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12/07/2018 - 00h30min

NA ROTA DA MÁFIA

Jogadores denunciam tentativa de suborno no América

Jogadores detalham proposta de suborno para facilitar derrotas e favorecer apostadores asiáticos

Guilherme Baffi 12/5/2018 Atletas teriam sido procurados para levar goleada do Bandeirante, no Teixeirão. Na ocasião, Rubro perdeu por 3 a 2 em jogo recheado de polêmicas com a arbitragem, que assinalou três pênaltis para os visitantes. Na imagem, Matheus comemora o gol do empate em 2 a 2 do Rubro
Atletas teriam sido procurados para levar goleada do Bandeirante, no Teixeirão. Na ocasião, Rubro perdeu por 3 a 2 em jogo recheado de polêmicas com a arbitragem, que assinalou três pênaltis para os visitantes. Na imagem, Matheus comemora o gol do empate em 2 a 2 do Rubro

O América entrou novamente na mira da máfia de manipulação de resultados em benefício a apostadores de casas de apostas asiáticas e do norte europeu. Pelo menos seis atletas do clube foram procurados por aliciadores para facilitar resultados em duelos da Quarta Divisão do Campeonato Paulista. A ação visava construir resultados no jogos contra o Bandeirante de Birigui, no Teixeirão, pelo primeiro turno e que terminou em vitória de 3 a 2 para os visitantes, e no duelo do último final de semana, quando o Rubro perdeu da Inter de Bebedouro por 2 a 0.

Três atletas confirmaram detalhes dessa abordagem para fazer o resultado contra o time de Birigui. Os aliciadores prometeram de R$ 5 mil a R$ 10 mil para quem contribuísse com a fabricação de resultados, segundo um dos jogadores do América ouvido pelo Diário. "Um atleta que estava no América disse que queria fechar comigo um negócio e que íamos ganhar dinheiro. E fomos conhecer esse cara", contou um dos atletas, que pediu anonimato por medo de represálias. "Ele perguntou se a gente queria fechar com ele. O pessoal ficou assustado e ficamos de dar a resposta quando chegássemos de volta ao alojamento. Falei que estava fora e avisei para todos que era melhor sair fora, pois isso ia ser ruim".

Os aliciadores convidaram os americanos para uma conversa em um bar badalado às margens da Represa Municipal. Antes de começar a reunião, um dos aliciadores determinou que todos os atletas desligassem os celulares. "Eram três caras, um fez uma chamada de vídeo e nos apresentou a um chinês (possível apostador). Outro chinesinho portava o dinheiro, e os outros dois faziam o contato", detalha o jogador.

Os aliciadores pediram que o América tomasse três gols e em tempos combinados. "Ele (aliciador) iria para o estádio (Teixeirão) e daria sinais no tempo que os gols teriam de sair. Mas não fechamos com ninguém, não", afirmou, confirmando que a contrapartida seria de R$ 5 mil para cada um dos cinco envolvidos e presentes na reunião.

Outro atleta confirmou a abordagem depois de uma tentativa de contato por telefone. "Teve dois meninos que saíram para conversar (com aliciadores) e aí vieram até nós depois. Era para ser 2 a 0 no primeiro tempo, mas não lembro o placar exatamente. Isso nunca aconteceu em minha vida", disse outro atleta.

O convite para o encontro com os mafiosos partiu de uma jogador que já não está mais no América. "Um cara disse que estava vendo meus jogos e que tinha um empresário interessado em assinar contrato comigo. Fui convidado para uma reunião, mas quando chegamos era isso (tentativa de suborno). Ninguém aceitou", disse o jogador, mas com outra versão de valores e placar. "Era para sofrermos três gols no primeiro tempo e dois no segundo. Ia ser R$ 10 mil para cada. Deixamos de lado", afirmou.

Em 2016, o Rubro foi envolvido em caso semelhante, deflagrado na operação Game Over. Na época, o então presidente do clube, José Carlos Pereira Neto, o Zé Branco, diz ter recebido uma proposta de R$ 160 mil de Anderson Silva Rodrigues (chefe da quadrilha no Brasil) para perder o duelo contra o Vocem, em Assis, por 4 a 0 - o Rubro perdeu por 4 a 1. Zé Branco garante ter rejeitado a proposta.

 

Federação vai investigar o caso

O atual presidente do América, Luiz Donizete Prieto, o Italiano, disse que ficou sabendo do assédio dos aliciadores por meio de uma ligação anônima. A primeira medida, segundo ele, foi notificar a Federação Paulista de Futebol, que em 2016 contratou a Sport Radar, especialista em monitorar manipulação de resultados a partir das apostas on-line. "A Federação recebeu o alerta pelo seu radar, são três jogos com suspeita. Além desse do Birigui, teve Catanduvense x América e também contra a Inter de Bebedouro", disse Italiano.

O cartola disse que levou o caso para Federação Paulista de Futebol (FPF) na terça-feira, 10, quando participou do conselho técnico da 2ª fase da Quarta Divisão do Paulista. "Chamei e conversei com todos. No último domingo (a proposta) era para perder de 5 a 0", disse Italiano, que foi orientado a fazer um boletim de ocorrência. "Vou fazer nesta quinta-feira pela manhã e depois vamos ver um dia para os atletas serem ouvidos na Federação."

Em nota, a Federação Paulista afirmou que "foi informada a respeito da denúncia, abriu imediatamente apuração preliminar pela corregedoria e convocou profissionais do América para esclarecimentos."

José Carlos Pereira Neto, o Zé Branco, presidente do Rubro na ocasião do duelo contra o Bandeirante, desconhece o assédio sofrido sobre os jogadores e acredita difícil ter havido combinação de resultado. "Se houvesse manipulação, seria (por parte dos assediadores) com a arbitragem. Ele (o árbitro José de Araújo Ribeiro Junior) nos fez pintar as duas grandes áreas e o meio campo pouco antes do jogo. Ele fez mudar a camisa do nosso goleiro e com ajuda de seus auxiliares deu três pênaltis", disse Zé Branco, que na ocasião invadiu o gramado pós-jogo para tirar satisfação com a arbitragem pelos três pênaltis marcados contra o Rubro. (OJ)

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