Diário da Região

10/08/2018 - 22h56min

Natureza ameaçada

Pesquisa de rio-pretense aponta ameaça aos anfíbios da Mata Atlântica

Estudo revela face alarmante da destruição ambiental: 10% das espécies dos anfíbios endêmicos da Mata Atlântica podem ser extintos

Reprodução/RBMA

O aquecimento global poderá levar à extinção de até 10% das espécies de sapos, rãs e pererecas endêmicas da Mata Atlântica em cerca de 50 anos. O alerta é do doutor em Biologia pela Unesp - com graduação em Ciências Biológicas pelo Ibilce - Tiago da Silveira Vasconcelos. Segundo o estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) do qual ele é o autor principal e que foi publicado na revista Ecology and Evolution, regimes de temperatura e chuva previstas para ocorrer entre 2050 e 2070 serão fatais para espécies com menor adaptação à variação climática, que habitam pontos específicos da Mata Atlântica.

Mais um duro golpe para o frágil ecossistema da vegetação nativa que, em 1500 cobria mais de 80% do Estado de São Paulo e hoje não chega a 13%, espalhado na maior parte em pequenos fragmentos como em Rio Preto e região.

Segundo o Comitê da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), sob responsabilidade da Unesco, cerca de 13% do território do Estado, o equivalente a 3.457.301 hectares, é o que ainda resta de Mata Atlântica em solo paulista. A constatação "acende" um sinal amarelo para autoridades e população:

"A diminuição da área natural continua mais significativa nas regiões de Araçatuba, São José do Rio Preto, Bauru, Marília e Campinas. Ao contrário das perspectivas de regeneração da mata em áreas localizadas, os desmatamentos, incêndios, caça e tráfico de espécies permanecem como os grandes problemas não resolvidos do Estado que implicam na redução direta da biodiversidade da Mata Atlântica", diz a RBMA.

O quadro alarmante soma-se à pesquisa de Tiago da Silveira, que analisa a distribuição presente e futura de anfíbios (anuros, ou seja, sapos, rãs e pererecas) na Mata Atlântica e no Cerrado, exatamente à luz das mudanças climáticas em decorrência do contínuo aquecimento global.

"O objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as espécies de anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica e caracterizar suas preferências climáticas nas diferentes áreas que habitam. Com os dados em mãos, buscamos fazer modelagens para poder projetar cenários de aumento ou de redução das áreas climáticas favoráveis às diferentes espécies, em função dos regimes climáticos estimados para 2050 e 2070", detalhou.

Conhecem-se atualmente 550 espécies de anfíbios na Mata Atlântica (80% delas, endêmicas) e 209 espécies no Cerrado. Tiago trabalhou com os dados de distribuição espacial de 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado, aquelas encontradas em ao menos cinco ocorrências espaciais diferentes.

"Desse modo, foi possível identificar as áreas com maior riqueza de espécies de anfíbios, ou com composição de espécies únicas, tanto no Cerrado como na Mata Atlântica. Uma vez identificadas tais áreas, avaliamos a comunidade de anfíbios no cenário de clima atual e futuro, de modo a determinar quais são as áreas de clima favorável para cada uma das 505 espécies analisadas, e se haverá expansão ou redução dessas áreas em 2050 e 2070, em função do aquecimento global", disse o pesquisador.

Conclusão fatal

Os dados de distribuição espacial das 350 espécies da Mata Atlântica e 155 do Cerrado foram aplicados em duas métricas de ecologia de comunidade. A primeira, denominada diversidade alfa, é a diversidade local, correspondente ao número de espécies em uma pequena área de hábitat homogêneo. Já diversidade beta é a variação na composição de espécies entre diferentes hábitats e que revela a heterogeneidade da estrutura de toda a comunidade.

"Para cada cenário futuro, em 2050 e 2070, utilizamos dois cenários de emissão de gás carbônico na atmosfera, um cenário mais otimista, com menor aquecimento global, e outro pessimista e mais quente. Também usamos três modelos de circulação global atmosférica e oceânica", disse.

Os dados são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e, a partir dos resultados dos 24 mapas de distribuição para cada espécie, foi gerado um mapa consensual, que resultou uma matriz de presença e ausência de espécies, determinando a ocorrência prevista de cada espécie em 2050 e 2070.

"O primeiro impacto esperado da mudança climática nos anfíbios da Mata Atlântica e Cerrado é a extinção de 42 espécies por meio da perda completa de suas áreas climaticamente favoráveis entre 2050 e 2070", explicou o pesquisador.

Os dados apontam para a extinção de 37 espécies na Mata Atlântica (ou 10,6% do total) e cinco no Cerrado. Das 42 espécies, apenas cinco são atualmente consideradas como em risco de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente. 

A natureza que resiste

Seu nome é homônimo de uma cidade paulista que, na década de 1980, ficou marcada pela poluição em larga escala. Mas a Cubatão da região de Rio Preto é exatamente o oposto do que não tem vida. Aqui ela não é porção de terra, mas de água, onde a natureza mostra a sua força e promove um espetáculo silencioso, ainda ao largo da poluição.

O Cubatão se encontra com o Borá para, juntos, formarem a Barra Mansa - braço do Tietê que atrai muitos turistas em Mendonça e municípios vizinhos igualmente dotados de prainhas artificiais, como Sales e Adolfo.

O empresário urupeense Luiz Fernando Prata, um apaixonado pelo meio ambiente e em particular pelo Cubatão - manancial ligado diretamente à sua juventude, quando aproveitava as águas límpidas para nadar e pescar - tem como hobby fotografar e filmar cenas da nossa fauna e flora. Munido de um drone, ele captou imagens do Cubatão em abril, pouco antes da grande estiagem que castigou a região por aproximadamente 70 dias.

As imagens concentram-se na porção do rio em Monte Belo, entre Potirendaba e Mendonça. Os flagrantes são exemplo do que acontece quando se respeita os limites da natureza. Ela retribui em formas, cores e movimentos. Seja no balé das aves, no macaco-prego compenetrado a degustar uma fruta, no mergulho das capivaras, no capricho da aranha a tecer sua teia, ou ainda no verde da mata em contraste com o azul outonal.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso