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30/07/2018 - 21h28min

O PERIGO ESTÁ NO AR

Inverno rio-pretense está quente, seco e mais poluído

Rio Preto está com níveis de poeira três vezes maior que o ideal. A temperatura também aumentou em relação ao ano passado, e a umidade relativa do ar está abaixo do recomendado para a saúde

Mara Sousa 30/7/2018 Região do IPA voltou a pegar fogo nesta segunda e deu trabalho para os bombeiros
Região do IPA voltou a pegar fogo nesta segunda e deu trabalho para os bombeiros

Há 71 dias sem chuva, Rio Preto tem níveis de poluição por material particulado maior do que cidades como São Bernardo do Campo e Santos - o MP 2.5 (inalável fino) de julho está em 31 micrômetros por metro cúbico de ar, três vezes mais que o valor guia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é dez.

O problema é ainda maior aliado às altas temperaturas. De acordo com dados da Cetesb, a média de julho foi de 22,7 graus em Rio Preto, a maior do Estado de São Paulo. A umidade relativa do ar está abaixo dos 60% preconizados pela OMS e atingiu mais uma vez nesta segunda-feira, 30, os 25%, menor índice registrado no ano. Na prática: a cidade está seca, quente e poluída.

No ano passado, entre maio e agosto foram 85 dias sem chuva em Rio Preto. Mesmo com essa estiagem, os parâmetros meteorológicos não chegaram a níveis tão problemáticos quanto os de agora. Em julho de 2018 em relação ao mesmo período de 2017 a temperatura subiu dois graus. A poluição do ar também aumentou: em julho do ano passado foram 20 micrômetros de MP 2.5 por metro cúbico de ar e 51 de MP 10 pela mesma medida - em 2018, esses índices subiram para 31 e 67, respectivamente (este último maior inclusive que o da marginal Tietê, que ficou em 63).

O material particulado é emitido por queima de combustíveis fósseis (em veículos, por exemplo), obras (como a duplicação da BR-153, que mexe com o solo e levanta poeira) e, na região, principalmente por queimadas. Nesta segunda-feira, 30, mais um incêndio atingiu área do antigo IPA. Na semana passada, focos de fogo em dois dias diferentes destruíram 210 hectares de área verde na mesma região.

A professora Denise de Cerqueira Rossa Feres, bióloga do departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce, explica que o micrômetro é um milésimo de milímetro, ou seja, o material particulado é invisível. "Nós respiramos 600 litros de ar por dia. O MP 2.5 atravessa os alvéolos pulmonares e vai para a corrente sanguínea. Ele comprovadamente causa câncer de pulmão e bexiga", afirma. "É urgentíssimo que as pessoas se conscientizem que queimada é péssima para a saúde". Para tirar esse material de casa, o correto seria lavar, e não varrer. "Mas estamos em época em que tem de economizar água. O certo é não queimar".

Temperatura

José Mário Ferreira de Andrade, engenheiro civil e sanitarista da Cetesb, chama a atenção para o aumento de temperatura, que não deve retroceder. "Moramos numa cidade das mais quentes do Estado. Os meteorologistas indicam que as concentrações de gás carbônico atmosférico estão aumentando e a Terra passa por uma fase de aquecimento".

Ele ressalta que além das queimadas pesam as características regionais. "Nós enfrentamos muitos dias sem chuva, baixa umidade do ar, temperaturas muito altas, radiação também elevada e esses fatores propiciam que o material particulado fique em suspensão por um tempo maior". Os raios solares mantiveram-se em um nível aceitável nesta segunda-feira, 30.

A chuva é aguardada porque vai ajudar a abaixar a poeira em suspensão na atmosfera. Há previsão de pancadas para esta terça, 31. O aumento da velocidade dos ventos que deve proceder a água, no entanto, ajuda a espalhar queimadas e poluição.

Denise ressalta que o ar de um município é o mesmo em todo lugar. Uma queimada no IPA vai mudar a qualidade do que é respirado no seu ponto oposto, como por exemplo o Jardim Soraya. Não importa se foi uma pequena fogueira para queimar folhas, uma limpeza de terreno ou um incêndio de grandes proporções provocado acidentalmente por uma bituca de cigarro: a atmosfera sente. "Você pode comprar alimento melhor ou pior, pode comprar água, mas o ar é o recurso mais democrático que existe".

O coronel Carlos Lamin, da Defesa Civil, orienta a população a fazer denúncias relativas a queimadas no e-mail defesacivil@riopreto.sp.gov.br. O órgão encaminhará as informações aos setores responsáveis.

Clima de deserto

Como evitar complicações

  • Beba bastante água
  • Lave as narinas com soro fisiológico
  • Utilize umidificadores e toalhas molhadas nos ambientes
  • Lave as mãos com frequência (no inverno, os vírus como gripe são transmitidos mais facilmente)
  • Utilize álcool em gel na falta de água e sabão
  • Evite aglomerações
  • Deixe portas e janelas abertas, facilitando a circulação de ar
  • Mantenha a casa sempre limpa

Fonte: Emanuel Pedro de Carvalho Tauyr, pneumologista da Santa Casa e professor da Faceres

Educação reforça cuidados em escolas

A preocupação com a saúde por causa do tempo seco chegou até as escolas municipais de Rio Preto. A Secretaria da Educação informou que está seguindo orientações da Saúde de redobrar a atenção com a hidratação das crianças e evitar exposição ao sol nos horários de pico.

Emanuel Pedro de Carvalho Tauyr, pneumologista e professor da Faceres, diz que a associação entre poeira e tempo seco atinge as defesas do sistema respiratório. "A gente acaba inalando partículas que vão para o nosso nariz, laringe, traqueia, brônquios, até atingir os pulmões".

Esse material particulado provoca sintomas como coriza, congestão nasal, dor de garganta, rouquidão e tosse. O problema atinge a todos, mas tende a ser mais intenso em pessoas como crianças de até cinco anos, idosos e quem tem problemas de saúde como asma, bronquite ou diabetes. "Às vezes os sintomas são mais exacerbados nessas pessoas e podem ter complicações como rinites, sinusites e até pneumonia", afirma o médico. (MG)

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