Diário da Região

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12/07/2018 - 00h13min

Eles faturam no 'ZAP'

Uso de aplicativo barateia custo e ajuda a criar fontes de renda

Sem gastos de aluguel e transporte, e com mais comodidade para os clientes, rio-pretenses descobrem o trabalho em casa usando o aplicativo WhatsApp. Falta sair da informalidade

Maria Isabel e a mãe, Lilian, lucram com banana orgânica ofertada no 'zap'
Maria Isabel e a mãe, Lilian, lucram com banana orgânica ofertada no 'zap'

Quantas mensagens você recebe pelo whatsapp diariamente? Muitas, não é mesmo? Afinal quem é que não faz parte de pelo menos um grupo - seja de família, escola ou amigos? Entre “bom dia” e “boa tarde”, piadas e correntes, uma mensagem mudou a vida de Maila Suzane Alvares da Silva, que se tornou dona do próprio negócio ao vislumbrar nesse tipo de relacionamento uma oportunidade para lucrar. Assim como ela, muitos rio-pretenses estão aderindo à prática de recorrer ao “zap” para divulgar seus produtos e negócios. 

Há quatro anos, Maila fechou o salão de cabeleireiro que tinha em Novo Horizonte e se mudou para Rio Preto. A concorrência desestimulou a cabeleireira e manicure a abrir um estabelecimento em solo rio-pretense e, por isso, foi trabalhar em um supermercado.

No início deste ano, Maila foi adicionada ao grupo de whatsapp dos moradores do condomínio em que reside, composto por 400 famílias, específico para comércio e serviço locais. “Pouco tempo depois de ser adicionada ao grupo, fui demitida. Eu já estava procurando outro emprego quando uma mensagem mudou a minha vida. Perguntaram se tinha manicure no grupo. Ninguém se habilitou. Pensei: ‘é a minha chance.’ Comprei o básico de manicure, fiz a minha unha e postei no grupo. Deu certo. Hoje, todas as minhas clientes são do condomínio”, afirma.

Além da qualidade do serviço, o diferencial de Maila é o preço abaixo do mercado. Enquanto os salões no Centro de Rio Preto cobram, em média, R$ 20 a mão e R$ 25 o pé, a manicure consegue fazer o mesmo serviço por R$ 10 a mão e R$ 15 o pé. Isso porque ela trabalha em casa, sem custo com transporte, alimentação, aluguel do espaço físico ou comissão do salão. “Atendendo em domicílio, não dá para cobrar o mesmo valor porque tem o custo de transporte e do tempo de deslocamento. Em casa, consigo agendar uma cliente seguida da outra. As clientes gostam porque pagam mais barato e ainda economizam com combustível e estacionamento. Fica cômodo para todo mundo”, diz. “Hoje consigo tirar o meu salário e ainda curtir as minhas filhas”, comemora.

O consultor empresarial Gustavo Valle, de Rio Preto, confirma que os grupos de whatsapp de condomínios, focados em comércio e serviço local, têm alavancado o trabalho informal. “Com o desemprego, muitas pessoas transformaram as redes sociais em ferramentas de marketing. O boca a boca, agora, é online”, afirma. “É prático, confortável e econômico”, acrescenta.

Apesar de ser vantajoso, vender ou trabalhar para os vizinhos exige cuidado redobrado. “É importante ter certeza da qualidade do produto e do atendimento, porque o boca a boca é muito rápido - especialmente em situações negativas”, alerta. “Em condomínios, o boca a boca se encarrega de alavancar o negócio, mas também pode queimar e fica difícil de reverter a situação. Nos dias de hoje, o público é muito exigente e, por isso, é fundamental manter a qualidade.”

Formalizar

Segundo Gustavo Valle, todo negócio que começa informal, tende a crescer. “Quem tem um bom produto e um bom atendimento, tende a ter sucesso, e a pessoa vai precisar se formalizar”, afirma. A dica do consultor empresarial é começar certo desde o início. Mesmo trabalhando em casa, a pessoa pode se tornar um Microempreendedor Individual (MEI) - ou seja, ter a cidadania empresarial, com CNPJ, direitos e benefícios. “Hoje é muito fácil abrir MEI, e o custo é muito baixo”, afirma. Uma das principais vantagens é a cobertura previdenciária para si e seus dependentes, como aposentadoria por idade (mulher aos 60 anos e homem aos 65), auxílio doença e aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio reclusão.

