Diário da Região

06/08/2018 - 23h49min

Uber

Denúncia de estupro reabre discussão sobre segurança no Uber

Denúncia de jovem de 20 anos, acusando motorista de Uber de estupro, reabre discussão sobre segurança nesse tipo de transporte. Veja dicas da polícia e da própria empresa para não correr riscos

Reprodução Parte do trajeto feito pela jovem, que saiu de uma boate no Cidade Nova e foi até o Higienópolis, onde mora
Parte do trajeto feito pela jovem, que saiu de uma boate no Cidade Nova e foi até o Higienópolis, onde mora

Usuário abre o aplicativo no celular, solicita a corrida e aguarda. A caminho, um motorista desconhecido. Ao passageiro é informado o nome e mostrada a foto do condutor, junto com uma nota dada por outros clientes do transporte - o que desperta a desconfiança de muitos. A discussão sobre a segurança oferecida aos usuários do Uber, transporte por meio de aplicativo, voltou após uma passageira de 20 anos denunciar um motorista por estupro, na madrugada deste domingo, 5, em Rio Preto.

Ao fim da comemoração do aniversário, a jovem pediu corrida por meio do celular para ir de uma boate do Cidade Nova ao Higienópolis, bairro onde mora. "No caminho, ela percebeu que o trajeto que duraria aproximadamente 10 minutos já tinha passado dos 30 minutos. Durante a viagem o motorista teria passado a mão no joelho dela. Depois, ele teria parado o carro, perto de uma árvore, pulou para o banco de trás e a estuprou, sem uso de preservativo", diz o policial cabo Chaves.

O porta-voz da PM de Rio Preto, capitão Fabiano Crestani, recomenda que as passageiras de Uber adotem muita cautela para evitar serem vítimas. "Quando chamar um motorista de Uber de madrugada, se puder, nunca vá sozinha. Sempre peça a companhia de uma amiga. Do contrário, sente no banco de trás e compartilhe a viagem pelo celular com um conhecido para saber que você está a caminho. Caso aconteça uma parada, ela pode chamar a polícia", diz o capitão.

A própria empresa recomenda verificar se as informações fornecidas pelo aplicativo batem, como número da placa do carro, nome e foto do motorista.

Após ser deixada em casa, a jovem diz ter chamado o Samu e foi levada ao Hospital da Criança e Maternidade (HCM), onde passou pelo atendimento especializado às vítimas de estupro. Ela tinha ferimentos em uma das pernas, considerado indício de que tenha sofrido violência. Ficou internada das 6h às 20h.

A vítima forneceu a imagem do rosto do motorista, tipo do carro, um Renalt Logan, e placa. Com base nos dados fornecidos pela Uber de Brasília, a PM localizou o antigo proprietário do carro, que forneceu o endereço do motorista do aplicativo, no Parque Industrial. Depois de ser reconhecido por foto pela vítima, o motorista foi levado para a Central de Flagrantes e seu carro foi apreendido.

O motorista admitiu ao delegado de plantão, Marcelo Parra, que manteve relações sexuais com a jovem, mas alegou que tudo ocorreu de forma consensual. "Foram dadas versões conflitantes do crime. Ele fala uma coisa e ela diz outra. Como não há testemunhas do estupro, vamos depender do lado pericial", diz a delegada de Defesa da Mulher Cristina Helena Santana, que pediu exame de corpo delito ao IML para comprovar se há sinais no órgão genital da vítima se a relação sexual foi forçada. Como o caso ainda está em investigação, o Diário optou por não publicar o nome do motorista suspeito.

Dicas de segurança

  • Procure sempre pegar viagens acompanhado de amigos quando sair de festas, principalmente de madrugada
  • Quando for necessário ir sozinho, avise alguém quanto ao destino e horário que está indo
  • Compartilhe a viagem com parente ou amigo para que saiba se algo deu errado
  • Se você está viajando sozinho, sente-se no banco de trás. Isso garante que você pode sair dos dois lados do veículo para evitar o trânsito em movimento na rua e também te proporciona um maior espaço de segurança
  • Cheque a pontuação do motorista no aplicativo. Ele sempre perde ponto quando há qualquer tipo de reclamação
  • Quando dentro do veículo, se perceber algo que seja suspeito, avise algum familiar, mesmo que seja por mensagens
  • Antes de entrar no veículo, confira se a placa corresponde à informada mostrada no app
  • Ao encontrar com o motorista, veja se a foto e o nome também correspondem às informações do aplicativo
  • Veja se há mais alguém no carro - caso isso aconteça recuse a viagem
  • Informe seu caminho de preferência ao motorista

Fontes: Polícia Militar e Uber

 

Condutor foi suspenso pela empresa

A empresa Uber informou que, assim como todos os motoristas que prestam serviço, o suspeito passou por checagem de antecedentes criminais, mas nada foi verificado. A Polícia Militar de Rio Preto, porém, diz que o homem já foi denunciado por abuso contra uma criança.

Por meio de nota, a Uber anunciou a suspensão imediata e temporária do motorista do aplicativo, com alegação de que nenhum comportamento criminoso é tolerado e que repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres.

De acordo com a empresa, nenhuma viagem com a plataforma é anônima e todas são registradas por GPS. "A Uber reitera que todos os motoristas parceiros passam por checagem de antecedentes criminais, na forma da lei, que consulta informações de diversos bancos de dados públicos de todo o País."

Questionado sobre o antecedente criminal do motorista por suspeita de abuso a uma criança, a empresa alega que só ficou sabendo do caso pela PM de Rio Preto e como a situação ainda está sendo investigada não consta na pesquisa de antecedentes criminais.

Pelo dois motoristas de Uber já foram acusados por passageiros rio-pretenses, um por injúria e outro por assédio sexual, no ano passado, mas os casos foram arquivados. Em um deles, uma negociadora jurídica de 27 anos disse que o motorista tentou beijá-la a força ao final de uma viagem na frente de uma agência bancária, na rua Pedro Amaral. A delegada da Mulher Margareth Franco disse que a investigação foi encerrada por falta de provas. (MAS)

Regulamentação está parada

Passados cinco meses da regulamentação federal de aplicativos de viagens como o Uber, a Prefeitura de Rio Preto ainda não tem definido uma proposta de cadastramento e fiscalização dos motoristas.

O então secretário de Trânsito, Marcos Apóstolo, chegou anunciar à época a criação de uma comissão municipal de elaboração de legislação municipal. Entre as propostas estavam exigir carro com no máximo seis anos de fabricação e pagamento, por parte dos motoristas, das mesmas taxas anuais pagas pelos taxistas - que chegam a R$ 82,31.

O novo secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, admite que desde fevereiro não houve avanço na implantação, mas promete que isso vai acontecer até o final do ano. "Precisamos pedir que a Uber nos forneça o número de motoristas cadastrados e a operação espelho, onde será repassado os dados de viagens. Como acontece em São Paulo poderíamos cobrar 10 centavos por quilômetro rodado. Mas tudo isso vai depender de reunião com o prefeito Edinho (Araújo), para definir qual será a proposta", diz o secretário. (MAS)

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