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10/07/2018 - 23h51min

Artigo

Aceitar a incerteza

Comentários negativos não alcançam mais do que cem almas, e nem sempre são levados em conta

A cada quatro anos aprendemos a aceitar a incerteza. A Copa do Mundo de Futebol é uma escola que nos ensina muito, apesar de nossas certezas megalomaníacas ou, numa definição mais humilde, nosso falso senso de superioridade. Todos os esportes têm o seu grau de incerteza, e o futebol, como se sabe, é uma "caixinha de surpresas", como diria o nosso bom Rubens Muanis, em seus tempos de locutor.

Há ponderações lógicas. É claro que times cheios de bons jogadores têm maiores chances, casos de Brasil, França, Argentina ou Alemanha. Mas, nem sempre a lógica prevalece. Parece que nossa imprensa esportiva está aprendendo, e foi possível ouvir comentários sobre os detalhes que determinaram a vitória ou derrota de um time. A bola nas costas de Fernandinho pode ser colocada nesta conta.

"O imprevisto é a lei que rege a vida". Quantas vezes não ouvimos ou lemos essa frase? Sempre a uso e a primeira vez que a ouvi foi da boca de um grande pensador, Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde. Todos temos os nossos grandes momentos e as grandes decepções com a Seleção Brasileira de Futebol. Decepções como as derrotas para o Uruguai, em 1950, e para a Itália, em 1982. Alegrias como no México, em 1970, ou no Japão, em 2002.

Os livros de autoajuda são pródigos em lições desse tipo. Aceitar a provação, conviver com o infortúnio e receber como natural as tragédias da vida não é tarefa fácil, mas há livros especializados nisso. Um deles, "Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas", do rabino Harold Kushner, fez grande sucesso. Outros recomendam a meditação como saída, deixar-se em paz e conviver com as vicissitudes. Quando não resolver, você ainda pode recorrer à terapia.

Mas, para as derrotas do futebol ou para as desgraças do cotidiano político brasileiro, não há necessidade de terapia. O bom senso resolve. Importante é não dar bola para as redes sociais. Estudos mostram que por mais que sejamos bem relacionados, os comentários negativos ou observações pejorativas não alcançam mais do que uma centena de almas e estas, às vezes, sequer os levam em conta.

Campeão um maior número de vezes, com o desenvolvimento, crescimento e popularização do futebol em outros países, sabemos que provavelmente seremos alcançados por outras seleções. O Panamá, presente pela primeira vez numa Copa, após a classificação, decretou feriado no país. Viram a comemoração do seu primeiro gol, mesmo perdendo de muito para a Inglaterra? É a evolução em local onde o futebol está longe de ser o primeiro esporte.

O futebol alcançou a primazia, só as Olimpíadas concorrem com ele em popularidade. Saímos cedo da Copa do Mundo de Futebol, mas o esporte continua sendo um de nossos pontos de excelência. Contudo, se continuar sendo mal dirigido e tendo a corrupção entre suas mazelas, certamente, essa excelência vai escoar-se pelo ralo e desaparecer. Ficar triste pode, mas não mais do que isso.

Laerte Teixeira da Costa, Secretário de Políticas Sociais da CSA (Confederação Sindical das Américas); ex-vereador em Rio Preto.

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