Diário da Região

09/08/2018 - 21h59min

Fé e sorrisos

A alegria é o combustível na luta contra o câncer

Ela tem um tumor incurável, mas não deixa de acreditar que Deus vai livrá-la da doença. Leva a vida leve e com muita alegria

Fotos: Mara Sousa 9/8/2018 Claudete Garcia Leal
com o inseparável terço
Claudete Garcia Leal com o inseparável terço

"Viver feliz, cada vez mais, até a hora que Deus me chamar, que ele ver que minha missão está cumprida". Esta é a vontade de Claudete Garcia Leal, de 44 anos, daqui para frente. Desde que foi diagnosticada com um tumor maligno na perna esquerda, em 2012, está sob cuidados paliativos (sem possibilidade de cura), com metástase no fígado, no pulmão e na medula, mas tem uma fé inabalável e espera a melhora.

Ela conta que sempre brinca com o médico que não tem câncer algum. Não é que queira ignorar a doença, mas leva a vida de uma maneira que simplesmente não deixa sobrar tempo para pensamentos ruins. "Eu creio que Deus vai me fazer mais um milagre. Eu não vou morrer de câncer", garante.

Claudete faz tratamento no Instituto do Câncer (ICA). Relatou à equipe que seu sonho era fazer um book com uma fotógrafa profissional. Todos se mobilizaram e encontraram quem topasse fazer os cliques sem cobrar nada. As imagens foram realizadas há alguns meses, porém ela ainda não tinha visto o álbum. Nesta quinta-feira, 9, a equipe e o irmão dela, Claudio Garcia Leal, porteiro de 45 anos, preparam uma surpresa. Ela veio de Votuporanga, onde vive, para uma consulta e foi avisada de que daria entrevistas sobre sua história. Quando o grupo entrou de repente no consultório carregando o álbum, as lágrimas nos olhos vieram tão logo Claudete viu o embrulho.

"Era um sonho que eu tinha, amo fotos. Se você entrar no meu Facebook, acho que tem mais de 5 mil fotos, só que meu sonho era tirar com uma fotógrafa profissional". Ela garante que nem desconfiava da surpresa. "Vim para uma consulta normal e nem fui consultar ainda", brinca. Enquanto via as imagens, soltava exclamações de surpresa e de constatação do que todos - inclusive ela - já sabem: o quanto Claudete é linda.

Praticante de dança do ventre desde o diagnóstico, anda sempre maquiada e bem vestida. Nesta quinta-feira o batom rosa combinava com o terço que trazia nas mãos. "Eu vivo minha vida bem. Tento fazer exercícios, dança do ventre para não cair a autoestima".

O primeiro milagre foi a preservação da perna. Ela chegou a entrar no centro cirúrgico com a possibilidade de ter o membro amputado. "Creio que Deus guiou a mão deles. O médico falou que ficou no limite, conseguiu tirar tudo que viu da doença".

"Creio". Essa é uma palavra muito recorrente no vocabulário dela, que trabalhava como costureira. Católica, fica com o terço na mão o tempo todo. "Essa fé me ajuda muito, se não tivesse Deus não teria nada". A família também é parte essencial do processo, principalmente os irmãos e o filho, Wanderson Gilmar, de 24 anos. "Estamos juntos até o fim. Eu admiro, falo que minha irmã não tem nada. O pique que minha irmã tem eu não tenho, a coragem, a alegria de viver," diz o irmão Claudio.

Claudete realiza o impensável, mas que faz tão bem a ela: agradece a Deus inclusive pelo câncer. "Se Ele permitiu que eu abrisse o olho, só tenho que agradecer. E se Ele me quer aqui ainda é porque tem um propósito muito grande para minha vida. Eu sempre falei: de câncer eu não morro", repete.

O tumor ensinou muito à mulher, mas ela acredita que há mais por vir. "Aprendi a ser guerreira, que eu posso cair, mas no chão não vou ficar. Aprendi que essa força é minha sim, mas vem de Deus". Claudete acha que quando Deus achar que sua missão está cumprida, seus sonhos já foram realizados. Fez o book, se casou, se divorciou e teve filhos. "Quero viver da melhor forma possível. Não como se fosse o último dia, mas sempre o primeiro".

As fotos

O book com que Claudete tanto sonhou foi feito pela fotógrafa Vanina Conte. Ficou surpresa com a mulher que conheceu. "Muito feliz, alegre, brincando com todo mundo. Quando conheci, me apaixonei".

A experiência maior para a profissional não foi fazer as fotos, mas o contato com a modelo, que ela considera "transformador". "A pessoa que entra em contato com ela acho que a vida nunca mais é a mesma. Parece que foi uma enviada para a gente tomar consciência, lidar com a vida de forma muito melhor. Ela toca as pessoas".

Equipe multidisciplinar

A psicóloga Ana Márcia Sanches de Almeida Viana, do ICA, reitera que Claudete sempre foi otimista, guerreira, positiva e teve muita fé - postura que muda o tratamento. O foco não é a doença, mas sim a qualidade de vida. Não dá para prever quanto tempo alguém vai ficar em cuidados paliativos. "Nós temos muito a fazer. Fazer sentido na vida da Claudete para nós é o mais importante, proporcionar essa plenitude".

 

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