Diário da Região

04/08/2018 - 00h30min

DE PAIS PARA FILHOS

Pesquisa aponta que 90% dos negócios têm a família como base de gestão

Empresas familiares são a base da nossa economia, por isso é tão importante realizar um trabalho sério de sucessão, evitando problemas futuros e o sucesso contínuo

Johnny Torres O empresário Valdir Nonato diz que os filhos, Vanessa 
e Juliano, trouxeram um 
novo olhar  para toda a estrutura de negócios
O empresário Valdir Nonato diz que os filhos, Vanessa e Juliano, trouxeram um novo olhar para toda a estrutura de negócios

Empresas familiares são a base da nossa economia. Segundo levantamento do Sebrae, aproximadamente 90% dos negócios em nosso País têm a família como base de sua gestão. Por isso é tão importante que esses empreendimentos, independente de seu segmento, pensem constantemente e com muito afinco sobre o processo de sucessão. É uma realidade que deve ser analisada e planejada com todo o cuidado porque é justamente no processo de sucessão que um negócio pode ser prejudicado, até permanentemente às vezes.

Segundo Sarita Junqueira Rodas, sócia-fundadora da Prossiga Sucessão e Governança Familiar, um processo de sucessão bem organizado e planejado vai gerar grandes resultados para a família, sendo, na verdade, um processo de educação, que leva anos para ser implementado. Ou seja, é preciso aprender uma nova forma de gestão.

"Para que realmente seja eficiente, o processo deve começar desde a infância e início da adolescência até à carreira profissional porque a sucessão não é só um aprendizado sobre as coisas da empresa, as regras da empresa ou as atividades da empresa. Um processo de sucessão bem estruturado começa na educação da família empresária no sentido de educação empresarial e isso leva anos para ser concluído e bem estruturado", explica.

De acordo com Sarita, qualquer planejamento sucessório que não compreende esses três pilares não se sustenta. "Se você faz holding, doação ou organização patrimonial e não cuida da família, nem da empresa, isso não se sustenta. Se você só cuida da empresa e não cuida da organização patrimonial e dos problemas familiares isso não se sustenta. Também cuidar de problemas familiares sem estruturar a sucessão patrimonial e não tendo sucessores na empresa também não se sustenta", exemplifica.

Por isso a especialista afirma que só cuidando desses três pilares - família, patrimônio e empresa - você tem um planejamento sucessório completo, estruturado, que leva a empresa familiar ser competitiva por várias gerações.

E é por isso que tantas empresas falham nesse processo. Sarita afirma que um dos erros mais comuns no Brasil é pensar no planejamento sucessório apenas com o foco na estrutura patrimonial, sem pensar em conflitos familiares ou na formação de sucessores para cuidarem da empresa. Isso faz com que as empresas se destruam por dentro por dois grande motivos.

Na prática

Esse foi um cuidado que Marcelo Fonseca, diretor da Casa dos Construtores, e seus pais Luiz Antonio da Fonseca e Helena Bergamo Fonseca tomaram quando ele começou a se envolver no negócio da família. Marcelo começou cedo e por baixo, passando por praticamente todos os setores da empresa antes de chegar ao cargo que exerce hoje.

"Comecei a trabalhar na empresa com 18 anos e por baixo, na expedição, separando mercadorias, e fui passando por vários setores até chegar à diretoria. Trabalhar com família é complicado, envolve várias emoções, mas isso é normal. Meu maior desafio foi quando meu pai pediu para que eu assumisse a gestão da loja de Rio Preto. Ele disse que eu estava preparado", recorda.

Com 31 anos, Marcelo assumiu esse desafio. Além de ser o responsável pela gestão da loja em Rio Preto - a Casa dos Construtores, que há 43 anos pertence à família, é de Catanduva e tem mais dois estabelecimentos na cidade -, ele passou a cuidar da parte comercial e de marketing. "Toda a parte de compras fica na minha mão. Desde 2010 sou responsável por todas as compras das três unidades. E é legal que são gestões independentes em cada uma das lojas. Apesar de termos uma filosofia de trabalho muito semelhante, eu e meus pais, temos nossas diferenças e isso se reflete no nosso trabalho de gestão."

Livre para tomar decisões, Marcelo resolveu implantar algumas mudanças na loja de Rio Preto. Antes focada em todos os segmentos da construção civil, ele decidiu que seria melhor focar em uma só área, a de acabamentos. "Não tinha nenhuma loja de grande porte aqui especializada em acabamentos. Tinha várias de tintas, elétrica, iluminação, hidráulica, mas nada focado em acabamento."

No início, isso despertou um pouco de dúvida nos pais, mas eles confiaram e o resultado não poderia ter sido mais positivo, diz Marcelo. "A mudança de gestão deu muito certo. Consegui dobrar nosso faturamento. E ainda bem que deu certo porque senão seria crucificado pela minha mãe por um bom tempo", brinca.

A renovação é outro ponto comum às sucessões familiares de sucesso. Os filhos tendem a não só pegar o negócio da família e dar continuidade, mas também trazem o novo para o empreendimento. Foi isso que aconteceu com a Óticas Rio Preto, que há quase 50 anos nascia pelas mãos do empresário Valdir Nonato. E a sucessão sempre foi uma preocupação do empresário.

"Sucessão familiar é uma questão que sempre me chamou a atenção. Quando meus filhos começaram a despontar, percebi que eles tinham jeito para o comércio. Eles fizeram faculdade, os dois se formaram em direito, mas acabaram se voltando para o negócio da família e hoje são profissionais. Abraçaram o ramo e contribuíram para que a Óticas Rio Preto se tornasse uma referência não só em Rio Preto, mas em todo o Brasil", conta.

Ao entrarem na empresa, Vanessa e Juliano, filhos do empresário, começaram a trazer um novo olhar para toda a estrutura de negócios, explica Valdir. "Eles conseguiram desenvolver um trabalho que contribuiu para o nosso crescimento. Hoje estamos com nove lojas, levamos a marca para as mídias sociais, Facebook e Instagram, meios fundamentais de difundir nosso trabalho. A parte comercial e de mídia, departamento pessoal e treinamento, tudo é feito pela Vanessa e pelo Juliano. A parte financeira ainda está nas minhas mãos."

De acordo com o empresário, eles profissionalizaram a parte de compras, tornaram mais fácil o planejamento e realizar as aquisições dos produtos comercializados na loja. "Para mim, como pai, foi uma tranquilidade. Eles precisam assumir responsabilidades". Mas, por enquanto, o trabalho é conjunto. Valdir continua ativo na empresa e todas as decisões passam pelos três. "Todas as semanas nos reunimos para traçar os caminhos da empresa. Tudo discutido em família." V&A

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