SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 05 DE DEZEMBRO DE 2021
Artes Visuais

Projeto Mola resulta na exposição coletiva Tensão (dis)tensão

Depois de dez meses de encontros, estudos e provocações, projeto Mola resulta na exposição coletiva Tensão (dis)tensão, cuja abertura é nesta quarta-feira, 15, no Sesc Rio Preto

Beto Carlomagno
Publicado em 14/08/2018 às 18:41Atualizado em 08/07/2021 às 03:44
Obras ficam expostas na área de convivência do Sesc e a visitação é gratuita (Fotos: Guilherme Baffi 14/8/2018)

Obras ficam expostas na área de convivência do Sesc e a visitação é gratuita (Fotos: Guilherme Baffi 14/8/2018)

Provocação contínua por dez meses. Exercícios práticos, teóricos e de análise compartilhada constantes em busca de tensionar e estender limites de artistas rio-pretenses para levá-los a um espaço fora do lugar comum, para além da zona de conforto. Essa era a proposta do projeto Mola, realizado pelo Sesc Rio Preto e coordenado pelo artista transdisciplinar Fernando Velásquez e o artista e pesquisador de novas mídias Lucas Bambozzi, que agora rende a exposição coletiva Tensão (dis)tensão, cuja abertura é nesta quarta-feira, 15.

Desde novembro, a dupla de coordenadores realizava encontros mensais com os artistas rio-pretenses para instigar e fazer com que eles saíssem da acomodação que é não criar nada, como explica Lucas. "A gente entende que criar dói um pouco, incomoda um pouco, é como se tivesse algo perturbando a ordem. A pessoa, quando é provocada em algo, sente certa obrigação de dar uma resposta. E essa resposta, que vem na forma de uma criação, de um trabalho, de um exercício ou de um comentário, se mostrou muito interessante neste processo".

Outra estratégia da dupla para contornar a esporadicidade dos encontros foi contar com uma diversidade de artistas convidados. Passaram por aqui Maurício Ianês, Jorge Menna Barreto, Giselle Beiguelman, Gabriel Menotti e Ricardo Basbaum, todos referência quando se trata de arte e de inovação no Brasil.

"Foi uma estratégia fundamental porque acabou movimentando o grupo de artistas diversos que participaram do projeto, possibilitando um contato entre eles. Se você falasse de um único assunto, as chances de conectar com todo mundo seriam bem menores. E como a gente tentou criar uma escuta bem ampla quanto à abordagem da arte com cada um dos convidados, conseguimos manter o grupo firme até o fim", conta Fernando.

Mas a escolha dos artistas convidados também foi importante por cada um deles também ser docente acadêmico. Isso implica que são artistas que sabem lidar também com a questão da pedagogia, o que os coordenadores acreditam ser fundamental para o resultado final. Cada um trouxe a sua abordagem e, segundo Fernando, dá para ver claramente entre os artistas locais quais foram os pontos disparadores para suas obras.

"Se você analisar um a um, vai ver que tem gente que foi para a rua, tem gente que foi mapear a cidade, tem gente que foi trabalhar com novas mídias e tecnologia. Isso que é o mais magnífico. Apesar de as pessoas terem esse contato com os convidados e terem sido tocadas pelos discursos e pelas formas diferentes de ver o mundo e a arte, cada um escolheu o que lhe era mais próximo, e isso fica bem evidente no trabalho apresentado".

E apesar de cada artista local ter sua própria linguagem e abordagem da arte, a exposição não se tornou algo esquizofrênico, garante Lucas. O que contribuiu para que houvesse essa harmonia foi o processo estendido que levou a uma convivência entre os artistas. Isso gerou um diálogo entre a diversidade dos trabalhos e a união do contexto.

"Nosso processo foi acontecendo por dez meses, então está na pauta interna de cada um como conviver com o outro. E mais: a maior parte dos artistas convive entre si em Rio Preto. Então, a cada sábado a gente via a diversidade se afirmando, porque a ideia não era que os trabalhos fossem iguais, mas que houvesse diálogo. Em resumo, quero dizer que a diversidade acaba afirmando a singularidade de cada um, sem comprometer o que há de diverso, mas criando uma convivência".

É uma construção social limitada ao ambiente da arte e da exposição que Lucas acredita servir de referência para a trama social. "Em vez de se exacerbar e produzir rupturas, há esse entendimento tácito em que cada um afirma sua diferença, mas aceitando a diferença do outro. Ou seja, a sociedade deveria se espelhar nesse processo. O que estamos vendo é uma exacerbação de uma individualidade sem considerar o comum. Sem considerar que o comum é uma necessidade, independentemente das diferenças".

Exposição

Englobando as mais diversas linguagens, os trabalhos produzidos pelos participantes do projeto poderão ser vistos no Sesc Rio Preto a partir desta quarta-feira, 15. Esse conjunto de trabalhos apresenta uma abordagem aberta de questões reincidentes no circuito das artes, da comunicação e da tecnologia, que se tornam como premissas de desafios para os artistas.

As obras podem ser vistas de terça a sexta, das 9h às 21h30, e aos sábados e domingos, das 10h30 às 18h30, na área de convivência do Sesc. A entrada é gratuita. Agendamento de grupos na Central de Atendimento, pelo telefone (17) 3216-9337 ou pelo e-mail educativo@riopreto.sescsp.org.br.

Serviço Abertura da exposição Tensão (dis)tensão, quarta-feira, 15, das 13h30 às 21h30. Visitação gratuita

Sesc Projeto (Guilherme Baffi 14/8/2018)
Sesc Projeto (Guilherme Baffi 14/8/2018)
Sesc Projeto (Guilherme Baffi 14/8/2018)
 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por