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12/07/2018 - 00h30min

Painel de Ideias

O apagão da vacina

O número de bebês e crianças vacinadas no Brasil atingiu o nível mais baixo nos últimos 16 anos. Todas as vacinas indicadas para crianças com menos de um ano não alcançaram a meta de imunização

O Brasil já foi referência mundial em campanhas de vacinação em massa. Durante muitos anos, havia uma grande mobilização de médicos, enfermeiros, órgãos de saúde, imprensa e, principalmente, pais e responsáveis. Conseguimos erradicar doenças como poliomielite, febre amarela urbana e sarampo. Mas isso, ao que parece, passou. Mesmo com o avanço da ciência, que tornou as vacinas mais seguras, ganha corpo um fenômeno estranho e muito perigoso. Um movimento capaz de comprometer seriamente a saúde de milhões de crianças e velhinhos - é a baixa adesão à vacinação.

Campanhas amplamente divulgadas, que mobilizam um dedicado batalhão de funcionários da área da Saúde. Campanhas que duram semanas, meses, em locais e horários acessíveis, com todo acesso facilitado às informações. Mas o que ocorre hoje por aqui é a fuga dos postos de vacina. Os resultados começam a aparecer: o número de bebês e crianças vacinadas no Brasil atingiu o nível mais baixo nos últimos 16 anos. Todas as vacinas indicadas para crianças com menos de um ano não alcançaram a meta de imunização.  Diante da baixa cobertura, o Ministério da Saúde teve de prorrogar a campanha contra a gripe. Não chegou a 80% da meta, e o número de infecções e mortes dobrou. O índice de crianças que receberam a dose contra a poliomelite teve queda de 7,5% em relação a 2016 e 21% em comparação a 2015. Voltamos a registrar surtos de sarampo, como já ocorreu no Rio Grande do Sul e Roraima.

Por que isso está acontecendo numa época de tanta informação, acesso aos postos de saúde e campanhas gratuitas? Imunizados, nos esquecemos da importância da prevenção? Podemos encontrar uma parte muito importante dessa resposta nas redes sociais, onde, com frequência absurda, aparecem supostos estudos, teorias e pesquisas as mais fajutas, propagando inverdades sobre a eficácia ou malefícios causados pelas vacinas. A boataria não para, espalhando desinformação e seu irmão gêmeo, o preconceito.

Efeitos colaterais inexistentes, vacinas supostamente vencidas, transmissão de doenças, e por aí vai. Há sites de conteúdo altamente duvidoso que prometem até a cura do câncer e do diabetes com receitas que usam muitos ingredientes, menos o bom senso. É preciso comparar. Segundo especialistas, o risco de ocorrer um efeito grave da vacina contra a febre amarela é de 1 em 1 milhão, e o risco de contrair febre amarela selvagem grave é de 10 em 100 casos, e a mortalidade é alta.

Vale mesmo a pena não se imunizar? Há grupos antivacina que, ao privilegiar uma visão individualista, acabam provocando efeitos danosos à coletividade, que deixa de se vacinar, aumentando o risco de circulação do vírus. É preciso prevenir para continuarmos a exibir baixos índices de mortalidade infantil. Diante de tantas mazelas políticas, sociais e econômicas, podemos até pensar que o Brasil não tem jeito. Mas vacina tem.

 

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