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14/07/2018 - 00h30min

Operação Cupido

Funcionários se mobilizam para arrumar namorada para a harpia

Sob risco de extinção, harpia macho do zoo de Rio Preto está "à espera" de uma fêmea para reprodução em cativeiro. Processo é importante para garantir sobrevivência de espécies

Fotos: Johnny Torres 13/7/2018 Harpia, também
conhecida como
gavião-real, no
Bosque de Rio Preto
Harpia, também conhecida como gavião-real, no Bosque de Rio Preto

Harpia macho, 15 anos, moradora do Zoológico de Rio Preto procura por uma fêmea. Objetivo: reprodução em cativeiro para evitar a extinção da espécie. Atributos: pesa cinco quilos, tem asas largas, tarsos e garras desenvolvidos, com a unha medindo até 7 centímetros. O anúncio é fictício, mas a intenção é real e parte da direção do Bosque Municipal.

A harpia está entre as maiores aves de rapina do mundo, podendo chegar a até 10 quilos, na fase adulta. Vivem em média 40 anos. A reprodução em cativeiro desse animal só havia sido registrada nos Estados Unidos e no Panamá, até que no ano passado nasceu um filhote no Refúgio Biológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Agora, profissionais do Zoológico de Rio Preto pretendem tentar reproduzir a técnica com o macho que vive aqui e procuram por uma fêmea.

O biólogo Samuel Villanova Vieira esteve no Refúgio Biológico de Itaipu para colher informações. Ele ressalta que o zoológico tem espaço apropriado. "Existe a possibilidade de trazer uma fêmea para esse macho. A expectativa é de adaptação de um ano e meio, dois anos." Em Refúgio Biológico, o processo de reprodução acontece numa câmara de cria, isolada. Os animais fazem a postura, depois são recolhidos os ovos e o processo termina com a incubação artificial, de 56 dias.

Ainda de acordo com Samuel, a harpia é um animal que no Estado de São Paulo está praticamente extinta. Existe registro, na natureza, só na Serra do Mar e no Morro do Diabo (região do Pontal do Paranapanema). Com esse trabalho, os profissionais esperam garantir que as aves possam continuar existindo.

A harpia consegue capturar presas com mais de 6 quilos. Alimenta-se de mamíferos, como preguiças, macacos, veados, gambás e aves em geral. Já a alimentação em cativeiro é de carnes bovina e de aves. Os animais são alimentados em dias alternados, cerca de 10% do seu peso. "Evitamos alimentá-los todos os dias para evitar a obesidade, que costuma ocorrer com harpias criadas em cativeiro. Em média é um quilo de carne a cada dia que são alimentados", explica o veterinário Bernhard von Schimonsky.

Reprodução

O trabalho de reprodução em cativeiro é importante na manutenção das espécies com ameaça de extinção. O processo já foi realizado em Rio Preto com casais de antas e de tamanduás-bandeira. No local, há três antas - o casal e o filhote macho, nascido em 2014. A população de tamanduá é de seis animais - sendo que o mais novo nasceu em 2016.

A anta, maior mamífero terrestre do Brasil, e o tamanduá bandeira, o maior das quatro espécies existentes no continente sul-americano, estão sofrendo com os impactos ambientais provocados pelo homem. Listados como "Vulnerável" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o nascimento desses animais em cativeiro é festejado. O zoológico de Rio Preto contribui para garantir a preservação dessas espécies.

O médico veterinário e gestor do zoológico Ciro Alexandre Teixeira Cruvinel compara o local com a Arca de Noé, a embarcação que, de acordo com o relato bíblico, salvou pelo menos um casal de cada espécie de animal do planeta durante o dilúvio. "Diversas espécies só não foram extintas porque existem os zoológicos. Se a gente perde o animal na natureza e não tem ele em cativeiro, acabou e a espécie é extinta."

A reprodução em cativeiro é realizada a partir de um plano de manejo, que contém informações sobre o período reprodutivo de cada espécie, idade, genealogia e risco de ameaça de cada uma. "É uma série de fatores. Primeiro ter dois animais viáveis para reprodução, ou seja, não pode ser estéril, muito idoso. Um ambiente adequado para eles viverem. E o terceiro é uma atenção médica completa", diz Ciro. "O recinto das antas, por exemplo, é de cerca de 3.5 mil metros quadrados, um lago, cercado por árvores. Isso proporciona um espaço muito agradável para ela. O parto ocorre normalmente à noite".

Sem nomes

No zoológico de Rio Preto há 292 animais. A grande maioria não tem nomes de gente, como já ocorreu no passado. A intenção da equipe é não humanizar, ou seja, atribuir aos bichos características e sentimentos humanos. "Uma coisa é humanizar e manter o animal no seu 'colo'. Outra é ele ter segurança com você. Nós condicionamos eles para que possamos ter acesso a eles, no caso de um exame clínico, não precisamos anestesiá-los", explica Ciro, acrescentando que "a humanização pode gerar sofrimento para os bichos, uma vez que você não pode estar com eles o tempo todo e essa ausência causa sofrimento".

Cuidados com o frio

Durante o inverno, não são só as pessoas que sentem frio: os bichinhos do zoológico também. Nessa época do ano, dois tamanduás-bandeira e dois tamanduás-mirim estão recebendo cuidados especiais para não congelar. A equipe que cuida dos animais mede, com frequência, a temperatura dos filhotes, que são órfãos e chegaram no local após serem resgatados, entre junho e a semana passada. Atropelado nesta semana, um cachorro-do-mato, adulto, também está recebendo aquecimento artificial para manter a temperatura.

O médico veterinário Ciro Alexandre Teixeira Cruvinel explica que a temperatura média dos tamanduás é de 32°C e que, se estivessem na natureza junto à mãe, estariam aquecidos e não precisariam do aquecedor artificial. "Estariam grudados com a mãe. Aferimos a temperatura toda vez que o alimentamos, de quatro a cinco vezes por dia."

De acordo com o especialista, os filhotes estão sujeitos à patologia conhecida como tríade neonatal - hipotermia, hipoglicemia e desidratação. "Uma leva à outra, por isso ficamos atentos para evitar a hipotermia", explica Ciro, acrescentando que os funcionários do zoológico também simulam gestos da mãe. "As genitoras lambem as genitálias e o ânus dos filhotes para estimular que os órgãos funcionem. Nós molhamos algodão e passamos neles porque senão eles não defecam e não urinam."

Em extinção

Espécies ameaçadas de extinção que vivem no zoológico de Rio Preto

  • Onça-pintada
  • Onça-parda
  • Tamanduá-bandeira
  • Harpia
  • Gato-do-mato-pequeno
  • Gato-palheiro
  • Gato-mourisco
  • Jacaré-de-papo-amarelo
  • Lobo-guará
  • Mutumpinima

A harpia

  • tem 15 anos e pesa cinco quilos
  • garras chegam a medir sete centímetros

 

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