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24/07/2018 - 23h10min

BOM PAGADOR

Vem aí o cadastro positivo, que facilita crédito

Ficar com o nome sujo é o principal problema para voltar a ter acesso ao crédito; com a entrada do Cadastro Positivo em vigor, pode ficar mais fácil para quem conseguir uma boa pontuação

Divulgação/Paulo de Paula Coordenadora do SCPC, Luciene Silvestre, afirma que com o cadastro será possível verificar quem paga em dia contas de água, energia, telefone, entre outras
Coordenadora do SCPC, Luciene Silvestre, afirma que com o cadastro será possível verificar quem paga em dia contas de água, energia, telefone, entre outras

A negativação do nome do consumidor, em lojas ou operadoras de crédito, sempre foi o maior problema para ele voltar a ter uma chance de consumo, mesmo que o "vacilo" com as contas tenha ocorrido num momento em que o trabalhador perdeu o emprego, por exemplo. Mas agora, com a aprovação da Câmara dos Deputados do projeto de lei Cadastro Positivo (PLP441-2017) - a lei ainda precisa ter a aprovação do Senado - uma nova luz no fim do túnel pode surgir para quem procura por um crédito no mercado.

"Pessoas que não têm como comprovar renda ou que não possuem conta bancária, mas pagam suas contas em dia, podem se beneficiar com a medida", explica a coordenadora do SCPC da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), Luciene Silvestre. Muitas vezes, afirma ela, "pessoas nesta situação não existem para o mercado financeiro, mas com o Cadastro Positivo será possível verificar quem paga em dia contas de água, energia, telefone etc".

O Cadastro Positivo já existe desde 2013, mas o consumidor precisava se cadastrar para conseguir algumas vantagens de crédito, sendo uma opção. Com o projeto de lei aprovado, automaticamente o consumidor terá seu nome no banco de dados de birôs de créditos, como Serasa e SCPC, com informações sobre as suas contas, e terá de solicitar a exclusão, caso não deseje o Cadastro.

Assim, o bom pagador conseguirá uma pontuação em instituições financeiras, com a possibilidade de juros menores, de acordo com seus pontos. Luciene lembra que o Cadastro Positivo não exclui a negativação do consumidor, mas se antes ele não conseguiria comprar ou obter crédito, com a aprovação da lei, se pagar todas as contas em dia, novas possibilidades para conseguir um empréstimo ou mesmo para comprovar sua renda serão uma boa oportunidade de se readequar ao mercado.

A coordenadora do SCPC da Acirp disse que, hoje, cerca de 22 milhões de consumidores estão sem acesso a crédito no Brasil. "Um trabalhador que está inadimplente, com o Cadastro Positivo, vai conseguir algum crédito, com juros de acordo com a sua pontuação. Acredito que será muito benéfico", explica Luciene.

Foi o que aconteceu com a dona de casa Keli Cristina da Silva Dominici. Há seis anos, ela está com restrição de crédito, o que a impediu de fazer um financiamento para ter sua casa própria. "Emprestei meu cartão de crédito para um parente, ele não pagou e fiquei com o nome sujo no mercado. Só posso comprar à vista", diz Keli. O pagamento das contas, ela procura fazer sempre corretamente e, apesar de não saber da novidade do Cadastro Positivo, a dona de casa se animou com a possibilidade de obter benefícios.

Para Laerte Alves Pereira, corretor de imóveis, o Cadastro Positivo já faz parte de suas atividades financeiras. "Ainda não atingi uma pontuação, mas também, quando faço minhas compras, procuro pelo pagamento à vista", disse. Ele afirmou que é interessante a nova medida, caso necessite de crédito com juros menores.

Comprovação

A maior dificuldade para a dona de casa Edotânia Aparecida Pereira Ferreira é a comprovação de renda quando ela precisa fornecer seus dados para uma loja. Ela está com seu nome negativado e depois de saber do Cadastro Positivo acredita que será possível financiar suas compras.

Luciene lembrou também que muitos consumidores procuram por um financiamento, mas desistem "porque os juros são altíssimos". Com o Cadastro Positivo, um nicho de consumidores que hoje não existe para o mercado, segundo a coordenadora, entra para uma espécie de lista de bons pagadores, sendo reconhecidos para o mercado financeiro.

"Hoje no Brasil, se trabalha muito com o cadastro negativo. Mesmo a pessoa pagando suas contas em dia, basta um deslize e ela já é excluída do seu potencial de compra", comenta Luciene. Além do consumidor, ela acredita que o empresários e comerciantes serão também amparados pela nova medida, proporcionando um crédito mais seguro e assertivo ao comprador.

