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28/07/2018 - 00h30min

AGRODIÁRIO

Casal cuida de 30 vacas e outras novilhas com produtos homeopáticos

Casal de Rio Preto tem sítio em que as vacas e novilhas são tratadas apenas com produtos encontrados na natureza. Os produtores rurais apostam na homeopatia e nem passam perto de medicamentos tradicionais

Fotos: Rosi Caires/Colaboração Na Estância Pirajá existem 54 piquetes que são divididos por grupos de animais que, a cada dia, mudam de piquete; é dessa forma que se alimentam
Na Estância Pirajá existem 54 piquetes que são divididos por grupos de animais que, a cada dia, mudam de piquete; é dessa forma que se alimentam

Muitos torcem o nariz quando se fala em homeopatia. Não é simples mudar o hábito de consumir remédios alopáticos tradicionais por produtos naturais. Agora, convença um pecuarista a jogar no lixo os vidros de carrapaticidas e vermífugo dos seus animais. Ou então diga para um fazendeiro que é possível eliminar a ração de sua propriedade. Com certeza haverá uma grande frustração na tentativa. Não para o casal Júlio César Machado de Campos e Isabel Cristina Sprangoski, que tem uma pequena propriedade de dois alqueires próximo à Vila Azul, em Rio Preto.

Os dois passam o dia cuidando de 30 vacas e outro tanto de novilhas da raça jersey, usando somente produtos encontrados na natureza. As vacas são tratadas apenas com homeopatia. Na verdade, elas comem um punhado de ração que é colocado num pequeno recipiente onde se mistura o remédio. É só neste momento que os animais, na hora da ordenha, ingerem um pouco de ração. Nem mesmo milho elas comem. Mas milho não é natural? Júlio contesta: O milho é transgênico e faz mal à saúde".

Para quem duvida que a homeopatia funciona, eles desafiam: "Quem encontrar um carrapato em uma das minhas vacas, pode levá-la, de graça".

Os dois são figuras simples, longe do estereótipo de hippies ou esotéricos. A opção foi por filosofia de vida. Júlio lembra que "estamos sendo envenenados de tanta porcaria que colocam nas plantações."

Júlio é aposentado da antiga Telesp e Cristina é publicitária, mas resolveram mudar de vida. É bem verdade que Júlio carrega este sonho desde quando era funcionário da estatal. Já havia começado a tirar leite, com apenas dez vacas e utilizando o sistema tradicional. Mas desanimou com as derrotas constantes para os carrapatos. "Eu não conseguia acabar com os carrapatos e tive algumas discussões com o meu funcionário, que, na época, cuidava de quase tudo, pois eu não tinha tempo. Mas a culpa não era dele. As vacas ficavam infestadas de carrapatos e não tinha como acabar com eles".

Cristina faz outra observação. "Sem falar que aqui vivia infestado de moscas. Não dava nem para comer, de tanta mosca nos pratos". Hoje, ver mosca na casa do casal é coisa rara. Júlio não tem tanta certeza, mas arrisca: "Acho que a homeopatia faz com que haja uma inibição nos ovos das moscas que são colocados nas fezes e eles não eclodem".

Júlio lembra também que foi comprar vacina (isto ele utiliza como todo mundo) e viu um frasco de vermífugo custando cerca de R$ 300. Ele fala, sorrindo: "As vacas adoram folha de bananeira, que é um vermífugo natural sensacional. Existem outros naturais. É claro que dá um pouco mais de trabalho. Mas são eficientes".

Mas, afinal, como as vacas se alimentam? Na Estância Pirajá existem 54 piquetes que são divididos por grupos de animais que, a cada dia, mudam de piquete. Depois de 18 dias eles completam a rotação e voltam para o primeiro, já com o capim crescido e pronto para alimentar o rebanho. Em época de seca, um talhão de meio alqueire de cana-de-açúcar complementa a alimentação.

