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25/07/2018 - 00h30min

CRÍTICA LITERÁRIA

Presidente da Abresc João Paulo Vani lança obra na Flip

Presidente da Abresc transformou em livro sua dissertação de mestrado em que analisa o terror e trauma na literatura

Guilherme Baffi 24/4/2018 João Paulo Vani lança seu livro na Flip nesta sexta-feira, 27
João Paulo Vani lança seu livro na Flip nesta sexta-feira, 27

Fundador da Academia Brasileira de Escritores (Abresc), o jornalista e editor João Paulo Vani, de Rio Preto, lançará, pela primeira vez, uma obra de sua autoria dentro da programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que tem início nesta quarta-feira, 25.

Um desdobramento de sua dissertação de mestrado na área de crítica literária, defendida em 2014, o livro Terror e Trauma na Literatura: do 11 de Setembro às Marcas na Alma (EDUC/PUC-SP) revela as inúmeras verdades em torno de um fato histórico que não são abarcadas por sua versão oficial. São verdades que fazem parte da narrativa de personagens impactados por tal acontecimento.

Para compor a argumentação de sua crítica literária, Vani recorreu à análise do romance Extremely Loud & Incredibly Close (Extremamente Alto & Incrivelmente Perto), publicado pelo escritor Jonathan Safran Foer em 2005 e lançado no Brasil, no ano seguinte, pela editora Rocco. Mesclando ficção e realidade, o autor norte-americano constrói uma história que tem como referência o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, por extremistas islâmicos ligados à organização Al-Qaeda.

“Em um contexto que parece ser inimaginável a possibilidade de a maior potência bélica do planeta ser atacada em seu próprio território, terroristas sequestraram aviões comerciais e os transformaram em verdadeiros mísseis, disparados contra as torres gêmeas. É nesse cenário que se passada uma das linhas narrativas do romance de Foer, que tem o pequeno Oskar, de apenas 8 anos, como narrador”, explica Vani. Tal história foi adaptada para o cinema em 2012, no filme Tão Forte e Tão Perto, que traz em seu elenco nomes como Tom Hanks e Sandra Bullock.

Filho de uma das vítimas do atendado terrorista, o pequeno Oskar tem sua trajetória permeada por mais duas narrativas: uma que conta a história de seus avós judeus, que sobreviveram ao bombardeio incendiário à Dresden (Alemanha), ocorrido entre 13 e 15 de fevereiro de 1945; e outra que envolve uma longa carta escrita ao garoto por sua avó, recheada de elementos da identidade da família que o pai do menino não teve tempo de transmitir ao filho.

Segundo ele, o romance de Foer reflete a fragmentação do indivíduo inerente à pós-modernidade, o que permitiu que vozes historicamente caladas fossem ouvidas.

Para dar vida ao livro, a dissertação de mestrado passou por um processo de "simplificação", de modo que seu discurso chegasse aos mais diferentes perfis de leitores. "A dissertação de mestrado é um texto muito denso, repleto academicismos e teorias. A minha dissertação, por exemplo, conta com quatro capítulos, que no livro viraram 12. Precisei quebrar com essa forma mais acadêmica para apresentar algo mais lógico aos leitores", comenta.

O lançamento do livro Terror e Trauma na Literatura: do 11 de Setembro às Marcas na Alma na Flip 2018 está programado para esta sexta-feira, 27. Mas, nesta quinta, 26, Vani comanda uma oficina de crítica literária no evento, o maior do Brasil dedicado à literatura. "No lançamento deste livro, não quero focar na questão comercial, mas, sim, oferecer o máximo de conteúdos para as pessoas", diz.

Depois da Flip, o rio-pretense segue para São Paulo, onde fará o lançamento de sua obra no Museu da Imagem e do Som (MIS) no próximo domingo, 29. O bate-papo sobre a obra será antecedido pela exibição do filme Tão Forte e Tão Perto.

Colson Whitehead é um dos destaques

Megan Farmer/Divulgação Norte-americano Colson Whitehead vai dividir mesa com o jovem Geovani Martins na edição 2018 da Flip
Norte-americano Colson Whitehead vai dividir mesa com o jovem Geovani Martins na edição 2018 da Flip

Autor do premiado The Underground Railroad - Os Caminhos Para a Liberdade (HarperCollins Brasil), vencedor do Pulitzer de ficção e do National Book Award e que vai virar série da Amazon com direção de Barry Jenkins (Moonlight), o norte-americano Colson Whitehead é um dos destaques da edição 2018 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Neste sábado, 28, ele vai dividir a mesa do evento com Geovani Martins, morador do morro do Vidigal que acaba de estrear na literatura com O Sol na Cabeça, cujos direitos já foram vendidos para diversos países e para o cinema - Karim Aïnouz vai dirigir o filme.

Hilda Hilst (1930-2004) é a grande homenageada e será lembrada em algumas das mesas da programação. No domingo, 29, por exemplo, Eder Chiodetto, Iara Jamra e Zeca Baleiro, que fizeram obras baseadas no trabalho dela, relembram seus encontros com a escritora. Em outros casos, uma performance inspirada em sua obra será feita antes do início dos debates.

Destaque também para a mesa Amada Vida, com Djamila Ribeiro, pesquisadora de filosofia política, feminista e autora de O Que é Lugar de Fala? (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Companhia das Letras), e com a escritora argentina Selva Almada, autora de Garotas Mortas (Todavia).

Entre os estrangeiros, participam Leïla Slimani (Marrocos/França), vencedora do Gouncourt com Canção de Ninar (Tusquets); André Aciman (Egito/EUA), autor de Me Chame Pelo Seu Nome (Instrínseca), que virou filme recentemente; o historiador Simon Sebag Montefiore, biógrafo de Stálin, dos Ramanov, de Catarina, a Grande e de Jerusalém, todos publicados pela Companhia das Letras; e Christopher de Hamel, especialista em manuscritos medievais.

E ainda tem Liudmila Petruchévskaia (Rússia), Alain Mabanckou (Congo/França), Isabela Figueiredo (Moçambique/Portugal), o suíço Fabio Pusterla, a italiana Igiaba Scego, entre outros.

 

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