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01/08/2018 - 00h30min

DESVIO MILIONÁRIO

Ostentação com dinheiro público

Tesoureira da Prefeitura de Jales é apontada pela Polícia Federal como a mentora de um esquema de desvio milionário de verbas do município

Ccc Acima, Érica (funcionária da Prefeitura), e o marido Beto, presos pela Polícia Federal de Jales; no sentido anti-horário imagens de cheques em branco, veículos apreendidos e dinheiro encontrado durante a operação
Acima, Érica (funcionária da Prefeitura), e o marido Beto, presos pela Polícia Federal de Jales; no sentido anti-horário imagens de cheques em branco, veículos apreendidos e dinheiro encontrado durante a operação

Operação da Polícia Federal de Jales, região de Rio Preto, desmontou, nesta terça-feira, 31, um esquema de desvio de recursos na Prefeitura de pelo menos R$ 5, podendo chegar a R$ 10 milhões. Denominada de Farra do Tesouro, a força-tarefa prendeu cinco pessoas, entre elas a diretora financeira e a secretária de Saúde. Imóveis e veículos foram confiscados, e as duas servidoras foram exoneradas. Para a PF, o rombo é fruto de um "total descontrole" do poder público.

O esquema, segundo a operação, tinha como líder a ex-tesoureira e atual diretora financeira do município, Érica Cristina Carpi Brandt. Transferências bancárias, de 2012, de contas da merenda e do transporte escolar de Jales para uma conta jurídica do empresário e marido de Érica, Roberto Santos Oliveira, conhecido como Beto, mostram que o esquema operava há pelo menos seis anos. A ostentação social do casal, incompatível com o salário de R$ 3,5 mil da comissionada, também chamaram atenção. O casal postava nas redes sociais fotos de festas e eventos badalados. Ao ser presa, Érica deixou o prédio da Prefeitura sorrindo e mandando beijos.

Segundo a PF, nos últimos dois anos a diretora teria desviado cerca de R$ 2 milhões do Fundo Municipal da Saúde. Só em 2018, de acordo com a operação, a tesoureira teria desviado verbas estimadas em R$ 1 milhão. Investigação revelou que Érica também usava cheques assinados em branco pela secretária de Saúde Maria Aparecida Martins para pagar boletos das empresas do marido, como também para pagar roupas de grifes, joias, salão de beleza, festas, casas e carros de luxos, e também para beneficiar a irmã Simone Carpi e o cunhado Marlon Brandt, também presos.

"A presente investigação foi batizada como "Farra no Tesouro", tendo em vista que o total descontrole com que está sendo praticado o peculato por funcionário responsável pela tesouraria da Prefeitura, causando enormes prejuízos à sociedade e tratando o Tesouro Municipal como Patrimônio Particular", afirmou o delegado da PF de Jales Cristiano Pádua da Silva

"Os gastos eram bem pulverizados. Chama atenção cheques de R$ 4 mil, R$ 5 mil e R$ 6 mil reais com compras em boutiques; cheques de R$ 2,5 mil, e R$ 4 mil com beleza, e até um cheque de R$ 12 mil gastos com buffet infantil", afirma a Polícia Federal.

Treze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara da Justiça Estadual de Jales, também foram cumpridos nas casas e empresas dos presos, e também na residência do secretário da Fazenda, Nivael Brás Renesto. Sete veículos do grupo, avaliados em R$ 300 mil, foram confiscados. Três empresas de Beto e uma chácara de luxo, chamada de Estância Felicidade, também foram interditadas e lacradas pelos agentes.

A investigação continua em conjunto com o Ministério Público Estadual. A secretária Maria Aparecida foi ouvida e liberada para responder a investigação em liberdade. Beto e o cunhado foram levados para a Cadeia Pública de Santa Fé do Sul. Érica e a irmã foram conduzidas para a Cadeia Feminina de Nhandeara. O grupo vai ser indiciado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os suspeitos prestaram depoimento durante todo dia desta terça-feira.

(Colaborou Marco Antônio dos Santos)

MP já tinha alertado

No ano passado, o Ministério Público de Jales obrigou a Prefeitura a demitir Érica Cristina Carpi Brandt do cargo de assessoria técnica de gabinete 1, para o qual a comissionada foi contratada em 2005. A advertência foi dada por conta do desvio de função, já que desde a nomeação pelo ex-prefeito Humberto Parini, Érica já atuava como tesoureira.

Para contornar a situação, em julho de 2017, o atual prefeito Flávio Franco (DEM) criou o cargo de Diretora Financeira e recontratou Érica. "Tal manobra permitiu que ela continuasse trabalhando sem concurso público. As circunstâncias e motivos deste fato também serão apurados pela PF e MPE", afirmou nota da PF.

O procurador geral de Jales, Pedro Calado, disse que Érica foi recontratada pela experiência e pela confiança na funcionária. "Vinha desde 2005, o Tribunal de Contas nunca tinha apontado nada, era tranquilo. Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo". Prefeito e os advogados de defesa não foram localizados pela reportagem.

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