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26/07/2018 - 00h30min

OPORTUNIDADE

A hora e a vez dos cinquentões no mercado de trabalho

Mercado de trabalho começa a valorizar trabalhador que já carrega em seu currículo anos e anos de experiência; maturidade é aliada, embora driblar o desemprego seja uma barreira a ser transposta

Cristina Cais Empresária Elisa Graton conta que trabalhar com pessoas mais jovens e públicos diferentes não é um problema
Empresária Elisa Graton conta que trabalhar com pessoas mais jovens e públicos diferentes não é um problema

A economia do País em crise criou desafios para o mercado de trabalho, e um deles é conseguir uma vaga quando já se passou dos "enta". O panorama da recolocação fica mais complicado quando se constata que o Brasil possui mais de 13 milhões de desempregados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas nem tudo está perdido, apostam os especialistas e os seniores, como podem ser chamados os trabalhadores com 50 anos ou mais. Eles consideram que o trabalhador maduro é mais atencioso, mais responsável e conta com a sábia paciência que os anos de experiência lhe acrescentaram ao longo de anos de trabalho. Outro desafio, que veio com a crise econômica, é retornar ao mercado depois de um período sem atividade.

A empresária Elisa Graton, 52 anos, estava há cinco anos fora do mercado de trabalho, o que ela considerou ficar em uma "zona de conforto". Com os filhos já adultos, conta que deixou o emprego formal para "desacelerar um pouco".

No começo, Elisa disse que é interessante curtir uma parte da ociosidade, mas depois começa a surgir um vazio. "Eu tenho muita energia, mesmo sem trabalhar fora tinha uma rotina de horários. Gosto de acordar cedo, ir para a academia e fazer as refeições dentro dessa rotina. No entanto, percebi que poderia aproveitar toda a minha disposição para voltar ao trabalho", diz Elisa.

A experiência tem sido muito positiva. "Vejo que quando você volta a trabalhar com 52 anos, a aceitação das pessoas é grande. Acredito muito que o preconceito com a pessoa mais madura está dentro dela, por não se achar capacitada para as suas atividades de trabalho. Acredito num mercado totalmente aberto".

Como todo recomeço não é fácil para ninguém, a empresária afirma que ficou receosa, no início, em não conseguir acompanhar o ritmo da sua sócia, que tem 24 anos. "Eu trabalho com pessoas mais jovens e com um público de diferentes idades, mas fiquei feliz em perceber que não foi problema algum". Hoje, ela explicou que está mais confiante no desempenho das suas funções, do que quando tinha seus 20 e poucos anos.

Não ter cursado uma faculdade não impediu Elisa de crescer profissionalmente. Ela terminou o Ensino Médio e até começou o curso de Psicologia, mas não concluiu. O importante, segundo a empresária, é que sempre buscou se reciclar e fez vários cursos que aprimoraram seus conhecimentos na área em que atua.

Com a bibliotecária Paula Dias, 54 anos, a reviravolta profissional começou quando ela se separou do marido e teve que manter a casa e a responsabilidade com os filhos sozinha, principalmente pelo fato de o pai de seus dois adolescentes (na época) ter se mudado de cidade. Difícil recomeço, já que Paula estava afastada há 10 anos do mercado de trabalho.

Na sua área de atuação profissional, Paula não conseguia emprego e atualmente trabalha como recepcionista de uma escola. "Com o fim do meu casamento e a falta de trabalho, foi bem complicado. Fiquei sem rumo", disse Paula.

Até conseguir um emprego formal, Paula passou por vários processos seletivos em busca de uma vaga de trabalho. Hoje, considera que está numa empresa séria e teve que aprender a lidar com várias situações pouco comuns à sua profissão. A maturidade para ela, nas questões do trabalho, não lhe trouxe problema. Muito pelo contrário, ela acredita que é mais atenciosa no atendimento que faz ao público. "Geralmente as pessoas elogiam o meu trabalho porque dizem que tenho paciência e dou mais atenção", finaliza Paula.

análise

Profissionais maduros em evidência

Maturidade, responsabilidade e comprometimento são alguns dos adjetivos que os profissionais com mais de 50 anos trazem, e é exatamente isto o que as empresas buscam para ter no seu quadro de funcionários.

De uns tempos para cá, estes profissionais estão mais em evidência, pois costumo dizer que talento não tem idade. Na empresa em que trabalho, quando temos vagas em aberto, prospectamos currículos destes profissionais seniores, avaliando sempre os postos de trabalho e a função que irão executar.

No início, tivemos um pouco de resistência por parte da liderança da empresa, mas com bons argumentos e o profissional mostrando na prática a qualidade do trabalho, o resultado foi muito positivo.

Hoje é a liderança da empresa que nos solicita o perfil mais maduro para atuar no seu quadro de funcionários.