Para que os piquetes não acabem, o casal faz a correção com calcário e usa uma pequena quantidade de adubo, mas o forte da adubação também é natural. Júlio explica: "Eu pego todas as folhas, galhos e esterco da estância, trituro e jogo no pasto. A CPFL também me dá todos os galhos triturados que ela pega nas ruas, cortando árvores. Semeio, para a época do inverno, o capim azevém, que ajuda na alimentação quando o capim jinggs não dá conta do recado".

Produção

A propriedade produz cerca de 350 litros de leite por dia, dos quais 30% para a fabricação de queijos. Eles fabricam queijos fresco, meia cura, brie, awá, pirajá, parmesão e ricota. Cerca de 10% do leite é vendido na propriedade e 60% vão para a Associação de Produtores de Potirendaba, que revende para uma fábrica de queijos. O casal já vendeu, por um tempo, queijos, principalmente o brie, para um dos maiores queijeiros do Brasil, mas desistiram.

"Ele comprava bem e nos fez conhecidos no meio, mas a logística é complicada, além do que as vendas aqui na propriedade aumentaram muito. Resolvemos vender tudo aqui".

Da empresa privada para a vida no campo

Júlio trabalhava na Telesp, mas tinha paixão pelo mato, pela roça. Conseguiu comprar a Estância Pirajá e há 18 anos adquiriu dez novilhas e começou o processo, com tudo tradicional, inclusive a ordenha, que era manual. Hoje é tudo mecanizado, com dois funcionários fazendo o trabalho. Em 2004, fizeram um curso de agricultura orgânica e se apaixonaram pelo projeto. "Ficamos uma família, começamos a trocar experiências e aí encontramos o que queríamos".

As vacas foram dando cria e aumentando o rebanho. Foi então que resolveram mecanizar a ordenha e investir na produção de queijos. O casal percebeu que dava prazer produzir leite com qualidade e também com um custo menor. Os dois sabem que os produtos que saem da propriedade são saudáveis, livres de transgênicos e de venenos.

Enquanto a maioria quer mais conforto e tecnologia, Júlio e Cristina vão na contramão. Já compraram outra pequena propriedade em Potirendaba e apesar da energia passar dentro de suas terras, investem em energia solar e eólica.

Com a ajuda de um amigo, estão fabricando uma espécie de moinho de vento que vai abastecer a casa. Cristina enche os olhos quando fala do futuro. "Não vejo a hora de ir para lá. Mais racional, Júlio argumenta. "Estou praticamente dentro da cidade, aqui. Uma hora ou outra terei que vender esta propriedade, então já estamos preparando a nossa futura moradia". (JCP)

Adoção total é gradual

Não é fácil nem tão pouco rápido usar 100% de homeopatia em uma propriedade rural. Tanto é que Júlio e Cristina são os únicos da região. O veterinário Márcio Vinícius da Silva Gubolin, que trabalha com homeopatia e conhece muito bem o casal, afirma que Júlio vem há muito tempo com o trabalho, por isso chegou a um estágio em que pode usar apenas a homeopatia, mas o trabalho é lento e gradual. "Outros produtores usam a homeopatia e a alopatia porque precisam de respostas rápidas".

É assim que funciona, na explicação do veterinário: "A alopatia é curativa e a homeopatia, preventiva. No caso dos carrapatos, por exemplo, o veneno mata na hora, mas apenas os que estão no animal, 5%. Os outros 95% estão no solo. A homeopatia vai, aos poucos, reduzindo a quantidade de carrapatos até acabar com eles. O problema é que a alopatia acaba também com os inimigos naturais, como aranhas que comem os carrapatos envenenados e morrem também. Temos casos de galinhas e pássaros que morreram ao comer carrapato envenenado. Isto não acontece com a homeopatia".

Não dá para dizer que o leite produzido com animais tratados com homeopatia seja de melhor qualidade, mas Márcio diz que o custo é menor e também há uma maior longevidade dos animais. "Há também pessoas que procuram produtos com um conceito mais saudável. Por isso, aos poucos, os produtores vão aderindo à homeopatia". (JCP)

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