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10/07/2018 - 11h22min

AJUDA VOLUNTÁRIA

Ligações para o CVV agora são gratuitas

Em Rio Preto, são 140 atendimentos diários - número que deve dobrar

Johnny Torres 10/7/2018 Voluntária durante atendimento no CVV de Rio Preto: ligações são sigilosas
Voluntária durante atendimento no CVV de Rio Preto: ligações são sigilosas

Desde o início de julho, as ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV) passaram a ser gratuitas em todo o País. Pelo número 188, quem estiver em sofrimento, crise ou cogitando cometer suicídio pode obter ajuda gratuita a qualquer hora do dia e pelo tempo que precisar, anonimamente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o suicídio um problema de saúde pública e estima que 90% deles poderiam ser prevenidos.

José Manoel Bertolote, professor do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da Unesp de Botucatu diz que é preciso pensar em fatores de risco e de proteção - o CVV se encaixa neste último. "O indivíduo suicida sente-se solitário. Um número simples que ele pode ligar sem pagar já funciona como fator de proteção. O CVV presta um inestimável auxílio", considera. Para o Centro, não telefona apenas quem pensa em tirar a própria vida, mas quem está passando por uma crise.

Francisco Garcia, coordenador do CVV de Rio Preto, estima que o número de ligações deve dobrar. Atualmente são em média 140 por dia, mas no último domingo, 8, a região gerou 397 chamadas. Somente ele, entre 23h e 7h de segunda-feira, 9, atendeu a 90, sendo que 36 pessoas ficaram mais de 20 minutos na linha. Além do telefone, as equipes atendem por e-mail e chat. "As pessoas que buscam o CVV trazem uma solidão muito grande. São pessoas que vivem emocionalmente sozinhas, mesmo vivendo em família, estando em multidão. Vêm para o CVV em busca de alguém que não faça julgamento, questionamento, que não dê conselho", fala Francisco. Muitas pessoas falam sobre incertezas a respeito do futuro e questões sexuais. 

A proposta não é aconselhar quem liga, mas sim colocar-se disponível. "Pelo tempo que a pessoa achar necessário. É ela quem começa a ligação, é só ela que desliga o aparelho. O tempo todo que ela estiver buscando apoio emocional, esse funcionário vai estar com ela", garante Garcia. "Se terminou o atendimento e ela continua necessitando de alguma ajuda, a gente convida a ligar novamente."

CVV precisa de voluntários

O CVV tem mantido apenas um voluntário em cada plantão e feito turnos mais longos com os ouvintes - em vez de trabalhar quatro horas, eles têm trabalhado seis, e mesmo assim não dão conta de responder a todos os chamados. Isso porque estão precisando de voluntários. Para se cadastrar, o interessado pode acessar https://www.cvv.org.br/voluntario/ ou ligar para (17) 3233-4111. Depois de feito o cadastro, ele deverá passar por um curso de capacitação.

Sinais e formas de ajudar

Sinais de que uma pessoa está pensando em cometer suicídio:

  • Se a pessoa tem alguma doença psíquica (depressão, alcoolismo, esquizofrenia e transtorno de personalidade do tipo impulsivo), esteja atento;
  • Isolamento: a pessoa fica retraída, não quer mais conversar, se afasta dos amigos, da família e das redes sociais e começa a se trancar no quarto.
  • Comentários como "eu não aguento mais viver", "não acho graça em nada", "vou desaparecer", "vou deixar vocês em paz", "eu queria dormir e nunca mais acordar", "é inútil fazer algo para mudar, só quero me matar";
  • Começar a se desfazer dos pertences sem nenhum motivo;
  • Principalmente nos adolescentes, mudanças bruscas no comportamento - era mais sociável e agora está retraído ou era mais quieto e agora está agitado;

Onde procurar ajuda?

  • Se você conhece alguém que está sofrendo, ofereça apoio. Diga: "acho que você está diferente. Posso ajudar?". Ouça a pessoa e a ajude a procurar a assistência especializada;
  • Se você está precisando de apoio, converse com alguém de sua confiança. Se não se sentir à vontade com ninguém, ligue para o CVV a qualquer hora do dia, pelo número 188. As equipes atendem por e-mail e chat. Mais informações no site https://www.cvv.org.br/;
  • Procure uma Unidade Básica de Saúde e peça encaminhamento ou vá diretamente a algum dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), destinados ao atendimento de pessoas com intenso sofrimento psíquico. Na rede municipal básica, é a referência para tratar as tendências suicidas. Seus profissionais estão capacitados a reconhecer o problema. A partir do acolhimento, será definido o plano terapêutico.

Ajuda contínua é imprescindível

A psicóloga Mônica Soares destaca a importância do CVV, mas enfatiza que é preciso buscar ajuda profissional quando os pensamentos suicidas são recorrentes. "O CVV tem um trabalho maravilhoso, ajuda no ápice do desespero, mas a pessoa precisa de ajuda contínua, de tratamento e identificar o que está acontecendo", pondera. Os pensamentos suicidas podem surgir de problemas psíquicos ou situações que o indivíduo está enfrentando. "Essa ideia recorrente não faz bem, não é saudável, atrapalha a qualidade de vida", afirma.

O professor José Manoel Bertolote, da Unesp, diz que os fatores de risco mais comuns para suicídio são os transtornos mentais, sobretudo de quatro tipos: depressão, alcoolismo, esquizofrenia e transtorno de personalidade do tipo impulsiva. "O tratamento é um fator que minimiza o risco, e onde isso é feito adequadamente a taxa de suicídio é menor do que onde não é feito." (MG)

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