Camila Pedrini, gerente de Recursos Humanos

Projeto busca reinvenção do trabalho

Psicólogo Luiz Fernando Garcia coordena programa
Psicólogo Luiz Fernando Garcia coordena programa

Há dois anos, o psicólogo e pedagogo Luiz Fernando Garcia reúne um grupo de profissionais, de diferentes áreas de atuação, para discutir a reinvenção do trabalho. A proposta ganhou o nome de 50 , voltado para as pessoas com mais de 50 anos, o que Luiz Fernando prefere chamar de seniores. "O nosso desafio é justamente ajudar profissionais a reconhecer o saber que está instalado dentro deles, mas que às vezes é necessário reformular, readaptar e atualizar", explica Luiz.

A cada 15 dias, o encontro reúne médicos, professores, advogados, empresários, além de outros profissionais, que estão aposentados ou não e também as pessoas que estão aposentadas e continuam no mercado de trabalho. A ideia, segundo Garcia, é sempre voltada para o trabalho produtivo e qual aspecto poderá ser aprimorado.

"A maior parte do nosso tempo passamos dentro de uma organização de trabalho e conforme há a ruptura, por demissão ou por aposentadoria, as pessoas se sentem afastadas da vida", afirma Luiz Fernando. A própria instituição em que o profissional está trabalhando, conforme o psicólogo, terá um significado diferente. "É o nosso negócio, a nossa empresa, a nossa doação, um vínculo afetivo entre o trabalho e as pessoas".

Ele destaca que quando o profissional deixa o trabalho, não tem noção, muitas vezes, do que fazer. Se ocorre a demissão, o trabalhador fica "à margem do processo, perde os amigos e fica envergonhado com a situação". O psicólogo explica então que é uma questão muito séria e pode causar um impacto no equilíbrio da saúde.

Na questão da aposentadoria, o quadro é semelhante, significa que o profissional vai se retirar da empresa. "Eu vou me aposentar, vou para os aposentos, e ninguém quer ir para os aposentos", afirma. E o grupo criado veio revitalizar todas essas questões, com um questionário elaborado, em que 120 pessoas - numa faixa etária de 41 a 60 anos - foram ouvidas sobre vários desejos da vida, profissional ou não.(CC)

Sul e Sudeste são regiões com mais idosos

O envelhecimento da população brasileira se fará sentir inicialmente no Sul e no Sudeste do País, de acordo com a pesquisa Projeção da População (revisão 2018), divulgada nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2060, segundo a pesquisa, um quarto da população do Brasil (25,5%) deverá ter mais de 65 anos.

O Rio Grande do Sul é apontado como aquele que primeiro experimentará uma proporção maior de idosos do que de crianças de até 14 anos, já em 2029. Em contrapartida, Estados considerados mais jovens, como Amazonas e Roraima, continuarão com mais crianças do que idosos até o limite da projeção, em 2060.

Atualmente, a maior expectativa de vida ao nascer é registrada em Santa Catarina (79,7 anos). Em 2060, o Estado do Sul mantém o posto, chegando aos 84,5 anos. No outro extremo, o Maranhão (71,7 anos) tem hoje a menor esperança de vida, posição que deverá ser ocupada pelo Piauí, em 2060 (77 anos).

Os números refletem as taxas de fecundidade. Atualmente, é de 1,77 filho por mulher. Em 2060, o número médio deverá chegar a 1,66. As maiores taxas estão em Roraima (1,95), Pará, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (todos com 1,8). As menores deverão estar no Distrito Federal (1,50) e também em Goiás, Rio de Janeiro e Minas (todos com 1,55). A idade média em que as mulheres têm filhos hoje no País é de 27,2 anos, número que poderá chegar a 28,8 em 2060.

De acordo com a pesquisa, a população brasileira continuará crescendo até 2047, quando deverá chegar a 233,2 milhões de pessoas. Nos anos seguintes, ela cairá gradualmente até chegar a 228,3 milhões no ano de 2060.

 

Mais aposentados estão na ativa

Izabel de Souza Barros Cardoso, 59 anos, se aposentou há seis anos e continua a trabalhar na mesma empresa. Ela trabalha há 40 anos em uma corretora de seguros, em Rio Preto, e não pretende deixar o emprego tão cedo. "Me sinto produtiva e me completo com a empresa, que sempre me proporcionou condições de inovar".

Como Izabel, muitos aposentados no Brasil estão adiando a saída do mercado de trabalho. Foi o que revelou recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento mostrou que se em 2012, 6,3% dos aposentados continuavam no mercado, em 2018 o percentual passou a ser de 7,8%.

Ainda que exista o envelhecimento da população, para o Ipea há também uma mudança de comportamento do brasileiro, que mesmo atingindo a faixa etária para a aposentadoria ainda se apresenta como força de trabalho. (CC)

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