Diário da Região

08/08/2018 - 00h30min

MEIO AMBIENTE

Moradores se unem e cultivam horta em terreno do Tarraf II

Grupo de moradores do Tarraf 2 cria a primeira horta comunitária urbana de Rio Preto, que envolve trabalho compartilhado e colheita de verduras e legumes livres de agrotóxicos

Fotos: Divulgação Canteiros da horta comunitária no Jardim Tarraf 2: lá tem plantação de couve, alface, rúcula, salsinha e cebolinha, berinjela, quiabo, abobrinha italiana, tomate e rabanete, além de algumas frutas
Canteiros da horta comunitária no Jardim Tarraf 2: lá tem plantação de couve, alface, rúcula, salsinha e cebolinha, berinjela, quiabo, abobrinha italiana, tomate e rabanete, além de algumas frutas

Um alimento saudável colhido no pé e a poucos metros de casa. Isso é realidade para um grupo de moradores de Rio Preto que reúne familiares e amigos, coloca a mão na terra e leva para casa verduras e legumes fresquinhos, livres de venenos. A horta comunitária urbana do bairro Tarraf II é a primeira a conseguir assinar acordo dentro do que prevê um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) na sua agenda socioambiental.

A ação integra um grupo de voluntários preocupados com as questões de preservação do meio ambiente, a Associação de Moradores do Bairro Tarraf II e cerca de 25 moradores do bairro. O plantio, em terreno particular de 1,1 mil metros quadrados e que estava desocupado teve início há seis meses. Os moradores ressaltam que o terreno, antes tomado pelo mato, atraía insetos e outros animais, além de acumular lixo e materiais de construção. Agora, o local está limpo, o que trouxe benefícios, como, por exemplo, de não se ter a proliferação da dengue ou de outras doenças.

"Todo cidadão pensa em um alimento saudável e uma horta, onde podemos trabalhar com as pessoas do bairro, além de parceiros e amigos como uma ideia muito boa", diz o presidente da Associação de Moradores, José Roberto Brandani. O trabalho, segundo ele, está muito organizado. O terreno - que pertence a uma moradora do bairro - foi cedido para a horta, tudo com a aprovação e documentação necessária para a utilização do espaço, conforme o presidente.

Ele explica ainda que há uma escala de trabalho e os vizinhos se comunicam através de mensagens de WhatsApp, para que a horta receba os cuidados necessários, como, por exemplo, irrigação. "Como temos gastos com equipamentos e outras despesas, os moradores que querem participar colaboram com uma inscrição de R$ 30", disse Brandani.

Sempre no terceiro domingo do mês, os moradores se reúnem para um mutirão, fazem um café da manhã e dão ritmo ao trabalho necessário para plantar mais produtos. Nos mutirões há a possibilidade de outras pessoas, que não são moradoras do bairro, participarem do manejo com a horta.

Para Diogo Tadei, um dos idealizadores e voluntários da horta comunitária urbana, o objetivo maior é "fazer as pessoas se relacionarem, vizinhos que não se conheciam e, com a horta, puderam se encontrar". Diogo não é morador do Tarraf II, mas faz parte do Movimento Somos Um, que integra os princípios dos ODS, com proposta de unir força para o bem comum. "Procuramos a Secretaria Municipal de Meio Ambiente em busca de um local para o plantio da horta e chegamos até a proprietária do terreno, uma pessoa também muito ligada às questões de preservação do meio ambiente, nos autorizando a usar o terreno", explica Diogo.

Com a total aprovação da Associação de Moradores, Tadei disse que foi em busca de um material de divulgação para que todos os moradores tivessem as informações necessárias da horta e, após uma reunião, a ideia saiu do papel. "Formamos uma comissão responsável pela horta, sendo os incentivadores da ação, além de buscarmos o apoio para os trâmites legais e com tudo documentado. Por isso, o município de Rio Preto é o primeiro a assinar o acordo da ONU, se tornando a segunda cidade do Estado (a primeira é São Paulo) a ter uma Horta Comunitária Urbana", destaca o voluntário.

À frente da comissão técnica, Vitor Franco é adepto da agroecologia e leva todo o seu conhecimento - tanto o aprendizado teórico quanto o de lidar, no seu cotidiano, com o plantio de hortas - para os moradores do Tarraf II. "Aqui fizemos de um jeito bem natural, um trabalho de descompactar o solo, permitindo a impermeabilidade, o que faz com que toda a água, seja da chuva ou da irrigação, penetre na terra", disse Vitor.

O grupo que trabalha com a horta do Tarraf II valorizou a filosofia natural do manejo, utilizando ainda, para adubar a terra, esterco curtido de galinha, feijão de porco (uma leguminosa), além de plantas e flores que trazem nutrientes à terra.

