  • A Bahia é o principal produtor de cacau, seguida pelo Pará e o Espírito Santo
  • O plantio consorciado ocorre principalmente nos estados da Bahia e Espírito Santo, que também são tradicionais produtores de borracha

Fonte: Corpo Técnico de Heveicultura da Cati Regional de Rio Preto

Baixa cotação e clima afetam safra

Para Diogo Esperante, diretor executivo da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), a entidade vê a proposta de consórcio entre seringueira e cacau no Noroeste Paulista como um esforço válido por se tratar de uma ferramenta que pode ajudar o produtor rural a reduzir sua exposição a situações cíclicas de queda de preços, como a que o setor vive hoje. "A produção consorciada ajuda ao produtor a diversificar sua renda, equilibrando a viabilidade econômica do projeto".

Ele observa que a safra 2017/18, que acaba neste mês, sofreu não apenas com a baixa da cotação internacional, mas com as intempéries climáticas que afetaram a produção, trazendo excesso de chuva no final de 2017 (e início de 2018) e, posteriormente, seca de abril em diante, sobretudo no Noroeste Paulista.

"Para o início da nova safra segue a expectativa com o câmbio que, por hora em alta, opera como um hedge natural para nossa cultura e pode ajudar a manter os preços em um patamar que permita um equilíbrio mínimo das contas para atravessar o período de baixa. Atualmente, o valor do quilo do coágulo é de R$ 2,40 e, segundo ele, o valor mínimo teria de ser de R$ 2,75.

Estratégia

Esperante considera que as indústrias consumidoras de produtos que possuem borracha (como as montadoras de veículos) estão atentas às questões de desmatamento e exploração do trabalho. Diante disso, o Brasil tem a oportunidade de destacar seu produto como uma alternativa mais sustentável, uma vez que os índices de responsabilidade social e preservação ambiental nos países do Sudoeste Asiático (principais produtores de borracha do mundo) são muito baixos.

Com relação à tecnologia, ele assinala que apesar de o processo produtivo nacional não ser mecanizado, isso não quer dizer que haja tecnologia. "Nossa produção (que emprega uma pessoa a cada oito hectares) é altamente tecnificada e exige muita formação e treinamento. Por essa razão, as ações de apoio à pesquisa e extensão rural são tão importantes para o nosso setor".

O diretor diz que, desde sua criação, a Apabor tem apoiado a promoção e difusão do conhecimento sobre a heveicultura no Brasil. Nesse contexto, a entidade realiza o Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista. Neste ano, o evento, em sua 11º edição, será nos dias 22 e 23 de novembro, no Ipê Park Hotel.

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