Ofertas vão de açaí a tatuagem

A rápida expansão dos condomínios residenciais em Rio Preto deixou bairros carentes de comércio. Dessa forma, um grupo de WhatsApp criado para resolver questões administrativas de um condomínio, por exemplo, naturalmente transforma-se em oportunidade de negócios. "A melhor saída foi a criação do grupo, chamado 'Classificados', para atender à demanda", diz o administrador e fotógrafo Justin Lima.

O sucesso foi imediato. "Hoje, o grupo inclui três condomínios, com aproximadamente 500 moradores cada. "O nosso Classificados tem de tudo: lanche, açaí, bebidas, manicure, depiladora, design de sobrancelhas e até tatuagem", conta. (RF)

 

'Tudo o que precisa, tem'

Uma regra importante do grupo de whatsApp do condomínio é sempre se lembrar de que o prestador de serviço também é consumidor. "Aquele que vende também compra, por isso o grupo é tão importante para os moradores", afirma a cabeleireira e manicure Maila da Silva. Assim como conquistou clientes, ela também encontrou bons fornecedores. "Por meio do grupo contratei, os serviços de vidraçaria e costura. Foi ótimo, porque me deu mais segurança".

A costureira que ganhou a confiança de Maila é a dona Maria de Lourdes de Paula, moradora do condomínio há nove anos. "Apesar de morar tanto tempo aqui, poucas pessoas sabiam que sou costureira. A clientela aumentou mesmo neste ano, quando fui adicionada ao grupo. Minhas amigas brincaram comigo dizendo que eu estava 'bombando'", conta.

Apesar de cobrar barato pelos serviços de reparo, Maria de Lourdes diz que consegue uma boa renda extra no final do mês. "Meu preço é bom porque não pago aluguel. Como estou em casa, não tenho gasto com nada. Praticamente só preciso contabilizar o valor da energia e o meu trabalho. Aqui faço o meu horário", afirma. (RF)

Mão na roda no campo

Assim como alavanca o trabalho informal, o whatsapp também impulsiona a renda dos pequenos agricultores rurais. Isso porque, quem é do Interior sabe a importância do alimento orgânico, mas mesmo por aqui está cada vez mais difícil encontrar legumes, verduras, frutas, cereais e ovos sem o uso de agrotóxicos sintéticos, transgênicos ou livres de fertilizantes químicos.

Quem vive em grandes centros, como Rio Preto, não tem tempo de ir à roça comprar alimentos orgânicos, como o ovo produzido na criação de galinhas caipiras do seu Ismael Rodrigues Monteiro, em Mirassolândia. O jeito mais fácil é fazer o pedido pelo whatsapp.

Ceci Bonito, produtora agricológica da Horta Mandalla, de Ipiguá, diz que é na agricultura familiar que está o verdadeiro alimento, sem agrotóxico. "Enquanto os pequenos agricultores enfrentam dificuldades para vender os seus produtos, a população urbana tem dificuldade de encontrar alimento orgânico para comprar. Quando encontra, o valor é muito alto", destaca.

Para ajudar consumidores e agricultores familiares, Ceci utiliza o aplicativo para fazer a ponte entre as duas partes. As encomendas são feitas com data agendada para a entrega.

Facilidade que beneficia também seu Ismael, que conta com a parceria e também consultoria informal de Ceci para alavancar seus negócios. Além de não ter acesso a internet, ele teria que percorrer mais de 30 quilômetros para vender os ovos em Rio Preto. "Era muito difícil. Como nossos clientes perguntavam se tínhamos ovo caipira, fomos até a propriedade dele para ter certeza da procedência e fechamos a parceria", diz Ceci.

Segundo a produtora, antes o seu Ismael não conseguia vender todos os ovos. Agora, vende a média de 20 dúzias por semana, e ainda falta. "Nosso objetivo não é lucrar em cima dos pequenos produtores, mas estender a mão, até porque esta é a única renda para muito agricultor familiar", diz.

De Fronteira-MG, vem a banana produzida por mãe e filha, as agricultoras Lilian Liao de Castro e Maria Isabel, respectivamente. Ceci conta que, embora o manejo seja 100% natural, elas enfrentam dificuldades para vender o produto na região em que moram porque a produção é pequena. "Os comerciantes locais dizem que não compensa pegar duas ou três caixas de bananas, e preferem vir a Rio Preto comprar 30 caixas. Com o whatsapp, não sobra um cacho." (RF)

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