Uma variedade boa de alimentos foi plantada para o começo de uma horta, comenta Vitor. Eles já plantaram couve, alface, rúcula, salsinha e cebolinha, berinjela, quiabo, abobrinha italiana, tomate, rabanete, banana, maracujá, pitaia e pinha. Brandani lembra que do último mutirão realizado, ele não precisou comprar verduras em sua casa. "E o que levamos da nossa horta, sabemos que é livre de venenos", ressalta.

Com o passar do tempo, Brandani disse que a produção de alimentos da horta comunitária deve crescer e como a intenção não é a de comercializar os produtos, a Associação de Moradores já pensa em doações para instituições beneficentes da cidade.

Dicas

Saiba como criar e manter uma horta urbana orgânica

Organizar o grupo:

  • É importante definir o número de pessoas e a disponibilidade de tempo de cada interessado para o sucesso da produção da horta, observando a responsabilidade de cada um, de acordo com as suas aptidões.

Observar o espaço e as potencialidades do local, tais como:

  • Área exposta ao sol (ao menos quatro a seis horas diárias);
  • Proximidade de água para a irrigação;
  • Área não sujeita a alagamentos e encharcamentos;
  • Local não muito próximo de árvores para evitar a competição por nutrientes do solo e o sombreamento;
  • Área com boa ventilação.

Plantar para colher. Alguns elementos para o início da horta:

  • Terra: solo, substrato natural ou comprado;
  • Sementes e mudas das espécies de interesse do grupo;
  • Nutrientes: adubos orgânicos;
  • Outros insumos: caldas e preparos biofertilizantes;
  • Ferramentas: enxadas, pás (curta e reta), rastelos, carrinho de mão, enxadão, entre outros usados em jardinagem;
  • Utensílios: mangueira, regador, pulverizador, vasos, caixotes, sementeira, luvas, entre outros.

Planejar a rotação e consorciação de culturas:

  • Rotação: O plantio contínuo de uma mesma espécie de planta ou da mesma família pode fazer com que os nutrientes do solo se esgotem, dificultando o desenvolvimento das plantas, aumentando o risco de doenças e pragas. É recomendável que se revolve e afofe o solo após a colheita, adubando e plantando uma nova espécie de planta ou de hortaliça. De preferência, não plantar a mesma hortaliça ou espécie da mesma família, no local onde já se deu o plantio.
  • Consorciação (plantas companheiras): Algumas plantas, quando cultivadas próximas, criam associações favoráveis e beneficiam umas às outras, chamadas de plantas companheiras. Por outro lado, algumas plantas quando plantadas próximas podem causar malefícios entre elas, porque exalam substâncias pela raiz e ainda disputam luz, água e nutrientes.

Fonte: Instituto Pólis

 

Moradores aprovam e participam

A contabilista Fátima Lima Andrade reside há 22 anos no Tarraf II e gostou muito da ideia de ter uma horta próxima à sua residência, o que a fez lembrar dos seus tempos de criança, quando era comum toda casa ter uma pequena horta no quintal. Ainda hoje, Fátima conta que gosta de plantar um pouco de verduras, como salsinha e cebolinha, no seu quintal. "Mas aqui é muito bacana, reúne os vizinhos e requer o empenho de muito trabalho, porque caso contrário não funciona", diz. "Eu, por exemplo, trabalho a semana toda, mas sempre que possível, venho para regar ou limpar a horta".

A parte financeira também é importante, conforme Fátima, com a contribuição de uma taxa que não onera o morador e permite adquirir sementes e outros equipamentos necessários.

A advogada Kelly Cristina Carfan ficou sabendo da iniciativa através de um informativo que foi distribuído e hoje acredita que os vizinhos se tornaram uma família. "Muitas pessoas eu não conhecia, algumas até que moram na mesma rua em que eu moro", disse. "A gente se reúne na horta, mas depois os encontros acontecem, têm continuidade, seja para um café na casa de um vizinho ou num almoço em um restaurante".

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Urbanismo, através da assessoria de imprensa, disse que apoia a iniciativa dos moradores do bairro Tarraf II, com instruções técnicas para a implantação da horta. Confirmou também que é a primeira horta urbana comunitária de Rio Preto, segundo os princípios da ONU. "Existem diversas hortas caseiras formais ou informais pela cidade, porém, a horta Comunitária do Jardim Tarraf II segue um modelo sustentável e de práticas adequadas recomendadas pelos ODS", explica nota da Secretaria.

Apesar de não ter um trabalho específico desenvolvido junto aos moradores, a Prefeitura informou que recebe propostas para Acordos de Cooperação em projetos ambientais, através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e os interessados podem buscar informações junto ao órgão.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de Rio Preto também informou que não possui nenhum projeto em execução para hortas comunitárias, mas seus técnicos disponibilizam orientação à comunidade em geral, interessada na implantação de hortas, inclusive comunitárias. Interessados na consultoria devem ligar no telefone (17) 3232-0016. (CC)

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