 

Economista não crê em benefícios reais

Divulgação Economista Ary Ramos da Silva Júnior
Economista Ary Ramos da Silva Júnior

O coordenador do curso de Economia da Unirp, o economista Ary Ramos da Silva Júnior, analisa que "o mercado financeiro e os bancos de uma forma geral defendem a tese de que o Cadastro Positivo seria um instrumento importante para reduzir as taxas de juros da economia brasileira. "A ideia pode ser positiva, os juros podem até cair, porém não acredito que esta queda seria assim tão considerável".

Os benefícios para a população que paga em dia suas contas e consegue honrar seus compromissos sem atrasos, conforme o economista, são inegáveis. Mas para ele não existe a redução dos juros associada ao Cadastro. "Enquanto tivermos um Estado perdulário, no Brasil, não vamos conseguir uma taxa de juros civilizada e decente para a população, pois grande parte dos recursos será voltada para que este mesmo Estado consiga cumprir com seus compromissos fiscais", considera o professor.

Para avaliar o consumidor, as instituições de crédito buscam o score. O economista explica que "o score pode ser definido como um instrumento utilizado pelas empresas ou bancos para dar crédito para seus clientes, uma espécie de classificação de consumidores. Atualmente, cada empresa ou banco adota seu próprio score baseado nas experiências de consumo que possui com aquele cliente. Muitos são bons pagadores, mas como não possuem um histórico de consumo com aquela empresa, a nota de score inicial será baixa. Esta é a ideia do cadastro positivo, que todos os bancos e empresas tenham acesso a todo o histórico do cliente. Se este tiver bom histórico, os bancos acreditam que, com isso, poderiam melhorar o score do cliente e melhorar as taxas cobradas dos bons pagadores, beneficiando os melhores em detrimento dos pagadores ruins".

Uma das questões que foram colocadas na pauta de discussão do projeto de lei do Cadastro Positivo foi a da privacidade dos consumidores, já que teriam seus nomes e seus dados liberados para a consulta de instituições financeiras. Ramos explica que há ainda muitos desafios com relação à privacidade de informações. "No Brasil, precisamos evoluir muito para chegar a uma estrutura com riscos razoáveis. Temos muitas falhas e deficiências que deveriam ser primeiro corrigidas, e, depois, caminhar para estes cadastros num tempo maior", finaliza o economista.

Inadimplência tem queda em maio

Em Rio Preto, o Indicador de Registros de Inadimplentes caiu 2,0% na comparação mensal de maio contra o mês anterior, de acordo com os dados da Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

No resultado acumulado, a inadimplência diminuiu 1,4%, enquanto na variação interanual (mesmo mês do ano anterior) o indicador cedeu 4,5%.

O resultado local é melhor do que o nacional, já que entre maio e abril, no Brasil houve alta de 0,5%. No acumulado do ano a queda é de 1,3%.

Ao mesmo tempo, a recuperação de crédito do consumidor, por sua vez, subiu 1,9% na comparação mensal de maio contra o mês anterior.

No resultado acumulado, a recuperação cresceu 3,5% enquanto na variação interanual (mesmo mês do ano anterior) o indicador elevou 3,7%. O dado local também é melhor que o nacional, pois no País houve redução de 0,7% entre abril e maio e queda de 1,8% no acumulado do ano.

(Colaborou Liza Mirella)

Saiba mais

  • Dados - Os dados serão usados para análise de crédito e negócios e podem ser usadas por lojas, bancos, instituições financeiras etc
  • Informações - O Cadastro Positivo reúne informações de contratos como empréstimos, financiamentos, crediários, entre outros. Estarão disponibilizados número de parcelas, data de vencimento de compromissos, como cheque especial, cartão de crédito e contas de água, energia, TV, internet, assistência médica, escola particular etc.
  • Como funciona - Mesmo que o consumidor esteja negativo, ele pode entrar para o Cadastro Positivo. Dessa forma, a empresa vai conseguir avaliar seu perfil como pagador do sistema a crédito
  • Saída - O consumidor pode sair do cadastro - que não é obrigatório - no momento em que desejar. O processo é gratuito
  • Adesão - Até que a lei seja aprovada, a pessoa interessada em incluir seu nome na lista do Cadastro Positivo deve fazer o cadastro on-line no site www.consumidorpositivo.com.br. É a única ferramenta e forma disponível hoje. Depois da aprovação, ninguém mais precisará fazer o cadastro. A inclusão será automática

 

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