Diário da Região

    • -
    • máx min
22/07/2018 - 00h00min

Espiritualidade

Veja como praticar a mais humana das virtudes, a compaixão

Compaixão é o reconhecimento do sofrimento do outro, associado ao desejo de aliviar esse estado

Pixabay/Divulgação Compaixão
Compaixão

Qual o sentimento que levou recentemente centenas de pessoas de diferentes partes do mundo a deixarem temporariamente suas vidas de lado para trabalhar como voluntárias na operação de resgate dos 12 meninos e do treinador que ficaram presos no complexo de cavernas na Tailândia? Compaixão é o nome.

Aliás, é a mesma virtude - e a mais humana delas - que faz com que todos os dias milhares de voluntários anônimos, pelos quatro cantos do mundo, distribuam roupas, remédios e alimentos aos mais necessitados; visitem creches, asilos, hospitais (onde levam uma palavra de conforto), orfanatos e lares sem nenhum recurso; arrecadem donativos para desabrigados pelas enchentes, secas e terremotos. Essas pessoas tentam, a todo custo, minimizar o sofrimento alheio, porque o fato é que sempre encontramos pessoas que estão sofrendo por algum motivo.

Apesar de o dicionário descrever como um pesar que em nós desperta infelicidade, dor, piedade, pena, dó e condolência, a compaixão pode não ser exatamente o que você pensa. Especialistas a descrevem como uma espécie particular de amor e garantem que existem várias formas de experimentá-la, a maioria surpreendente: o reconhecimento do sofrimento do outro, associado a um desejo de aliviar a dor. É muitas vezes confundida com empatia ou altruísmo.

Claro que praticar a compaixão envolve ter uma postura empática ou um comportamento altruísta, mas a compaixão em si é um conceito distinto. A empatia é definida como a experiência de se colocar no lugar do outro, enquanto o altruísmo é uma ação focada em beneficiar alguém. A compaixão é definida como uma resposta emocional ao perceber o sofrimento alheio, sempre estando associada a uma vontade autêntica de ajudar.

Compaixão é assim: você sente empatia com o sofrimento do outro, quer ajudar, mas não para por aí, tem uma prontidão para ajudar. Você procura uma saída e sabe que tem os meios hábeis para ajudar. "Em seu sentido mais elevado, a compaixão é um desdobramento do amor mais puro e desinteressado, é a qualidade que nos torna sensíveis aos padecimentos de todas as criaturas viventes, despertando nossos sentimentos de profunda fraternidade e sincera solidariedade", diz o escritor Erik W. Jannn, no livro "Pequeno Livro dos Remédios da Alma" (ed. Resson), ditado pela instrutora espiritual e médica indiana Sárada Shanti. O resultado é surpreendente.

Projeto de vida

A escritora inglesa Karen Armstrong, autora do livro "12 Passos para Uma Vida de Compaixão" (ed. Paralela), diz que somos biologicamente programados para a compaixão, bem como para a violência e o medo. "Temos regiões em nosso cérebro e hormônios que nos inclinam ao altruísmo, o que permitiu a sobrevivência da nossa espécie. Isso nos ajudou a viver juntos, em grupos, de maneira que os seres humanos, frágeis em tamanho, pudessem ser mais fortes do que se tentassem existir sozinhos", explica. Praticar esses passos - ressalta- não vai mudar nossa vida da noite para o dia, nem nos transformar em santos ou sábios: tornar-se um ser humano compassivo é um projeto para a vida toda", explica. No entanto, transcendendo diariamente as limitações do egoísmo, podemos não apenas fazer a diferença no mundo, mas também ter uma vida mais feliz e satisfatória.

Você mais feliz

Uma vez Dalai Lama disse: "Se você quer que outros sejam felizes, pratique a compaixão. Se você quer ser feliz, pratique a compaixão". As palavras do mais alto sacerdote do budismo tibetano falam de uma verdade simples. Apesar da crença popular de que você é o único responsável pela sua felicidade, talvez o caminho para conquistá-la não esteja apenas em você, mas em seus relacionamentos e interações com outras pessoas. "Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a uma melhor saúde mental e à felicidade", conclui.

Não se esqueça de praticar a compaixão

"A compaixão talvez seja, entre as virtudes humanas, a mais humana de todas, porque não só nos abre ao outro, como expressão de amor dolorido, mas ao outro mais vitimado e mortificado", diz o teólogo e escritor Leonardo Boff, no livro "Princípio de Compaixão e Cuidado" (ed. Vozes).
Segundo ele, pouco importam a ideologia, a religião, o status social e cultural das pessoas. A compaixão anula essas diferenças e nos faz estender as mãos às vítimas. "Ficarmos cinicamente indiferentes mostra suprema desumanidade que nos transforma em inimigos de nossa própria humanidade", explica, ainda, na obra. Compaixão é um valor e se expressa através da nossa percepção ou consciência do mundo ao nosso redor, que conduz nossa visão, atitude, pensamentos, palavras e ações. Os valores humanos funcionam como amortecedores, que tornam a vida mais prazerosa - eliminando o impacto pesado e, por vezes, desconfortável dos obstáculos que, inevitavelmente, fazem parte do percurso.

"Por ser um valor, a compaixão conecta-se à minha grandeza e à grandeza dos outros. É a minha habilidade de estabilizar-me na minha essência plena e de conectar-me à essência dos outros e das situações. E, assim, posso discernir melhor como me posicionar diante de cada cena, percebendo de maneira mais ampla e, ao mesmo tempo contextualizada, qual é a resposta a ser dada naquele momento", diz Juliana Vilarinho Faria, da organização Brahma Kumaris, entidade espiritual criada na Índia.

Só não se esqueça de praticá-la, uma vez que a compaixão tem pouco valor se permanece uma ideia. "Ela deve tornar-se nossa atitude em relação aos outros, refletida em todos os nossos pensamentos e ações", disse Dalai Lama.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha?
Não lembro a minha senha!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso