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25/07/2018 - 00h30min

COMPORTAMENTO

Entenda como a convivência entre idosos e criança faz bem para todos

Convivência entre crianças e idosos é benéfica para ambos os lados. Confira algumas dicas de como evitar conflitos entre pais e avós na educação e criação dos pequenos

Johnny Torres Avó Maria Augusta Ferreira cuida com muito carinho dos netos João Marcos, Luis Fernando, Manuela, Catarina e Marina
Avó Maria Augusta Ferreira cuida com muito carinho dos netos João Marcos, Luis Fernando, Manuela, Catarina e Marina

Ficar na casa dos avós geralmente é sinônimo de diversão. É comer bolinho de chuva e beber leite com achocolatado quentinho, brincar de bola na sala de estar e ter a comida preferida no almoço de domingo. Mas também pode ser um tormento para algumas famílias. Pais que deixam os filhos com os avós provavelmente já tiveram alguns desentendimentos com eles. Principalmente quando a criança faz alguma peraltice, os pais acham que ela deve ser tratada de determinado jeito, mas os avós dizem que têm outra receita mais eficiente.

O fato é que os pais de hoje também viveram momentos felizes e divertidos com seus avós e muitas vezes se esquecem do que passaram ao lado deles fazendo tudo aquilo que lhes era proibido pelos pais, como não ir para a cama tarde e comer doces, e que, na maioria dos casos, não lhe fizeram mal algum. Para manter a harmonia familiar, nestes casos, é preciso equilíbrio para que o vínculo e convivência sejam mantidos de forma positiva e respeitosa.

A um dia do Dia dos Avós, que é comemorado no dia 26 de julho (data crida para homenagear Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo), a psicóloga infantil Adriana Botarelli afirma que o mais importante para manter a paz familiar é que os papéis dos pais e avós sejam bem definidos. Os pais precisam entender a sabedoria dos mais experientes, assim como estes devem aceitar a autoridade dos pais.

Segundo a especialista comportamental, os avós que têm contato diário com os netos precisam estar alinhados com a forma como os pais educam as crianças. "As regras devem ser seguidas. Não é saudável que os avós e os pais discordem dos limites, pois podem causar confusão e sensação de disputa de autoridades. E quem sofre com isso é a criança. Vale a premissa: o que é tratado não sai caro".

Avós têm funções diferentes das dos pais. A especialista afirma que a autoridade dos pais é sempre maior, no entanto, se eles compartilham os cuidados dos filhos, têm de aceitar que a influência externa é inelutável. "A responsabilidade e o dever de educar é dos pais, mas é importante a cooperação dos avós nesta importante missão. "É preciso, porém, ter cuidado e saber a hora de colocar limites, especialmente com aqueles que participam diariamente do cotidiano dos netos".

Os avós, no entanto, podem participar ativamente da vida das crianças e, às vezes, até palpitar. A relação bem administrada é uma fonte valiosa de crescimento. "A relação entre crianças e avós é de benefícios mútuos. A criança que convive com os avós tem a possibilidade de aprender com modelos que, por terem mais experiência de vida, são capazes de transmitir sabedoria para enfrentar situações difíceis da vida. Isso faz que com a criança desenvolva habilidades emocionais e segurança".

Durante a separação ou divórcio dos pais, por exemplo, os avós podem ajudar os netos, trazendo conforto e estabilidade para toda a família. Adriana afirma que em momentos de separação do casal, a figura dos avós pode ser importante como alguém que traz estabilidade e paz. "Além disso, na sociedade moderna em que os pais estão no mercado de trabalho, muitas famílias contam com os avós nos contra períodos escolares e nas férias para cuidar das crianças, o que gera vínculo importante entre eles".

Ao contrário dos avós super protetores, existem aqueles que não querem participar da vida dos netos. Adriana afirma que há alguns avós que simplesmente não querem esta função social e abrem mão deste convívio. "Eles deixam de receber esta troca mútua de conhecimento entre gerações diferentes. Segundo pesquisas recentes, o convívio com os netos aumenta inclusive a expectativa de vida dos avós".

Relação envolve respeito

Na casa da professora aposentada Maria Augusta Ferreira, de 64 anos, não há conflitos com as filhas quando o assunto é o cuidado dos netos. Ela participa de forma ativa dos cuidados enquanto os pais trabalham. Neste período de férias escolares, por exemplo, ela zelou pelos netos João Marcos, de 15 anos, Luis Fernando, 8, Manuela, 7, Catarina, 3, e Marina, 1.

A filha de Maria Augusta, a fisioterapeuta Daniela Orlando Pereira, de 36 anos, afirma que sua progenitora é puro amor. "Minha mãe usa prótese nas pernas, por causa de um problema no fêmur, e mesmo assim ela sempre se doou para os netos. Na casa dela todo dia é uma farra. Todos os dias, eu, minha irmã, meu cunhado e as crianças almoçamos na casa dela. E ela adora".

Daniela conta que respeita a sabedoria dela, assim como ela respeita a autoridade sua. "Ela educa, ajuda muito na educação. Afinal de contas, ela fica a maior parte do tempo com os pequenos. E a gente respeita a opinião dela. No entanto, as principais questões e problemas do dia a dia ela joga para a gente e pede para a gente resolver. Mas, ao mesmo tempo, ela defende. Para ficar mais bravos com as crianças, nós temos que estar longe dela. Ela chega até chorar. Mas, ela respeita. Se não é para fazer algo, ele respeita e não deixa fazer. Se a criança está de castigo, ela também mantém a punição e não deixa sair para brincar".

Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva na casa da manicure e depiladora Iraci Donizete Silva, de 56 anos. A filha, a professora Yara Vargas da Costa, de 30 anos, só faz elogios sobre a relação da mãe com a filha Sophia Vargas da Costa, de 4 anos. A avó também celebra a amizade com a netinha. Para ela, a conexão permite contato com uma geração muito mais nova e, consequentemente, uma abertura a novas ideias. Iraci também é avó de João Miguel Coffani Vargas, de 3 anos. 

Yara afirma que a mãe exerce um papel muito importante na vida das duas. "Seria impossível conciliar a maternidade com o meu trabalho de forma tão tranquila se não fosse a ajuda dela. Ela me auxilia em tudo, sempre com muito amor. Em relação ao limites, ela sempre conseguiu respeitar. Rola um pouco de dificuldade quando eu corrijo a Sophia na frente dela. Mas isso era mais no começo, quando ela era menor. Depois, com a convivência, ela [avó] entendeu que ela [neta] precisa dos limites e ajuda neste processo. Fala e cuida do jeito que eu trato, na mesma linha. Ela entende que realmente é necessário corrigir e ensinar. É legal porque ela aplica as correções certinho. Se eu disser que a Sophia está sem celular, ela mantém a proibição".

 

Dica de livro

Divulgação Livro
Livro

Livro dos Avós - Na casa dos avós é sempre domingo?

Como lidar com filhos e netos de modo a evitar confrontos inúteis e diminuir conflitos inevitáveis? Sem ser um manual de autoajuda, o livro apresenta, de forma clara e descontraída, exemplos da vida real que permitem ao leitor se identificar e questionar suas próprias experiências familiares. Para as avós, os autores recomendam a criação de um vínculo de ajuda mútua entre mãe e filha. Para os avôs, o livro indica o papel fundamental que eles têm como depositários da sabedoria familiar

 

Melhor presente do dia é o afeto

Pesquisadores da Brigham Young University, nos Estados Unidos, estudaram o papel dos avós no desenvolvimento das crianças. O estudo foi realizado com 408 alunos da quinta série do Ensino Fundamental, e, para tanto, foram feitas perguntas sobre a relação que eles tinham com os avós. Uma das conclusões do estudo é que a relação emocional entre netos e avós tem um significativo impacto na vida acadêmica e psicológica da criança, assim como no desenvolvimento social dela.

"As crianças que participaram da pesquisa cujos avós eram altamente envolvidos em suas vidas eram as mais sociáveis e engajadas na escola, e mostravam mais compaixão e ternura comparadas a crianças que não tinham proximidade com seus avós. Outra conclusão dos pesquisadores é que as crianças com avós mais afetivos são mais autoconfiantes, o que representa um impacto muito positivo, a longo prazo, em suas vidas", afirma a psicóloga Renata Salles de Moraes.

As crianças também podem proporcionar benefícios para os avós, segundo Renata. "As crianças são uma rica fonte de afeto. Existe nesta relação algo muito importante que gera um entusiasmo pela vida. É uma troca saudável de carinho e vitalidade. São momentos esperados e aguardados com muito amor, e, quando se realizam, geram uma memória afetiva para a vida toda, melhorando a saúde física e mental".

Modernidade

A tecnologia pode dar uma boa ajuda para os netos e avós que moram longe. "Eu, particularmente, posso falar que a tecnologia tem sido uma importante ferramenta para aproximar as pessoas. Não moro na mesma cidade que minha neta, mas procuro falar sempre que posso, com ela, pelo Facetime ou WhatsApp, em que podemos nos encontrar, fazendo com que a distância fique um pouco menor. Vale lembrar que a tecnologia é uma ferramenta de ajuda para diminuir um pouco a distância, mas nada vai superar o abraço entre duas pessoas".

Agradecimento

Sempre é tempo de agradecer todos os bons momentos que netos e avós compartilham juntos. Assim, neste Dia dos Avós, é importante dar uma lembrança ou sair para tomar um café da tarde ou jantar. "O melhor presente que podemos trocar com nossos netos é o afeto, o carinho, o abraço apertado, a cosquinha na barriga, o sorvete que tomamos escondido e os dias que passamos deitados no sofá assistindo filmes. Nenhum presente supera o afeto".

Para Renata, cada momento tem sua emoção registrada nas mentes e corações das pessoas para toda vida. "Sempre é tempo de agradecer e viver cada momento como único e precioso. Esse maravilhoso vínculo, que desenvolvemos com nossos netos ao longo da vida, é um importante alimento emocional, baseado em verdadeiro amor incondicional".

Sentimento negativo

Alguns avós simplesmente não gostam dos netos. O que acontece neste caso, segundo Renata, é uma ruptura. "Poderíamos falar sobre isso durante um longo tempo, pois envolve a história de vida que cada um carrega e como vem interagindo com ela. Não diria que eles simplesmente não gostam dos netos, mas que estão deixando que essa história de vida com todas as emoções que carrega os impeçam de seguir em frente, se abrindo para novas emoções e sentimentos. Aqui, muitas vezes, esbarramos em ansiedades e depressões geradas por emoções mantidas em silêncio", afirma Renata.

 

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